Esta é uma pergunta estranha, e sem pensar muito no assunto respondemos um rápido e sonoro “não”. Afinal, se não é para receber dinheiro pelo trabalho, o melhor é ficar no ócio. Será?

Sou daquelas pessoas que defende o ócio criativo, que são aqueles momentos em que você escolhe parar um pouco com todas as atividades e se retira para um local adequado. Ali reflete sobre a vida, deixando os pensamentos vagarem pela mente. Muitas boas ideias surgem nestes momentos.

Mas também creio que fazer isso por muito tempo pode ser perigoso, com o risco de sermos traídos pela nossa própria mente, que pode criar padrões estranhos de pensamento.

Sensações de incapacidade, de solidão, de não ser querido pelas pessoas, de ser difamado, e outros semelhantes a estes, podem dar início ou continuidade a um ciclo de baixa autoestima, que por sua vez pode causar transtornos psicológicos mais severos.

E o que isso tem que ver com trabalhar de graça? Algumas coisas. Afinal, quem aceita ocupar sua mente com uma atividade, ainda que não remunerada, cria uma proteção contra estes pensamentos destrutivos que costumam invadir a mente de muitas pessoas.

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Mas o fato é que há coisas muito mais interessantes que podem resultar de um trabalho não remunerado. Vou contar a história de um amigo para exemplificar isso. Para preservar sua identidade, vou chamá-lo de Marcos.

Pensando e agindo de uma forma diferente

O Marcos havia terminado seu curso de engenharia, mas no seu último ano na universidade, teve contato com o mercado financeiro e ficou fascinado com aquilo. Passou a estudar muito sobre investimentos e toda a dinâmica do setor.

Após sua formatura, ele estava decidido que não queria trabalhar como engenheiro, mas sim como analista de investimentos. O desafio: como conseguir um trabalho numa instituição financeira sem ter qualquer experiência e sem conhecer ninguém que pudesse recomendá-lo?

Os programas de treinee eram pouco frequentes e Marcos não queria perder tempo esperando o surgimento deles. Então resolveu se aconselhar com outro amigo, que trabalhava no mercado financeiro. Ele explicou o caso e pediu ajuda ao amigo.

Seu amigo disse que poderia sim ajudar. Ele propôs que Marcos trabalhasse num modelo de prestação de serviços sem remuneração financeira, apenas para ganhar experiência. Algo parecido com um estágio não remunerado.

Marcos deveria estar disposto a aprender e aplicar seu aprendizado para melhorar os processos daquela empresa. Sua remuneração não seria em dinheiro, mas nestas duas moedas:

  • Aprendizado prático, ao lado de profissionais competentes;
  • Amplo networking, onde ele iria conhecer pessoas relevantes no setor financeiro.

Você consegue ver valor nisso? Se você estivesse em situação semelhante, você aceitaria?

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Fazendo algo que não gosta para poder fazer o que gosta

Ele aceitou, e negociou trabalhar 6 horas diárias numa gestora de fundos de investimentos. Teve que se mudar de cidade para isso. Passou a dividir um pequeno apartamento com amigos, e para custear as despesas, trabalhava numa famosa rede de lanchonetes outras 8 horas ao dia.

Pergunto novamente, você aceitaria uma rotina assim? Marcos aceitou porque sabia o que queria; e pode acreditar, não era ficar trabalhando numa lanchonete depois de ter passado 5 anos numa universidade.

Mas ele entendeu que para chegar onde queria, teria que pagar o preço. Aceitou fazer algo que não gostava para alcançar aquilo que gostava. Um aprendizado importante.

Finalmente chega a hora do prêmio

Oito meses nesta rotina foram suficientes. Um dos analistas da gestora de investimentos onde ele trabalhava saiu da empresa. Foi trabalhar noutro local e Marcos, que vinha desempenhando um ótimo trabalho, foi contratado.

Semanas depois desse fato, ficou sabendo que dois de seus novos amigos e colegas de trabalho, que também eram amigos do dono da empresa, haviam recomendado o Marcos para aquela posição.

Marcos então pôde comprovar que desde o início daquele novo desafio, ele já estava sendo bem pago, mas com duas moeda difíceis de serem mensuradas (conhecimento e networking), uma vez que o valor delas excede aquilo que o dinheiro pode comprar.

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Hoje faço piadas com o Marcos, dizendo que gosto mais dos sanduíches que ele prepara do que das dicas de investimentos que ele me passa. Sorrimos juntos, e ele diz que valeu à pena.

Colocando a sua competência à prova

Voltando ao início de nosso texto, estamos atravessando uma fase difícil na economia de nosso país. O emprego está escasso, mas o trabalho continua existindo.

As oportunidades, que antes eram frequentes, agora são limitadas. É preciso criá-las. É necessário abrirmos mão de conceitos antigos e nos permitirmos fazer algumas coisas de um modo diferente, para conseguirmos mostrar o nosso valor.

É o conhecido modelo de degustação, onde alguém te oferece a possibilidade de experimentar gratuitamente o produto ou serviço que ele vende. Se você gostar, compra. Se não gostar, a vida segue.

Conclusão

Você está disposto a permitir que outras pessoas experimentem as suas competências e o seu modo de trabalhar, interagir e somar em um time de trabalho? Lembre-se, é uma situação temporária, que deve durar um tempo que seja suficiente para você mostrar que é bom e merecedor de uma boa remuneração em dinheiro.

E antes que você diga “mas as empresas não aceitam esse tipo de modelo de trabalho”, eu digo: se não aceitarem, é melhor mesmo que você não comece por elas. Procure isso em empresas jovens, as famosas startups, que precisam desse tipo de profissional, e terão condições de proporcionar a você um enorme aprendizado e uma grande rede de contatos importantes.

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Se você é uma pessoa disposta, não há o que temer, pois o resultado virá, e provavelmente virá antes do que você imagina. Desejo coragem e sucesso! Um abraço e até a próxima.

Giovanni Coutinho
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