A agencia de classificação de riscos Standard & Poor’s reduziu a nota de risco do Brasil de “BBB-“ para “BB+”. A redução da nota faz com que o país deixe de exibir perante o mercado o selo de bom pagador, passando, segundo a agência, a ser um lugar não recomendado para os investidores.

Ao longo dos últimos meses, muito se falou sobre o tema, sendo o Ministro da Fazenda Joaquim Levy o principal defensor dos ajustes na economia que poderiam sinalizar maior rigor e austeridade.

Com o passar dos meses, o país não conseguiu se encontrar, sendo obrigado, por conta da crise política e falta de apoio, a recuar em inúmeras medidas necessárias, mas que teriam ainda maior impacto na popularidade do governo.

O que muda na prática sem o grau de investimento?

A S&P foi a primeira das três principais agências de classificação de risco a conceder ao Brasil o selo de bom pagador, em abril de 2008, no governo do presidente Lula. Agora, é a primeira a colocar o Brasil de volta ao grau especulativo.

Muitos analistas acreditam que o mercado financeiro já precificou, ao longo dos últimos meses, a perda do grau de investimento; quem acompanha de perto sabe as dificuldades que o país enfrenta e como uma recuperação poderá ser lenta e amarga.

De imediato, a perda do grau de investimento torna o crédito mais caro para o país e suas empresas e diminui o investimento estrangeiro em nossa economia – isso porque alguns fundos de investimento internacionais necessitam do selo de bom pagador para que possam investir.

Se o país receberá menos investimento de fora, o Dólar deverá continuar valorizado frente ao Real; a especulação continuará forte nos próximos meses e o investidor deverá ter ainda mais cautela. Por outro lado, o governo terá que atrair investidores oferecendo títulos públicos com taxas mais elevadas, e neste sentido comprar e manter títulos até o vencimento pode ser interessante (via Tesouro Direto).

Duro caminho a trilhar

O governo precisa urgentemente retomar o caminho da austeridade. É preciso cortar gastos, tornar a máquina pública mais eficaz e definitivamente mostrar ao mundo que somos capazes de mudar a triste sina de “país do futuro”.

É hora de olharmos para nosso próprio umbigo e deixarmos de lado o “jeitinho brasileiro” para focar naquilo que é importante: sermos mais competitivos e menos dependentes do Estado, evocando cada vez mais o mérito próprio para (re)construir a nação.

A intolerância com a corrupção, de todas as formas e em todas a instâncias, precisa ganhar vida! Não é possível que tenhamos gastado tempo e oportunidades de evoluir discutindo escândalo atrás de escândalo; precisamos crescer e muito disso depende de passarmos a agir verdadeiramente como cidadãos.

Perder o grau de investimento é um duro golpe, mas pode ser o empurrão que precisávamos para seguir um caminho novo, um modelo sustentável e que recoloque o país na rota do crescimento. Para isso será preciso humildade, um enorme enxugamento da máquina pública e muita força política. Complicado? Pois é. Vamos acompanhar!

Foto “Brazil thumbs down”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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