As ações da MRV (MRVE3) estão em forte queda nesta terça-feira (25), com os investidores reagindo ao balanço do quarto trimestre de 2024, divulgado na noite de segunda-feira (24). O prejuízo líquido ficou em R$ 249,8 milhões no período, o que representou uma perrda 138% maior do que no mesmo intervalo de 2023, de R$ 104,9 milhões.
Segundo o Itaú BBA, os números foram marcados por uma combinação de números positivos de fluxo de caixa e dívida, mas receitas e margens mornas.
“No lado positivo, a alavancagem (medida como dívida líquida mais passivos de securitização) nas operações brasileiras pode estar mostrando sinais de inflexão, pois ficou quase estável no trimestre após vários trimestres de queima de caixa. Por outro lado, as tendências operacionais não foram tão animadoras, dado que as receitas caíram com vendas menores e menos unidades produzidas, e as margens brutas ficaram estáveis devido à inflação”, avalia o analista Daniel Gasparete.
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Ele mantém a preferência pelas ações da Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3). A recomendação é outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 10.
Os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, do Bradesco BBI, notam que o desempenho positivo das ações da MRV ainda depende de sinais mais fortes de convergência entre as margens reportadas e em carteira, que ainda apresentam uma diferença significativa.
“Embora o valuation pareça atraente em termos absolutos, negociando a 0,46 vez o Valor Patrimonial, uma reclassificação dos múltiplos parece pendente de eventos que podem reduzir a complexidade da tese de investimento”, explicam.
Mais sobre o resultado da MRV
A principal divisão de negócios, a MRV, teve prejuízo líquido de R$ 17,7 milhões. Já no critério ajustado, a MRV teve lucro de R$ 78,2 milhões. O critério ‘ajustado’ exclui R$ 96 milhões em despesas contábeis (sem efeito no caixa) com o mecanismo de equity swap, referente à operação de recompra da ações da companhia mediante instrumento financeiro derivativo. Com a queda nas ações, houve ajuste na marcação a mercado da operação.
Sem contar esse efeito, o que mais pesou no balanço da MRV&CO no último trimestre do ano passado foi o resultado da Resia, subsidiária norte-americana, com prejuízo de R$ 237,7 milhões no período. A perda foi causada pela venda, com prejuízo, de um empreendimento em Austin marcado por custos de obra acima do previsto e receita de locação abaixo do esperado.
Entre os demais negócios, a Urba teve lucro de R$ 4,6 milhões e a Luggo teve lucro de R$ 500 mil.
A receita líquida consolidada totalizou R$ 2,376 bilhões, aumento de 22,4% na mesma base de comparação anual. O avanço se deu em virtude do aumento das vendas de imóveis pela MRV no Minha Casa Minha Vida (MCMV) e da evolução da produção.
A margem bruta consolidada foi de 26,6%, avanço de 2,5 pontos porcentuais. A margem bruta da operação da MRV foi de 27%, expansão também de 2,5 pontos porcentuais, ajudada pelo aumento na receita e pela diluição de despesas. A MRV também afirmou que tem sido capaz de manter os custos de construção sob controle e abaixo da inflação setorial medida pelo INCC.
As despesas operacionais consolidadas alcançaram R$ 610 milhões, alta anual de 21,1%. O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas financeiras) gerou uma despesa líquida de R$ 174,5 milhões, salto de 219%, puxadas pela oscilação do equity swap.
Nas operações do Brasil (MRV, Luggo e Urba), a MRV&CO fechou o quarto trimestre com dívida líquida de R$ 2,295 bilhões, baixa de 7,6% na comparação anual, e alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) foi para 40,1%, recuo de 2 pontos porcentuais.
Já na operação dos Estados Unidos (Resia), o cenário é mais delicado. A dívida líquida atingiu US$ 639 milhões, alta de 20,6%, com alavancagem de 227%, crescimento de 73 pontos porcentuais. No fim do ano passado, o grupo anunciou um plano de venda de US$ 800 milhões entre terrenos e empreendimentos para cortar a dívida ao longo dos próximos trimestres.
(Com Estadão Conteúdo)