É verdade que muita gente chega ao final do mês com as contas no vermelho, e nós sabemos bem disso. Infelizmente também é verdade que outros tantos já estão no vermelho desde o começo do mês, ou até pior, mesmo com o salário chegando na conta corrente a conta insiste em permanecer no vermelho.

Se você passa por esse tipo de situação ou conhece alguém com esse tipo de problema sabe o quanto é complicado seguir em frente. Pessoas que estão com esse cenário vivem uma vida repleta de situações que influenciam o humor, a saúde e, de quebra, o convívio familiar.

3 atitudes para não terminar o mês sem dinheiro

Para mudar a situação, não existe mágica. Por incrível que pareça, mais dinheiro não resolverá tudo de forma definitiva. A educação financeira eficaz requer mudança de comportamento e a adoção de hábitos e atitudes diferentes das adotadas pela maioria.

No texto de hoje, trago algumas sugestões de atitudes importantes para transformar seu mês e seu dinheiro em aliados na busca por felicidade e qualidade de vida. Acompanhe.

1. Não eleve o padrão de vida só porque passou a ganhar mais

Enxergo que a maioria das pessoas com problemas financeiros tende a não ter algo importante: a percepção de que os desafios surgiram a partir de péssimas escolhas (e não por culpa do sistema). Ou seja, é comum colocar-se como vítima da situação, quando a verdade é bem diferente.

Outro ponto falho é que muita gente acaba extrapolando as despesas em momentos importantes da vida, como por exemplo quando surge uma promoção no trabalho e as receitas aumentam.

A sensação de “poder mais” faz com que os desejos de consumo represados e latentes aflorem e a velha ideia de comprar por merecimento e parcelar tudo sejam cada vez mais praticadas. A elevação nos gastos com o padrão de vida (a imagem que se deseja transmitir) e muitas parcelas que “cabem no bolso” podem explodir o orçamento.

Para mudar essa situação, o mais adequado é respirar fundo e fazer uma análise fria e franca sobre o atual momento familiar, sem nunca tomar nenhuma atitude sem pesar os prós e contras. Se você vai ganhar mais, ótimo, mas isso não significa que você precise gastar mais.

Se agora haverá mais dinheiro disponível, veja quais são as dívidas atuais, encontre as que comprometem mais a sua saúde financeira (normalmente as que têm maiores juros, como cheque especial e cartão de crédito) e busque alternativas inteligentes para eliminá-las.

Sim, você poderá usar parte da renda mais alta para seus desejos, mas para isso será preciso trabalhar no sentido de equilibrar as receitas e despesas de forma inteligente, ou seja, sempre priorizando a necessidade de criar um fundo de emergências, os investimentos futuros e a qualidade de vida.

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2. Enxugue as despesas

As contas não param de chegar, e isso gera uma ansiedade tremenda, não é mesmo? Se você conseguiu eliminar as dívidas com o cartão e cheque especial, é hora de olhar com mais cuidado o orçamento de casa e eliminar aquilo que não é necessário.

Acredite, sempre existem “pontas perdidas” dentro do orçamento. Quase sempre é possível eliminar despesas de todos os tipos. Olhe para sua rotina e questione-se. Por exemplo:

  • Será que um pacote de assinatura de TV com mais de uma centena de canais é realmente indispensável? Você assiste mesmo tanta televisão? Um pacote mais simples significaria menos gastos e mais folego para você superar as dificuldades;
  • O que dizer da economia no uso da energia elétrica? As tarifas vão subir em 2015 (falam em até 30%), então é hora de conscientizar a família para a importância do uso consciente deste recurso. O mesmo vale para a água;
  • Despesas variáveis merecem atenção especial: é importante registrar e sempre comparar os meses para evitar aumentos nos gastos com categorias como lazer, viagens, alimentação e compras em geral.

Existem outras oportunidades de economizar e em alguns casos será necessário gritar, espernear e fazer valer o direito do consumidor de fazer uma boa negociação. Com boa vontade e paciência é possível conseguir muito mais pagando menos. Não hesite em telefonar para as empresas e pechinchar, bem como olhar para alternativas (concorrentes).

Leitura sugerida: Seu dinheiro: aprenda a cortar os custos

3. Viva o seu padrão de vida, não o de seus amigos

A terceira atitude é muito interessante porque mexe com algo que é difícil de lidar: a nossa necessidade de mostrar aos outros que não somos inferiores. Ah, o status…

Recentemente, encontrei um colega de universidade que financiou um carro de alto luxo simplesmente porque havia sido promovido a gerente. “Todos os gerentes da empresa já tinham um carro de alto padrão” foi a explicação que ouvi dele. Ah, o status…

A necessidade de demonstrar o sucesso aos outros é peculiar e objeto de estudo de muitos especialistas em comportamento. A necessidade de pertencer ao grupo expondo materialmente o sucesso é um grande problema para o orçamento, como você já deve saber.

O carro novo de alto luxo logo se tornará a “ponte” para outras necessidades que irão surgir e comprometer cada vez mais as finanças. Meu amigo, mesmo se comprometendo em pagar o financiamento do carro, já fala abertamente em financiar uma casa em um condomínio fechado, onde alguns gerentes também passam os finais de semana. Ah, o status…

Tentei argumentar com meu colega, mas ele não se mostrou aberto à importância de rever suas prioridades. Infelizmente, ele terá que aprender com os erros e perceber que viver a realidade financeira dos outros é uma péssima decisão.

Insisto: olhe com cuidado para o seu planejamento e defina muito bem o que pretende para o futuro. Para o seu futuro! Endividamento longo e caro para suprir as necessidades de status é uma péssima escolha. Cuidado!

Leitura Sugerida: A complexa e delicada questão do padrão de vida

Conclusão

Em alguns momentos da vida é importante respirar fundo antes de tomar uma decisão. Mergulhar de cabeça nos problemas e tentar resolvê-los sem entender de fato o que está acontecendo mais atrapalha do que ajuda. São muitos os exemplos de pessoas que começaram animados seguindo um plano e, no meio do caminho, perceberam que o problema se agravou.

Aceite a existência do problema, mas lembre-se de definir com critério suas necessidades. Só então comece a trabalhar, sempre de forma organizada, levando em consideração suas características especificas, sem temer cortar tudo que não for indispensável naquele momento. Sucesso e até a próxima!

Foto “Orçamento mensal”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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