Aposentadoria: hora de pendurar as chuteiras?É um velho e conhecido chavão dizer que, quando alguém está se aposentando, essa pessoa estará “pendurando as chuteiras”. Certamente essa expressão tem origem no futebol[bb], quando se percebe que um jogador já não está mais com o vigor físico suficiente para agüentar toda a carga de trabalho exigida por rotinas de treinamentos, concentração e jogos. Mas será que essa expressão é realmente adequada para todas as pessoas que fazem atividades fora do futebol? Será que a aposentadoria tem a ver, realmente, com inatividade?

Hora de pendurar as chuteiras ou hora de pensar numa segunda carreira?
Certamente não, aposentadoria não é e não pode ser sinônimo de ficar andando pelos quatro cantos da casa atrás de “sujeirinhas”, assistindo à Sessão da Tarde na televisão, de pijamas, jogando dominó na pracinha ou simplesmente caminhando em volta do bairro. E isso por uma razão muito simples: a vida é boa demais para ficarmos gastando nosso tempo com coisas que pouco agregam valor!

Pensando também em termos mais amplos, no sentido de aposentadoria como sinônimo de independência financeira, essa perspectiva ganha dimensões ainda mais importantes, na medida em que: a) as pessoas podem se tornar financeiramente independentes antes da “idade oficial” para aposentadoria; e b) a expectativa de vida aumenta cada vez mais com os avanços da medicina e da tecnologia. Se antes viver até os 90 anos, com boa saúde, parecia uma utopia, hoje essa situação já é uma realidade para muita gente; amanhã será algo muito corriqueiro.

Ou seja, as pessoas terão muito tempo para gastar e estarão: a) com algum dinheiro no bolso – no caso daqueles que se aposentam segundo as regras oficiais do sistema previdenciário; ou b) com muito dinheiro no bolso, no caso daqueles que constroem um plano de independência financeira e conseguem viver independentemente de ajuda estatal. Muito dinheiro no bolso e muito tempo para gastar são condições ideais para pensar numa segunda carreira, ou seja, numa carreira a ser desenvolvida após aquela principal ter cumprido o seu papel.

O mais interessante dessa segunda carreira[bb] é a possibilidade concreta de você fazer aquilo que mais gosta, ou seja, de se concentrar intensamente na prática de seus hobbies ou daquilo que gostaria de fazer durante sua vida, mas que, por razões de trabalho, não conseguiu. A grande vantagem de desenvolver uma segunda carreira é exatamente o fato de que você não trabalhará por dinheiro – afinal, sua tranqüilidade financeira já foi alcançada pela aposentadoria.

É bem verdade que muitas pessoas se aposentam e continuam a trabalhar não por opção, mas por obrigação, tendo em vista o baixo valor dos proventos recebidos pelo sistema previdenciário. Porém, isso não descaracteriza a importância de trabalhar numa segunda carreira, uma vez que você terá pelo menos um montante fixo mensal para se sustentar. Ademais, esse é mais um motivo para você trabalhar, durante sua vida produtiva, pela sua independência financeira – uma vez que é extremamente arriscado deixar seu futuro nas mãos do Governo, da empresa, ou mesmo da família.

Você tem que ser responsável pelo seu próprio futuro financeiro. Assuma o controle de seu próprio destino. Por questão de lógica, quem não é independente financeiramente é dependente financeiramente, dependente de alguém ou de alguma instituição. Eliminar ou reduzir a dependência é vital para você ter uma vida pós-aposentadoria mais tranquila e lhe permitirá ampliar seu leque de escolhas no futuro.

Dicas para desenvolver uma segunda carreira
E você deve estar se pensando: “Tá, eu gostei da idéia de ter uma atividade proveitosa na aposentadoria, mas como fazê-la funcionar na prática?” Para isso, aqui estão algumas dicas:

  • Identifique suas paixões. O que você gosta de fazer em suas horas livres? Quais são seus hobbies? Que tipo de tarefa você faria por satisfação, em vez de fazê-la em troca de dinheiro? Fazer um autoexame é fundamental para definir os rumos que podem ser tomados na aposentadoria[bb];
  • Planeje desde já. Embora você ainda tenha alguns anos até se aposentar, é essencial que você não deixe inteiramente para depois os rumos que irá seguir na nova carreira. Pelo contrário, você já deve ir se programando desde agora, pensando em meios de construir essa nova atividade quando “o momento chegar”. Isso evitará correria e decisões mal executadas;
  • Invista na saúde. De nada adianta você ter um plano bem montado para a sua carreira pós-aposentadoria se sua saúde estiver deteriorada, porque isso lhe impedirá de explorar todas as possibilidades que a nova carreira apresentará. Por isso, lembre-se: cuidar da saúde é financeiramente importante;
  • Aproveite a vida! Lembre-se: a nova carreira deve ser uma opção e não uma obrigação. E, ainda que você se entusiasme com as novas oportunidades, não se estresse tanto quanto como se estivesse no seu emprego atual. Relaxe e aproveite a vida caso a carreira pós-aposentadoria não vá para frente. Pelo menos você tentou. Trate de fazer outras coisas em que sua experiência acumulada de vida possa ser útil na vida de outras pessoas. Tempo você tem; dinheiro você também tem. Portanto, procure fazer coisas que lhe proporcionem prazer e satisfação!

A revista Época Negócios, da Editora Globo, traz na edição de janeiro um especial sobre a transição do emprego principal para o momento pós-carreira, com aposentadoria e trabalho em um “segundo tempo” que pode chegar a 20 anos. Vale a pena dar uma lida.

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Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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