Liberdade financeiraBorges escreveu: “Navarro, tenho 28 anos e não tenho nenhum patrimônio. Nada. Zero. Por outro lado, não tenho nenhuma dívida e, analisando o meu orçamento, percebi que tenho uma capacidade de poupar algo em torno de R$ 1000 mensais. Minha situação está muito ruim? Considerando minha idade, você acha que perdi ou passei do ponto de começar a acumular? Perdi o bonde? Obrigado e um abraço”!

Borges, obrigado pela visita e por deixar sua dúvida/comentário. Eis uma questão comum e que aflige a grande maioria dos brasileiros. Podendo guardar R$ 1000,00 todo mês, de cara já considere-se um privilegiado. Você tem em mãos uma bela quantia (e oportunidade) para poupar e investir. Quero comentar um pouco sobre sua preocupação e tratar de motivá-lo para que comece agora mesmo seu planejamento financeiro para o futuro. São passos simples, mas muito poderosos. Vamos lá?

Passo 1 – Conhecer seu verdadeiro eu
Essa tarefa pode parecer fácil, mas não é. Quando você se propõe a entender as suas reais necessidades e a analisar seus custos fixos e variáves de vida, muitas surpresas podem aparecer. Nessa hora, duas reações são muito comuns: ou você percebe que algo está errado ou você encara com descrédito a tentativa de policiar-se, fundamentando-se em algum principio furado (“Esse é meu estilo de vida” é o mais cômico). O resultado desse exercício será a motivação necessária para computar suas receitas e despesas, criando um modelo inicial de orçamento.

Passo 2 – Respeitar seus limites, desejos e “dias de fúria”
O orçamento define suas capacidades financeiras e as possibilidades de aquisição de bens. Ele traça diretrizes e limites para seus gastos diários, mensais e anuais. Mas existem momentos em que achamos tudo isso uma grande besteira. São os “dias de fúria”. Nessa hora tudo que você quer é mudar completamente seu estilo de vida, gastar com roupas, carro, viagens e baladas. Estilo de vida? Faça o que quiser, mas não comprometa seu dinheiro com o que não pode ter ou pagar.

Cuidado com o que pode ser muito bom agora, mas que pode deixar tudo muito ruim depois. Todos podem mudar de profissão, de cidade, de ramo etc, mas a chance de construir um patrimônio é única e contínua. Sua saúde financeira não pode ter os mesmos luxos dados às mudanças comportamentais e(ou) profissionais. Se recomeçar já é difícil, recomeçar sem dinheiro é ainda pior. Então respeite seu dinheiro e a necessidade de respeitá-lo. É hora de rever seu orçamento e refiná-lo ainda mais.

Passo 3 – Aprender a colocar seu dinheiro para trabalhar por você
Aqui a confiança já será uma companhia calorosa e animada em seu cotidiano. Ainda assim, você precisa agradá-la mais e mais. Esta na hora de entender um pouco mais sobre a ciranda financeira e de se interessar pelas possibilidades que ela pode criar em sua vida. Será interessante investir parte de meu dinheiro em ações? Vou adquirir títulos do Tesouro por conta própria ou investir em fundo de renda fixa? Inteligência financeira é essencial e aprendê-la é uma decisão que só você pode tomar.

Ande pelo Dinheirama e por alguns dos sites indicados em meu blogroll, leia mais jornais e revistas especializadas em finanças, procure conversar mais sobre dinheiro com seus colegas de trabalho e amigos de infância, leve a discussão para dentro de casa, leve para casa alguns folhetos de produtos bancários, leia livros sobre inteligência financeira. O conhecimento nunca esteve tão disponível e muitas vezes a oportunidade está nos pequenos detalhes.

Passo 4 – Acreditar que tudo isso é possível
Você passou por sua primeira baixa no mercado de ações ou alguma emergência fez seus investimentos minguarem? Isso é parte do processo de amadurecimento e o principal é não deixar que isso saque a importância da disciplina e do respeito ao que é seu. Todos fracassamos e todos aprendem alguma coisa com isso. Mas poucos de nós decidem colocar em prática o que o fracasso nos ensinou.

Todo dia temos pelo menos uma oportunidade de pegar o bonde, esteja ele andando ou não. Todo dia. Quanto mais velhos ficamos, menos vezes vemos o bonde passar. Mas ele continua lá, passando, passando e passando. O hábito, os valores e a cultura que amealhamos durante nossa jornada são uma bagagem essencial para uma vida plena. No entanto, muita gente carrega tanta bagagem que ela começa a tapar parte da visão destinada ao dinheiro. Há uma frase do HSBC que acho super inteligente: “Dinheiro é que nem um filho. Se ele é seu, por que outra pessoa tem que cuidar dele”?

Borges, o bonde acabou de passar. Uma passada mais longa e você o alcança. Te vejo lá dentro.

Conrado Navarro
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