Preguiça - ProcrastinaçãoHoje estou com uma baita preguiça de escrever. Acho que vou deixar esse artigo para amanhã, estou completamente sem inspiração. Assim dá tempo de pesquisar um pouco mais sobre o assunto em casa, na Internet. Além disso, acabo tendo mais tempo para consultar alguns amigos do ramo. Boa idéia. Vou terminar algumas outras tarefas e de noite volto a pensar no texto para o blog.

Ainda que com coisas simples, aparentemente sem significado, você também faz isso todo santo dia. Qual a vantagem em deixar para amanhã algo que você pode facilmente resolver hoje? Esse hábito é muito perigoso para sua saúde financeira, pois cria uma falsa impressão de que comprar ou possuir é fácil. Você compra agora, usufrui hoje e deixa pra pagar lá na frente. Ou paga e fica com preguiça de organizar seus comprovantes e recibos (confesso estar passando por isso agora). Isso não é bom.

Organização não tem nada a ver com talento
É muito comum ouvir as pessoas reclamando de seu próprio senso de organização. Não acredito que a genética possa influenciar no comportamento diante de algo tão essencial. Veja bem, não estou comparando a organização à falta de atenção. Uma coisa é esquecer porque você tem TDAH, outra coisa é deixar pra lá algo importante para o seu futuro e para o seu bolso. Tá legal, eu não entendo nada de genética ou medicina, mas odeio qualquer tipo ou gênero de preguiça.

Você pode e deve prestar atenção ao que costuma deixar de lado quando o assunto é dinheiro (disso eu entendo). Veja alguns possíveis problemas decorrentes da preguiça ou procrastinação:

  • Recibos que ainda não foram lançados no seu controle financeiro: sabe aquele papelzinho azul ou amarelo da maquininha de cartão de crédito? Você corre o risco de perdê-los durante a visita da diarista (já aconteceu comigo). Ou pode ainda esquecê-los em algum lugar (não adianta, você não vai lembrar agora). Isso prejudica seu orçamento mensal. Sem contabilizá-los, você pode demorar a entender a razão da diferença entre o saldo real e sua planilha. Evite esse problema simplesmente alimentando sua ferramenta de controle assim que possível.
  • Contas sem o recibo de pagamento: você agenda o pagamento de suas contas e não anexa o comprovante de pagamento ao boleto. Acontece? O comprovante de agendamento não vale nada. Este ponto não é tão crítico porque os recibos podem ser facilmente impressos pelo internet banking. Ainda assim, ele merece atenção. De repente você vai vender algum bem e tem que sair correndo para conseguir os comprovantes dos últimos pagamentos. Acontece? Acontece.
  • Contas desorganizadas: uma conta de luz jogada na mesa da sala e outra no quarto das crianças. Uma conta de celular na cozinha e uma conta de telefone perdida. Acontece? Organizar suas contas em pastas é fácil, não requer prática nem curso de especialização. O desespero para encontrar uma conta perdida é infinitamente mais frustrante que o trabalho de separar as contas por ano, tipo ou valor.
  • Cheques: ah, os cheques. Viver sem eles é a melhor coisa que você pode fazer. Eu fiz isso há 6 anos e não me arrependo. Só uso cartões de débito e só compro quando tenho dinheiro (duh!). É tão simples. Deixar para amanhã a organização de seus débitos em cheque pode ser fatal, por razões óbvias: o canhoto pode se perder sem que você tenha se lembrado de lançar algum valor; um talão de cheque perdido pode significar ter que pagar desnecessariamente por um novo; aquela história de dar um cheque pré-datado e “cobrir” a conta quando o salário cair é arriscada demais. Já pensou se o salário atrasa ou se você se esquece de depositar o que prometeu?

Repetindo, você pode (e deve)!
Faça um rápido levantamento de tudo que você deixou para depois, tudo que está pendente e que depende apenas de um rápido acesso de lucidez para ser resolvido. Veja se o estresse diante de tantas contas e de tantos problemas financeiros não pode estar relacionado com sua “capacidade” de apenas empurrar o problema. Adiar um problema ou uma decisão é adiar também tudo o que você deveria estar colocando em prática ao ler os artigos que publico por aqui.

O texto foi mais curto e mais simples do que o habitual. O tema, bastante cotidiano. O texto, objetivo. Nada muito polêmico, nada demais. Mas a reflexão sobre o “deixa pra depois” é importante e seu aspecto financeiro pode estar sendo atingido sem que você se dê conta. Cuidado para não dar de ombros bem agora, já no final da leitura. Este pode ser o sinal de que você não entendeu nada do que eu quis dizer ou que deliberadamente deixou a reflexão para amanhã ou depois de amanhã.

Conrado Navarro
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