Um tema sempre espinhoso quando se trata de educação financeira é o futuro, mais precisamente a aposentadoria. Ninguém gosta de falar sobre isso, de pensar nisso e muito menos de se preparar para isso. Mas isso é o seu, o meu, o nosso futuro e sobre ele só há uma certeza: ele chega!

Muita gente não tem a exata noção da importância do assunto ou simplesmente prefere empurrar decisões importantes para quando não houver mais muito que fazer. Neste caso, a solução mais fácil (empurrar) é também a mais trágica.

Eu estou convencido de que as pessoas que não enfrentarem o quanto antes o desafio de tomar para si as decisões e ações para construção da própria aposentadoria correm um sério risco de chegar ver a idade avançar com grandes e desagradáveis surpresas. Depender só do governo é um erro que pode custar muito caro.

Com uma simples análise, parece claro que na “melhor idade” surgem e passam a fazer parte da realidade das pessoas gastos que antes não pesavam tanto no orçamento. Nesse sentido, as despesas com saúde parecem ser as que mais merecem a atenção das pessoas.

A saúde no Brasil é cara não só pela má qualidade dos serviços públicos, mas pelo alto valor cobrado atualmente por simples exames. Ora, é de se esperar que no futuro, com o desenvolvimento de novas tecnologias, que tudo fique ainda mais caro. Nem vou mencionar a chance da saúde pública melhorar a ponto de não precisarmos pagar planos de saúde.

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Aposentadoria? Você vai fracassar se contar apenas com o governo

Em poucas linhas já chegamos a dois pontos importantes em relação ao futuro:

  • Os valores pagos pela Previdência Oficial para os aposentados e pensionistas do setor privado não vão garantir a qualidade de vida das pessoas;
  • O serviço de saúde pública não vai garantir a você um bom atendimento quando você precisar.

É claro que toda essa minha projeção para o futuro pode se mostrar incompleta e equivocada (tomara que isso aconteça!), mas hoje existe uma série de gargalos que me impedem de pensar o contrário.

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Contar com a saúde de qualidade no futuro ainda é um sonho

Falando da saúde, especificamente, como virou praxe, existe uma série de reivindicações por mais verba para a área – e é verdade que existe essa necessidade por mais dinheiro a ser investido e melhor gerido.

Mas também enxergo um péssimo atendimento no serviço por culpa dos servidores (em todas as áreas), que tratam o serviço público como um verdadeiro cabide de empregos. Que fique claro que não estou generalizando, mas infelizmente existem muitos servidores apoiados na estabilidade e pouco comprometidos com o cidadão.

Enquanto a realidade pública (não só da saúde, você tem razão!) favorecer o emprego sem risco e não o trabalho real com suas oportunidades e riscos, ou seja, com metas mais rigorosas e cobranças justas sem o escudo da estabilidade, pouca coisa irá mudar no Brasil.

De novo, volto a frisar: reconheço o esforço de muitos servidores públicos que, mesmo com grandes dificuldades, fazem muito mais do que o esperado e “carregam nas costas” o desafio de não ver o Brasil parar. Para mim, esses são alguns dos verdadeiros heróis que efetivamente “empurram” o Brasil.

Acho que esse assunto merece um artigo separado, vamos voltar em breve ao tema, afinal o Brasil nos últimos anos vem gastando bastante dinheiro, e muito mal.

De volta ao que interessa: sua aposentadoria

Em relação ao futuro, e voltando ao assunto aposentadoria, é latente a necessidade de assumirmos o dever de criar patrimônio capaz de garantir a mesma qualidade de vida que possuímos hoje e ao longo da vida, sempre lembrando que os gastos mais adiante serão consideravelmente maiores (lembre-se da saúde).

Algum tempo atrás, aqui mesmo no Dinheirama, ao escrever sobre padrão de vida e aposentadoria, fiz questão de pontuar como a qualidade de vida é um item que faz enorme diferença, afinal do que adianta viver mais se a vida não será prazerosa e feliz? Veja abaixo a leitura sugerida onde falo sobre isso.

