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BC, juros altos e o spread banc√°rio: quem se importa?

por Conrado Navarro
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BC, juros altos e o spread banc√°rio: quem se importa?N√£o √© novidade. Mas, para voc√™ e muitos brasileiros, pode ser. H√° muito tempo o Banco Central mant√©m uma lista, atualizada semanalmente, das taxas de juros praticadas pelos diversos bancos e institui√ß√Ķes financeiras que funcionam no Brasil. A lista √© dividida em empr√©stimos a pessoas f√≠sicas e jur√≠dicas, mostrando, para cada op√ß√£o, os juros correspondentes praticados pelos bancos em diversas modalidades de cr√©dito diferentes, como cheque especial, capital de giro, cr√©dito pessoal etc.

Mas se isso √© feito h√° anos, qual pode ser a novidade? O BC decidiu facilitar o acesso ao material, colocando um link direto para as taxas em sua p√°gina principal. S√≥ isso. Antes escondida entre algumas op√ß√Ķes de menu (Sistema Financeiro Nacional – Informa√ß√Ķes sobre opera√ß√Ķes banc√°rias), a lista agora pode ser acessada diretamente da p√°gina inicial do BC – www.bcb.gov.br -, atrav√©s da op√ß√£o “Taxas de juros de opera√ß√Ķes de cr√©dito”. Convenhamos, ficou muito mais f√°cil pesquisar os juros praticados por aqui, mas algu√©m acredita que as taxas cair√£o por conta desta pequena atitude?

“Essa mudan√ßa provavelmente n√£o vai ter impacto nenhum. Essas informa√ß√Ķes j√° estavam no site h√° muito tempo, j√° eram conhecidas, e nem assim os juros ca√≠ram. A alta e crescente concentra√ß√£o do setor banc√°rio desestimula a concorr√™ncia e ajuda a explicar os elevados juros nos financiamentos”.
(Maria Elisa Novais, advogada do Idec, em reportagem do jornal Folha de S. Paulo de 06/02/2009)

De tudo, a informação.
Pois √©, a lista n√£o parece ser assustadora o suficiente para “for√ßar” alguma mudan√ßa nos juros praticados pelos bancos. Mas j√° √© √ļtil para saber, como sugere o exemplo publicado pela Folha, que os juros m√©dios cobrados no cr√©dito pessoal pelo Bradesco (5,27% ao m√™s) equivalem a quase o dobro dos 2,80% praticados pelo Banco do Brasil. E, se interessa saber, os menores juros nesta categoria s√£o os da Caixa Econ√īmica Federal (2,60%).

Informa√ß√£o √© sempre √ļtil, mas √© o que fazemos com ela que realmente importa. Transform√°-la em conhecimento significa usar e abusar de conclus√Ķes sobre sua fun√ß√£o e transformar tais reflex√Ķes em a√ß√Ķes e resultados. Na pr√°tica, significa conhecer melhor os juros dos bancos que voc√™ est√° habituado a utilizar e, se necess√°rio, procurar outra institui√ß√£o – al√©m, claro, de aprender a usar melhor seu dinheiro[bb]. A transpar√™ncia apresentada pela lista n√£o vale nada se voc√™ √© dos que reclama dos juros, mas n√£o se d√° o trabalho de procurar lugares onde eles sejam mais baixos.

Quanta conversa fiada…
Bl√° bl√° bl√° os juros est√£o altos, bl√° bl√° bl√° o spread banc√°rio brasileiro √© dos mais altos do mundo. Realidade nua e crua: pagamos muito caro para usar o dinheiro[bb] dos outros, mas n√£o reclamamos e nem sequer nos damos ao trabalho de tentar pagar menos; usamos sem d√≥ o cr√©dito f√°cil e ainda nos declaramos felizes diante de in√ļmeras d√≠vidas e problemas financeiros. Manifesta√ß√Ķes contra os juros partem, quase sempre, de entidades ligadas ao com√©rcio – trata-se tamb√©m de gente um pouco suspeita. O povo, este ainda n√£o vi se reunir para lutar neste sentido. Sim, o mesmo povo que se une para in√ļmeros outros fins, passeatas, projetos, boicotes etc.

Os outros, aqueles que emprestam o dinheiro com um baita sorriso no rosto, enriquecem e apresentam lucros sempre positivos e vigorosos. Compram um, compram outro e n√≥s assistimos boquiabertos suas bel√≠ssimas propagandas e a√ß√Ķes de marketing[bb]. Ser√° que, como popula√ß√£o carente que somos, simplesmente nos hipnotizamos? Tudo funciona com coniv√™ncia do Estado, aquele que criticamos sempre que podemos e pouco elogiamos mesmo quando tudo vai bem. Ora, mas n√£o √© assim que tem que ser? “Para que mais ele serve?”, me questiona sempre um amigo.

A cr√≠tica s√ļtil n√£o tem como alvo Bras√≠lia ou qualquer esfera municipal/estadual de governo. N√£o diretamente. Em outros tempos, pedimos por um sistema financeiro s√≥lido, distante das falcatruas e esquemas il√≠citos. Passado o Proer e alguns sustos com bancos menores, parece que ele finalmente se firmou. Quem diria, o sistema passa quase inc√≥lume pela crise. Ajudado daqui, ajudado de l√°, fundido daqui, injetado de l√°, seu lucro segue positivo e saud√°vel. Pois √©, parece que finalmente temos grandes bancos e um sistema financeiro eficiente e seguro. Satisfeito? N√£o? Uai.

Mas, o que queremos agora?
Ora, queremos juros mais baixos, spread banc√°rio infinitamente menor e maior concorr√™ncia entre as institui√ß√Ķes financeiras; queremos mais bancos, mais op√ß√Ķes e assim maior competitividade no setor para ver surgirem melhores op√ß√Ķes; queremos que o governo fa√ßa alguma coisa, qualquer coisa, para nos ajudar. N√£o √© isso? Ora, assim somos, como tamb√©m √© a economia, um universo de ciclos imperfeitos, mas muito repetitivos. A quest√£o permanece: queremos mesmo isso tudo? Mas, quem quer? O Brasil ou s√≥ eu e alguns “gatos pingados”? Ningu√©m?

Enfim, diante da alta dos juros o BC resolve facilitar o acesso ao levantamento que mostra os juros praticados por nossos banqueiros. Será isso o melhor que ele pode fazer? Tomara que não? Tomara que sim? Quem sabe, quem se importa, se o que mais gostamos de fazer é pegar dinheiro emprestado Рcaro ou barato, não me venha com hipocrisia, isso parece que nunca importou. Se estiver se sentindo provocado, sinto-me um pouco mais feliz. Do contrário, quem se importa?

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Crédito da foto para stock.xchng.

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