Inteligência financeira na hora de alugar seu imóvel!Cristina comenta: “Navarro, Já que o Dinheirama já tem enorme papel social, deixe-me aproveitar para levantar uma dúvida. Até onde vai esse dolar? O fortalecimento do real tem fundamento prático? Me parece que a queda de braço entre o Banco Central e o mercado tem sido mais favorável a este último player. Será que estou teimando muito em enxergar que o Brasil atrai mesmo os olhos internacionais com tamanho apetite? Obrigada”.

Cristina, seja bem vinda ao Dinheirama. A questão do dólar é muito interessante e merece ser amplamente discutida. É comum ver o investidor bradar a cotação da moeda sem se aprofundar nas verdadeiras razões para os valores praticados no mercado[bb]. Ouso dizer que o Brasil e o Real vão muito bem e que ainda há espaço para forte valorização de nossa moeda. Se veremos o dólar a R$ 1,50, R$ 1,40 ou menos, isso só o tempo dirá. Enquanto as coisas acontecem, prefiro me ater ao que conheço da área. Vejamos.

Analistas míopes
2007 vem sendo um ano muito interessante. Diante da crise de credibilidade das agências de rating, que falharam na avaliação dos produtos atrelados ao crédito imobiliário nos EUA, muitos analistas e profissionais de mercado passaram a trabalhar melhor suas decisões e a falar menos. No entanto, ainda é comum notarmos previsões equivocadas principalmente com relação ao fortalecimento do real e sua relação ante o dólar. Como exemplo, não me lembro de ninguém dizendo, há seis meses ou um ano atrás, que o dólar seria cotado a menos de R$ 1,80 no final de 2007.

Como explicar a forte valorização do real?
De forma mais que objetiva, explico: há uma enorme oferta de dólares no país. Como a demanda é muito menor que a oferta, o real se fortalece e sua cotação frente ao dólar diminui. Acredite, esta também seria a explicação de um guru econômico em qualquer lugar do planeta. Para não ficar só na matemática dos gurus, que tal discutir um pouco os aspectos que, verdadeiramente, enfraquecem o dólar?

Balança comercial favorável e investimentos vindos do exterior. Os dados das exportações e importações são cada vez mais expressivos e o aporte de capital estrangeiro em nosso mercado é facilmente percebido através da Bolsa de Valores. As importações ganharam força com a valorização do real e já atingiram, ainda em outubro, o valor total importado em todo o ano de 2006. As exportações caminham em ritmo mais lento, por razões óbvias, mas ao final de novembro já terão batido o montante total do ano passado.

Classificação positiva de risco, com o recebimento do investment grade. O tema está sendo amplamente discutido na mídia e fica claro que, sendo positivamente reconhecido como “bom pagador”, o Brasil se beneficiará de um fluxo ainda maior de dólares e investimentos estrangeiros lastrados nesta moeda. A oferta tende a aumentar. Note o enorme número de aberturas de capital na Bovespa[bb] e lembre-se de que a grande maioria das ações foi parar nas mãos dos “gringos”.

Taxa de juros ainda elevada. Os 11,25% da Selic representam um prato cheio para os estrangeiros, ainda mais levando em consideração o risco-país, em constante queda. Fernão Bracher, ex-presidente do Banco Central e do Banco Itaú BBA, completa:

“No exterior, conforme a moeda que se tome, os juros estão entre 1% e 5%. Portanto, o lucro esperado é de 6% a 10%, mais a valorização do real. Trata-se para o investidor de uma operação de risco, pois pode ter contra si a desvalorização de nossa moeda. Vemos, no entanto, que ela não parece provável”

Quais os efeitos colaterais?
No outro lado da balança está o Banco Central, que em constantes intervenções e compras de dólar, tenta elevar seu valor diante de nossa moeda. Vemos, no entanto, que o poder desta atuação não demonstra ser muito eficaz e a oferta de dólares continua surgindo em ritmo acelerado. Confesso estar preocupado com o ritmo das importações. O risco é termos produtos brasileiros sendo comercializados a preços muito baixos, não suficientes para custear sua operação/produção, a fim de concorrer com a enxurada que vem de fora.

Periga notarmos o impacto no corte de custos, de empregos ou mesmo na falta de capacidade empreendedora[bb], que acarretaria em fechamento de pequenas e médias empresas nacionais, incapazes de concorrer em preço com os importados. Além disso, os produtos produzidos aqui e que se aventurem no exterior podem encontrar problemas comerciais e de preço, estando mais caros do que o ideal.

Com menos exportação, ficamos mais dependentes do exterior. As empresas nacionais, como você já deve imaginar, não gostam nada dessa idéia. Não se pode prever o futuro do dólar, mas a valorização do real parece ser irremediável e duradoura. Afinal de contas, até o Warren Buffett acredita no poder de nossa moeda. Qual a sua opinião? Vamos levar o tema adiante? Se preferir, discuta o dólar em nosso fórum.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro
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