As mulheres e o mercado de trabalhoHoje não vou falar sobre o nosso tema central, as finanças pessoais, mas sim sobre a principal forma – pelo menos da grande maioria – de atingir a independência financeira[bb]: o trabalho. A revista Época desta semana (ed. 536 – 25/08/2008) divulgou o resultado da famosa pesquisa “As 100 melhores empresas para trabalhar 2008-2009”, realizada anualmente pelo Great Place to Work Institute (GPTW).

Para quem não conhece, a pesquisa consiste em um questionário composto de 57 perguntas que resume os melhores métodos de gestão de pessoas. Para participar da pesquisa, as empresas devem ter mais de 100 funcionários e ao menos 3 anos de vida.

A metodologia da pesquisa é a seguinte: primeiramente os funcionários quantificam sua satisfação quanto à gestão de seus chefes, políticas da empresa e relação com os colegas de equipe. Posteriormente, os consultores da GPTW estudam as políticas de recursos humanos de cada empresa. A nota é o resultado de ambas as avaliações.

Se você está interessado em conhecer a lista dos campeões e as particularidades da pesquisa, acesse a página da pesquisa na internet (clique aqui). Como não podia deixar de ser, me interessei em saber o que as melhores empresas têm de diferencial para as mulheres. A conclusão é bastante animadora! Para começar, desde 2002 já somos a metade do quadro funcional das empresas.

E, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego realizada pelo IBGE, nós somos a maioria da população em idade ativa (com 10 anos ou mais): 53,7%. Por este motivo, ações foram tomadas para garantir melhores condições de trabalho e chances iguais às dos homens. Dada esta conjuntura, para ser uma das melhores empresas para se trabalhar, as empresas participantes deveriam ter o mesmo percentual de chefes homens e mulheres – o que demonstra que não existem empecilhos para promoções.

O Laboratório Sabin, empresa campeã, oferece auxílio-enxoval e bônus mensal até os filhos completarem 1 ano. Além disso, construiu um programa de desenvolvimento de liderança feminina, onde as mulheres que se destacam na avaliação de performance anual participam ativamente, contribuindo para a formação contínua de mulheres em cargos de grande responsabilidade.

Ações como essas são bastante valiosas, pois permitem aliar as necessidades femininas ao crescimento da empresa. São importantes porque não intimidam as mulheres a abdicarem de seus sonhos – como filhos, por exemplo –, ao mesmo tempo em que absorvem características comuns a elas, como espírito de equipe, coragem e determinação.

Há muito que se fazer, já que é perfeitamente visível que, no patamar “chefia”, estamos bastante competitivas, porém somos a minoria nos cargos de liderança[bb]. Veja bem, a intenção aqui não protestar e/ou criticar a situação atual, e sim alertar as mais interessadas: nós mesmas. A verdade é que estudamos mais, porém ainda ganhamos menos.

Entretanto, não adianta somente as empresas fazerem sua parte. Sim, falta bastante coisa, mas se não houver um acompanhamento – um feedback das funcionárias para o RH das empresas, por exemplo – novidades não serão lançadas. Precisamos participar mais das atividades disponíveis.

Ora, vale a pena sair alguns minutos da sua mesa de trabalho para assistir uma palestra ou fazer um curso extra-curricular. Além do benefício do aprendizado – seja ele qual for –, conhecemos pessoas novas (os famosos “contatos” e o networking, essenciais) e podemos trocar experiências. O importante é “vestir a camisa” da empresa: se ela não crescer, dificilmente seu salário vai subir.

E a sua independência financeira[bb]? Vai acontecer quando, se você não mudar a sua atitude?

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto para stock.xchng.

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