Dinheirama - Estrada para o futuro!Mais uma semana de fortes emoções no mercado financeiro. A crise de crédito nos EUA ainda mostra os dentes e o preço do petróleo vem buscando novos recordes. Isto posto, o Fed admitiu a desaceleração da economia norte americana no ano que vem. E agora, será que vem recessão por ai? A reação do mercado foi um novo “vôo para a qualidade” (ou flight to quality) – migração da renda variável para a renda fixa[bb] – e a consequente derrubada das bolsas ao redor do mundo.

No meio da tempestade, notícias sobre a redução de produção da Petrobrás, oferta de ações do Banco do Brasil, formação de área de livre comércio na Ásia, aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul e péssimas notícias sobre o sistema tributário brasileiro. Boa leitura e, por favor, deixem seus comentários e opiniões sobre tudo isso!

Petrobrás apresenta queda na produção e fica, mais uma vez, distante das previsões
Muitas pessoas consideram a Petrobrás uma grande empresa, mas muito mal gerida. O principal argumento é que as metas da petrolífera brasileira nunca são atingidas. A Petrobrás, mais uma vez, alimenta esses seus críticos. Em outubro de 2006 a estatal atingiu o pico diário de produção: 1,912 milhão de barris de petróleo. Desde então a empresa busca a marca de 2 milhões de barris produzidos em um único dia. Mas desde julho desse ano a produção da Petrobrás está em queda e, mesmo com a entrada de três novas plataformas até o fim do ano, a meta dificilmente será alcançada.

A média de produção esperada para esse ano era de 1,9 milhões de barris por dia. Até agora o resultado alcançado é de 1,840 milhão de barris por dia, em média. A própria empresa já admitiu que a média prevista não será atingida.

Leia mais:


Banco do Brasil registra oferta de ações

O BB registrou nessa quarta-feira (21/11), na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a sua oferta secundária de ações. As ações ofertadas pertencem à Previ e BNDESPar (BNDES participações). O objetivo da oferta é aumentar a proporção de ações pulverizadas no mercado (free float). Atualmente 14,85% das ações do BB estão nas mãos do mercado. A proporção precisa chegar a 25% até o final de junho de 2009 caso o banco queira permanecer no Novo Mercado da Bovespa[bb].

O valor mínimo de reserva é de R$1.000,00 e para garantir a pulverização o banco dará prioridade a investidores não-institucionais. Essa prioridade às pessoas físicas, funcionários e clientes trouxe um inconveniente ao BB: a CVM exigiu a inclusão no prospecto de informações sobre o risco da formação de preço. Esse risco se deve ao fato de que o processo de bookbuilding (definição do preço das ações) é feito com os investidores institucionais que definem o quanto estariam dispostos a pagar pelas ações do BB. Entretanto, esses investidores ficarão com apenas 20% das ações ofertadas, já que a prioridade é para o investidor de varejo.

Portanto, pode haver uma distorção nos preços definidos. Também por essa alteração no prospecto, o calendário da oferta sofreu uma pequena alteração: o início do período de reservas foi adiado de 28/11 para 30/11. Com isso, o período de reservas vai de 30/11 a 11/12. No dia 13/12 será definido o preço por ação e as negociações começam no dia 17.

Leia mais:


Mercado, livre mercado…

Por aqui, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou o parecer que pede a entrada da Venezuela no Mercosul. O maior entrave para a aprovação é a conduta, no mínimo polêmica, de Hugo Chávez, que é acusado de tirania e de agir de forma ditatorial. Mesmo assim, o governo conseguiu aprovar o parecer por 44 votos a 17. A entrada da Venezuela no Mercosul agora será votada na Câmara dos Deputados. Ali a parada vai ser mais dura, já que o presidente venezuelano já pressionou nosso Congresso pela aprovação e ofendeu o Senado brasileiro ao dizer que a casa agia “como um papagaio” do governo norte-americano.

Já na Ásia, a Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) aprovou um plano para a criação de um mercado único na região. O plano prevê, para 2015, a liberalização completa da região com a formação de um bloco de livre comércio entre Cingapura, Tailândia, Indonésia, Brunei, Filipinas e Malásia e em 2020 entrariam no bloco Vietnã, Camboja, Laos e Mianmar.

Leia mais:


Cai a previsão de crescimento dos EUA

Mais uma semana de forte volatilidade. As bolsas do mundo todo estão sofrendo com as variações dos preços dos ativos. Mais reflexos da crise de crédito[bb] – já nem chamam mais de crise das hipotecas, já é uma crise de crédito! – dos EUA. Devido a essa crise e à alta no preço do petróleo, o Fed (Federal Reserve – Banco Central dos EUA) derrubou a previsão de crescimento da economia dos EUA. A previsão anterior era de um crescimento entre 2,5% e 2,75%. Nessa semana o Fed divulgou a nova previsão: crescimento entre 1,8% e 2,5% em 2008.

Apesar da redução do ritmo de crescimento e da previsão de leve aumento do nível de desemprego, a previsão de inflação também foi revista para baixo: entre 1,8% e 2,1% ante a previsão anterior de 2% e 2,25%

Leia mais:


Impostos brasileiros. Aqui é caro pagar e muito difícil contabilizar…

A consultoria PriceWaterhouse Coopers e a International Finances Corporation fizeram um estudo bastante interessante em diversos países. Imaginaram uma empresa que fabrica e vende vasos, com 60 funcionários, e um faturamento proporcional à renda per capta dos países estudados. Os responsáveis pela pesquisa mapearam como seria o balanço tributário dessa empresa nos países estudados. Entre os 178 países estudados, o Brasil ficou em 137° lugar!!! Isso significa que temos um dos sistemas tributários mais complexos entre os 178 países avaliados. Além da complexidade do sistema tributário, também foram avaliados a quantidade de impostos – o Brasil ficou em 24° lugar – e o custo total desses tributos, quesito no qual marcamos a 158ª posição.

Rita Ramalho, especialista em tributação do Banco Mundial e co-autora do trabalho, comenta:

“Sem dúvida, as alíquotas brasileiras são muito elevadas. Mas, do ponto de vista da facilidade de pagar impostos, o ponto em que o país tem mais a melhorar em relação aos outros é na área administrativa, na simplicidade do pagamento”

O estudo estima que se essa empresa de 60 funcionários quiser se manter rigorosamente dentro da lei[bb], terá que dispor de um funcionário em tempo integral e outro em meio período durante o ano todo, atuando exclusivamente nessa função. Para manter suas obrigações fiscais, nossa fabricante de vasos teria que gastar 2.600 horas de trabalho anuais. O maior exemplo da perda de tempo com os tributos é o ICMS. Uma empresa que possui negócios em vários estados tem que pagar diferentes alíquotas e seguir diferentes regras. É muita perda de tempo!

Leia mais:

—–
Arthur Gouveia é Consultor de Empresas especializado em Gestão e Estatística. Conheceu o Dinheirama e, desde então, aplica as dicas dos editores e comentaristas em seu cotidiano, buscando aumentar seu patrimônio líquido. Atualmente edita a seção de Notícias e é editor responsável pelas dicas e opiniões de nossos leitores.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Avatar
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários