Poupança - Importante para o futuro!Depois da discussão nos comentários do artigo do Ricardo, “Brasil de muitos milionários”, polêmica na qual entrei com entusiasmo, o Navarro me provocou a analisar a matéria que a revista VIP deste mês publicou sobre investimento em bolsa de valores[bb]. Confesso que quando vi a capa da revista, logo me entusiasmei.

E não foi só o decote da Claudia Leitte que me chamou atenção (brincadeirinha, viu patroa! – É bom eu me desculpar mesmo. Minha mulher, Beatriz, é leitora fiel do Dinheirama e participa de todas as discussões. Afinal, foram a beleza, o charme e a inteligência que me conquistaram). A chamada para a matéria a qual o Navarro se referia também me fisgou: “Adrenalina, grana, muita grana!!! A boa vida da moçada que está arriscando na Bolsa”. Fiquei incomodado!

Afinal, tenho lido muito nos últimos anos sobre Finanças Comportamentais[bb] (ao final do artigo, indicarei uma pequena lista de livros sobre o assunto para os interessados) e aprendi que a mistura coração e mente, quando o assunto é investimentos, é indesejável e inevitável ao mesmo tempo. Seria bom se desse para investir só com o cérebro.

Achei que ressaltar a adrenalina é chamar a atenção para um fator do mercado que muitas vezes leva gente à bancarrota! Mas também conheço alguns que gostam disso pra valer. Uma vez conversei com um camarada que foi operador na Bovespa, era uma daqueles caras que ficavam correndo de um lado pro outro balançando o braço em sinal de venda ou compra.

E a adrenalina? – Perguntei a ele.
Ele prontamente respondeu:
Boa, muito boa!!! – Emitindo claros sinais de saudades do tempo em que o pregão não era eletrônico e dependia daquele bando de malucos para funcionar. Enfim, cada um na sua. Eu prefiro analisar friamente as coisas, amadurecer a idéia, coletar informações. Posso levar meses antes de decidir investir em alguma ação, fundo de investimento ou seja lá o que for.

O curioso da VIP é que a matéria publicada nas páginas 64 a 69 não segue exatamente na mesma linha da chamada da capa. Pelo contrário, a reportagem é bastante centrada e inteligente. Devo dizer que, infelizmente, isto é bem fácil de acontecer. A capa chama atenção, você compra.

Não conheço exatamente como as coisas funcionam na VIP, mas, em geral, quem faz o texto da matéria é o repórter que apurou as informações e entrevistou as pessoas, enquanto chamadas de capa, índice e muitas vezes até o título da matéria são determinados por um editor que não participa da apuração do assunto. Os editores têm a função de adequar o material ao estilo da publicação, por isso a chamada reforça a adrenalina do mercado de ações.

O texto, como já mencionei, tem vários pontos altos. Repare:

“Com prática, estudo e dedicação, é possível ganhar dinheiro como os profissionais do mercado financeiro”

Ou seja, não adianta jogar dinheiro na Bolsa e achar que está por cima! A chamada da capa pode fazê-lo pensar assim, mas você precisa de muito conhecimento para investir com segurança e só o tempo ensina certas manhas do mercado. Acrescento ainda que é essencial ter um método bem estabelecido e testado.

Vários investidores vão além da simples divisão entre fundamentalistas e grafistas. Conheço, por exemplo, o método do Instituto Nacional de Investidores, o INI, que utiliza dados objetivos da empresas e julgamento do investidor e prevê:

  • Investimento regular;
  • Reinvestimento de todos os lucros e dividendos;
  • Investimento em empresas de grande crescimento;
  • Diversificação;
  • Escolha de empresas com boa governança corporativa.

A matéria da VIP não se aprofunda nos conceitos mais acadêmicos, o que aliás seria bobagem, já que a revista se destina a um público com pouco conhecimento sobre o assunto. Aqui no Dinheirama a turma já está craque. Por exemplo, o texto diz que:

“Bastante gente comprando e vendendo torna os preços mais justos”

Não sei se ele quis dizer que as ações são negociadas a preços que realmente refletem o valor de mercados das empresas (a saber: Petrobrás, Vale, Gerdau, Itaú e Bradesco, que são as estrelas dos pregões da Bovespa) ou a preços que sofrem variações mais previsíveis, menos sujeitos a avaliações equivocadas e grandes especulações que podem fazer o preço pular ou serem jogados num precipício. Enfim, acredito que o método de avaliação de cada investidor é que vai definir isso.

Método? Isso mesmo!
Aliás, se você investe em ações, tenha um método no qual você acredita e use-o exaustivamente! Claro que você só vai poder adotar um método com segurança depois de muitos testes e muita prática, por isso ressaltei o ponto alto da matéria quando valoriza a prática, o estudo e a dedicação como caminho para ter lucro no mercado. Mesmo assim, tem muita raposa no mercado que às vezes perde uma graninha. Afinal, bola de cristal é pura ficção!

Depois de todo esse blábláblá, você deve estar perguntando seu eu recomendo ou não a leitura da matéria. Sim, recomendo! Achei o texto equilibrado, como manda o bom jornalismo. Os exemplos citados são bons (embora eu ainda sinta falta de uma matéria mostrando como alguns perdem dinheiro para aprendermos com os erros dos outros), o autor dá uma pincelada boa em vários métodos e estilos de investidores e mostra que a bolsa é um mercado acessível. Basta ter um pouco de poupança, não precisa ser ricaço e nem tubarão.

Também pudera, o repórter que fez a matéria é craque no assunto. Cláudio Gradilone, que além de jornalista é economista, escreve um dos melhores blogs para investidores pessoa física do país: o Blog do Investidor, no site da revista Exame. Seguidamente, ele dá informações e insights, que não circulam nos jornais diários, revistas e sites por aí afora, que orientam quem poupa e investe!

Este artigo é um convite para que mantenhamos sempre alertas nosso faro e responsabilidade ao lermos reportagens especializadas. Afinal, você será sempre o responsável por suas decisões, não é mesmo? Ao ser fisgado por uma bela capa, procure exercitar sua capacidade de interpretação e coloque-se diante do desafio com seriedade e cautela. Aqui mais algumas dicas de leitura:

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Lúcio Costi Ribeiro é gaúcho, jornalista e mora em Brasília, além de adorar a cidade! Começou a estudar finanças para cuidar do próprio bolso, gostou e resolver escrever sobre dinheiro. Já fez boletins enviados para mais de 2 mil rádios do país e agora escreve sobre como a imprensa trata o pequeno investidor. Ah, tem fama de pão-duro, mas jura que apenas gasta menos que os outros.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

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