Engana-se quem pensa que para se dar bem nas finanças basta conhecer muito bem as oportunidades do mercado. O conhecimento mais necessário para todos nós – nas finanças e na vida – não vem de fora, mas de dentro.

Afinal de contas, como explicar o fato de você não conseguir poupar por mais que se esforce? Ou de acreditar firmemente que nunca conseguirá ficar rico “pois riqueza é questão de sorte”? O problema é que poucos se dispõem a se autoconhecer verdadeiramente. Com isso, perdem a oportunidade de enxergar o que precisam arrumar para conseguir melhores resultados.

Nos últimos anos tenho passado por muitas experiências voltadas ao autoconhecimento. É assim que consigo entender o que há de positivo em mim ou o que precisa ser melhorado. É assim que consigo perceber o porquê de estar tentando jogar minhas frustrações em uma compra, por exemplo, ou de me autossabotar na realização de um desejo. E você, o quanto verdadeiramente conhece o porquê das atitudes que toma?

Quando dizemos que equilíbrio financeiro tem mais a ver com os nossos comportamentos com relação ao dinheiro do que com a quantidade de dinheiro em si, acredite, é muito sério. Quantos são os que conseguem realizar sonhos grandes ganhando menos do que a maioria, enquanto outros desperdiçam riquezas porque não conseguem ter equilíbrio nos gastos?

Qual é o seu problema com relação ao dinheiro? Você acha que não consegue enriquecer porque ganha muito pouco ou porque não consegue se livrar de comportamentos tóxicos relacionados ao seu uso? Para ajudar, separei algumas situações que podem significar comportamentos de autossabotagem financeira. Vamos pensar um pouco a respeito delas?

Não consegue poupar

Quem é equilibrado financeiramente não tem problemas para poupar dinheiro, e não precisa ser uma grande quantia, o principal é cultivar o hábito da poupança, entende? Não dá para realizar sonhos nem se planejar se você não consegue guardar nem ao menos um percentual da receita mensal. Agora tente pensar o porquê de não estar conseguindo. Será que você está levando a sério a realização de seus sonhos? Será que acredita que realmente merece  guardar um dinheiro para si? Será que não consegue poupar porque não tem paciência para aguardar pela realização de um desejo de longo prazo e prefere gastar com pequenas coisas ao longo do mês para ter prazeres momentâneos? O fato é que se isso está acontecendo, acredite, você precisa entender que tem uma questão importante a resolver. Faça um exercício para mudar a atitude e comece a separar uma quantia assim que o dinheiro entrar na conta. Pague-se primeiro e sinta como se estivesse presenteando a si mesmo sem pensar duas vezes, combinado?

Gasta sempre que está chateado

Por que você tenta compensar as chateações com compras? Muita gente faz isso, e as compras por impulso costumam ser grandes vilãs na vida financeira. A gente sabe que quando está triste, uma boa ida ao shopping pode fazer milagres, afinal “você merece”, não é mesmo? O problema deste tipo de coisa é que a alegria costuma ser momentânea, talvez dure algumas horas, mas o rombo na carteira.. esse demora a passar. E aí aquela quantia que você ia investir ou poupar para uma causa mais nobre acaba sendo gasta à toa. Que tal tentar entender o porquê de estar fazendo este tipo de coisa, especialmente se for algo frequente? E da próxima vez que tiver vontade de descontar alguma frustração em compras, deixe o cartão em casa e vá dar uma boa caminhada!

Acredita que não é certo ter mais que o necessário

O que seus pais diziam sobre dinheiro quando você era criança? Será que – mesmo sem saber – você não tende a crer que não pode ter mais dinheiro do que o necessário porque estaria sendo egoísta? Esnobe? Uma pessoa ruim? Crenças erradas sobre a riqueza são um baita tiro no pé quando se fala em finanças, por isso é importante que você avalie se ainda não tem na cabeça alguns pensamentos como “Todo rico é ruim”. Faça um exercício contrário: imagine quantas coisas boas você poderia realizar para si mesmo e para os outros se tivesse bastante dinheiro! E agora trate de caminhar rumo a isso, ok?

Não sabe com o quê gasta

Ser desorganizado demais com as finanças também é um sintoma importante de autossabotagem, afinal, é mais fácil jogar a culpa na desorganização (“Não sei nem mesmo quanto eu tenho na conta, como vou conseguir investir!”) do que arrumar um tempo para cuidar com carinho de seu dinheiro. Pode ser que você pense que cuidar das finanças dá trabalho demais, ou pode ser que ache que ao começar a cuidar melhor do seu dinheiro terá que se conter nos gastos ou se privar de coisas de que não gostaria. E conhecer as dívidas, então? Para quê começar a dormir com este peso na consciência se hoje você mal sabe o que lhe cobram em juros na conta bancária, não é mesmo? Está na hora de mudar de atitude! Não tenha medo de organizar a bagunça financeira por mais complicada que ela seja. Sabemos que quando alguém está muito enrolado, é normal ter receio de sair da situação e dar de cara com um monstro maior ainda. Mas acredite, será um susto momentâneo. Depois passa e você ficará livre!

Sente-se culpado ao ter mais que os outros

Finalmente, gostaria de colocar aqui a questão da “culpa”. Você já parou para pensar se em algum momento sente culpa por ganhar mais do que um irmão, por ter oportunidade de viajar sempre e seus amigos não, por estar gastando com coisas que não são necessárias à primeira vista enquanto conhecidos parecem passar certa dificuldade? Muitas vezes não nos autoconhecemos o suficiente para saber que este sentimento existe e pode prejudicar a nossa ascensão financeira, como se ganhar dinheiro fosse algo errado. Opa, espera lá, pensar assim é que é errado! Lembre-se que a única coisa que você controla é a sua vida e as suas escolhas, portanto, foque no que você pode fazer para melhorá-las. Torne-se um exemplo de prosperidade para os outros, ajude no que puder, auxilie a educar financeiramente, mas não sabote as suas oportunidades de riqueza por um sentimento que não faz sentido, combinado? E cada vez que alguma ação que vier a tomar se parecer com uma autossabotagem do tipo, pare e pense: “Por que estou agindo assim?”. Quanto melhor você conhecer as suas razões internas para determinados comportamentos, mais fácil será agir da forma certa para conquistar o que merece! Mãos à obra!

Janaína Gimael
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