O banco britânico HSBC anunciou que irá se retirar do Brasil e Turquia, vendendo sua operação nos dois países. Após o anúncio, feito em um comunicado enviado à Bolsa de de Valores de Honk Kong, o tema rapidamente ganhou espaço na mídia e levou preocupação para os correntistas do banco, que ficaram preocupados com uma possível quebra da instituição.

A saída do HSBC do Brasil e Turquia não sinaliza que o banco vai quebrar, mas mostra a decisão do banco de ajustar as suas operações – parte das mudanças também culminará no encerramento de 50 mil postos de trabalho nos escritórios em operação no mundo.

Reflexos no Brasil

Presente no Brasil desde 1997, após comprar o Bamerindus, o HSBC é o sexto maior banco do país, com 853 agências, 452 postos de atendimento, 21 mil funcionários e uma carteira de crédito avaliada em R$ 67,5 bilhões, conforme gráfico abaixo:

hsbc

Para tranquilizar os correntistas do Brasil, o HSBC informou que está apenas vendendo sua operação no país, ou seja, ela será mantida, mas coordenada por outra instituição. O banco garante que esta decisão não trará nenhum prejuízo para os clientes, que terão seus serviços mantidos normalmente inclusive depois da venda.

Hoje são três as instituições interessadas na compra das operações do HSBC no Brasil: Bradesco, Santander e Itaú. Algumas fontes garantem que o processo já está adiantado e que o Bradesco fez a maior oferta financeira.

Em 2014, o HSBC reportou prejuízo líquido de R$ 549 milhões no Brasil, resultados que aumentaram ainda mais a pressão pela venda da operação no país. Segundo comentou, o HSBC espera levantar US$ 17 bilhões com a venda das unidades brasileira e turca.

Em 2014, o retorno sobre o patrimônio líquido do HSBC foi negativo em 4,2%, ante número positivo de 15,5% em 2011, número melhor, mas ainda abaixo da média de 20% vista nos maiores rivais.

Escandâlo Swissleaks

A unidade suíça do HSBC se envolveu recentemente em um escândalo. Informações apuradas dão conta de que o banco ajudou clientes do mundo todo (entre eles, diversos brasileiros) a sonegar impostos.

Há poucos dias, o banco fechou acordo com as autoridades de Genebra, concordando em pagar 40 milhões de francos suíços (aproximadamente R$ 134,5 milhões) para encerrar a investigação.

O fato é que 2015 não tem sido um bom ano para o HSBC. Escândalos e péssimos resultados operacionais fizeram o banco rever seus planos e sua estratégia; isso não significa, no entanto, que o banco quebrou (ou vai quebrar). As operações locais devem mudar de dono, mas sem prejuízo para os correntistas. Assim esperamos.

Foto: France – FEB 12: HSBC Bank on February 12 2015 in Paris, France, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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