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Como montar o plano de investimentos para o futuro?

A questão que costuma complicar o planejamento para o futuro diz respeito à escolha dos investimentos no momento presente. As perguntas abaixo são muito comuns nestes momentos:

  • Com quanto devo começar a investir?
  • Em que produtos financeiros devo alocar meu dinheiro?
  • Qual a proporção ideal de risco de acordo com meu perfil de investimentos?
  • Quanto devo colocar neste ou naquele produto financeiro para chegar ao montante que desejo?
  • Como simular o retorno financeiro dos meus investimentos para o futuro?

São inúmeras perguntas e talvez hoje, ao ler o artigo, você não tenha todas as respostas. Ok, o fundamental agora é a provocação para que você perceba que o único caminho para garantir um futuro melhor é arregaçar as mangas e não contar apenas com a aposentadoria do governo.

Existem diversas opções para quem decidir sair da zona de conforto e não passar sufoco contando apenas com o benefício do governo. Algumas pessoas preferem a facilidade das previdências privadas, outros optam por começar com a caderneta de poupança antes de partir para outros produtos mais sofisticados. Nesse ponto, com o tempo e a experiência é possível encontrar não apenas um, mas diversos caminhos.

O ideal é ter uma estratégia que possa ser estudada e modificada ao longo do tempo, aproveitando algumas boas oportunidades em cada período. Comece considerando nossa realidade atual: com juros elevados, o Tesouro Direto se tornou uma das boas alternativas para quem enxerga além e pode construir hoje o futuro. Imagine que ao comprar uma NTN-B você consegue 5,8% mais IPCA ao ano até 2024 ou 2035.

Também conheço algumas pessoas que mantém uma carteira de ações pensando justamente na aposentadoria, focada especialmente em empresas que pagam bons dividendos e cujos serviços possuem uma demanda previsível e estável.

Há também quem prefira contar com o apoio de especialistas e investir em fundos de diversos tipos (renda fixa, multimercado e de ações), escolhendo produtos de perfis e prazos diferentes, variando também os aportes mensais em cada um deles.

São escolhas inteligentes e exemplos que podem ser refinados e que formarão uma estratégia para o futuro. E o texto de hoje é justamente para alertá-lo para a importância de ter uma estratégia para o que vem pela frente.

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Fator tempo, um grande diferencial

Não tenho dúvidas em eleger o tempo como o fator determinante para amealhar um patrimônio capaz de oferecer tranquilidade e qualidade de vida no futuro. Quanto maior o tempo pela frente, mais riscos podemos correr – é justamente nos momentos de risco que surgem as melhores e mais rentáveis oportunidades, desde que tudo seja calculado e planejado.

Além disso, com mais tempo disponível a construção de um razoável patrimônio pode ser feita a partir de aportes menores todo mês. A famosa “mágica” dos juros compostos entra em ação e com investimentos regulares, disciplina e longo prazo o resultado costuma ser muito interessante.

Costumo sempre dizer que a primeira decisão equivocada das pessoas é o discurso de que irão esperar o próximo mês ou o momento certo para investir. Se você costuma dizer isso, cuidado!

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Conclusão

Se você é jovem e tem um horizonte de pelo menos 10 a 20 anos de trabalho pela frente, faça uma reflexão sobre seus planos para o futuro. Pense que aposentadoria também não é sinônimo de pendurar as chuteiras e ficar em casa vendo TV o dia inteiro. Não, aposentadoria é uma escolha, é fazer o que gosta, mas para isso é preciso ter recursos.

A hora de construir o patrimônio capaz de oferecer essa tranquilidade é agora, no presente. Ou entendemos isso de uma vez por todas ou toda essa história de futuro, aposentadoria, gastos na terceira idade e etc. parecerá sempre chata e repetitiva nos sites e livros de educação financeira.

O assunto é sério e depende de atitude, investimento e disciplina hoje, agora. Enfim, espero que apesar de chato, eu também tenha sido convincente. Obrigado e até a próxima!

Foto “Empty piggy bank”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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