Previdência privada e aposentadoria em tempos de criseDiego diz: “Olá Navarro! Estou escrevendo pelo mais puro interesse de esclarecer uma dúvida – não só minha, mas, acredito, de outros também. Tenho um plano de previdência privada há cerca de um ano (tipo VGBL) com renda variável na proporção 60/40. Bom, não preciso do dinheiro que está lá, pois possuo outro valor disponível para emergências. Com as bancarrotas que vem acontecendo com a economia do mundo, fica a dúvida que você ja deve estar imaginando: o que fazer? Afinal, quando apliquei a bolsa estava nos seus 50 mil pontos. Claro, eu penso no longo prazo e, na verdade, não pretendo tirar o dinheiro – pretendo recuperar baseado na idéia de que, daqui um ano, esta crise esteja mais “amena”. Enfim, gostaria de algumas idéias sobre esta situação. Obrigado”!

Poucos são os brasileiros habituados a pensar e planejar o futuro. Mundo afora, não deve ser muito diferente. A verdade traduzida pelo fato de que poucos são os indivíduos que constróem conscientemente seu futuro financeiro[bb] vem acompanhada de uma constatação bastante interessante: os grandes profissionais e empresários, aqui e por ai, são cidadãos preocupados e bastante ativos no ato de planejar. Não são?

Quem, com 30 e poucos anos, já pensa em aposentadoria? Quem, com 20 e poucos anos, já poupa e investe, mensalmente, determinado valor pensando na vida que terá aos 50, 60 ou 70 anos? Quem, em seus primeiros anos de carreira, investem em planos de previdência complementar? Se, como eu, você é das raras exceções desnudadas por estas perguntas, parabéns. Se não é, fica o convite: que tal criar, hoje, as condições para viver a terceira idade na plenitude?

A decisão de investir
Quando finalmente nos damos conta de que o futuro financeiro de nossa família é construido a partir das ações e atitudes tomadas no presente, surge a questão fundamental: onde e como investir de forma planejada para garantir a aposentadoria? Diante desta dúvida, outras questões, seguidas de meus breves comentários, merecem destaque:

Planos de previdência privada são uma boa alternativa?
Sim, sem dúvida. Quando atacamos o fato de que o brasileiro pouco planeja, precisamos ser práticos: isso significa que falta disciplina para que seus sonhos se realizem, já que muitas e muitas vezes o dinheiro poupado para determinado fim é facil e rapidamente desviado. Planos complementares de aposentadoria criam o compromisso de poupar e investir no futuro[bb], já que há um contrato entre as partes e o uso do débito em conta e(ou) boleto para o investimento. Já escrevi sobre ambos os planos mais comuns: VGBL e PGBL.

Existe uma época certa para começar?
A resposta óbvia, e que você vai encontrar em muitos outros textos sobre o tema, é sempre a mesma: quanto mais cedo, melhor. Não se trata de relativizar a questão, mas de aproveitar a variável mais importante do universo dos investimentos, o tempo. Começar cedo significa investir pouco, mas durante muito tempo, o que permitirá uma bela poupança futura. Que tal simular seu plano de aposentadoria e avaliar o impacto do tempo? Experimente usar nosso simulador de aposentadoria.

O plano deve ter parte em renda variável?
Tomando como certa a atitude de começar cedo, sim, é muito interessante participar de um plano cuja estratégia inclua o investimento em ações. Perceba, portanto, que a decisão tem estreita relação com o tempo de contribuição do plano. Quanto maior o prazo, melhores as condições para o investimento em renda variável. A máxima é comum para quem investe diretamente na bolsa de valores[bb], mas também vale para os produtos de previdência com maior exposição ao risco.

A crise chegou, a Bovespa derreteu. E agora?
A palavra aposentadoria só me traz uma lembrança: futuro de longo prazo. Negócios ligados aos planos de previdência também têm essa caracerística. Trata-se de planejamento de longo prazo. Marco Barcos, diretor da Brasilprev, deu uma entrevista ao portal Infomoney, onde afirmou que a renda variável é importante para agregar valor ao poder de poupança destinado ao futuro:

“A pessoa tem que ter coerência. Se o objetivo é no longo prazo, fique no longo prazo. O mundo não vai acabar e pode ter certeza que outras crises podem vir. Para a formação de uma poupança é importante ter em mente que a renda variável é essencial para agregar valor. Tem que entender que para formar a sua poupança é necessário estar exposto à renda variável. Lá na frente, depois da crise, ela vai valorizar”

Com os aspectos abordados hoje, é possível concluir que:

  1. Investir em um plano complementar de aposentadoria deve ser objetivo de todos, especialmente dos mais jovens;
  2. Nunca é tarde para dar vez ao planejamento financeiro;
  3. O tempo é o principal aliado do investidor disciplinado e inteligente;
  4. Planos de previdência complementar já são produtos bastante acessíveis e customizáveis (existem planos, por exemplo, que têm maior exposição ao mercado de ações[bb] em seus primeiros anos de operação, percentual que vai se reduzindo com o passar dos anos);
  5. Optar por planos cuja composição da carteira aceite ativos de renda variável pode fazer muita diferença caso o universo temporal escolhido seja de longuíssimo prazo;
  6. Crises, sejam elas rápidas, duradouras, simples ou complexas, sempre existirão. O planejamento consciente implica transformar este fato em razão de reflexão e atitude;
  7. Reavaliar os planos contratados, suas características e benefícios deve ser uma atitude tomada com freqüência.

Nem sempre é fácil parar e pensar no futuro mais distante, quase que completamente intangível. Afinal, hoje, muitos de nós tem uma vida completamente diferente daquela prestes a nos encontrar, especialmente depois do casamento, do surgimento dos filhos e de eventuais mudanças profissionais. A velocidade das mudanças aumentou bastante, mas a justificativa não é suficiente e nem deve ser usada como simples desculpa.

Gosto de levar em consideração minha própria razão para manter o planejamento em alta: o hábito de pensar e investir no futuro é um dos pilares da vida de sucesso de grandes personagens de nossa história e do mundo dos negócios. Repeti a afirmação porque acredito nela. E você? O que te motiva a pensar e investir no futuro? Nada?

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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