Fusão entre Itaú e Unibanco agita o mercadoComo toda ação tem uma reação, estava demorando para sermos surpreendidos por uma grande notícia no Mercado Financeiro[bb]. Pois bem, ontem a notícia mais comentada do mercado (aqui no Brasil, mais do que as eleições americanas) foi a fusão dos bancos Unibanco e Itaú. Como já confessou Salles, do Unibanco, esta fusão nada mais é do que uma resposta ao Grupo Santander, que adquiriu o ABN em 2007.

Fusão significa a união de duas ou mais empresas, que se “extinguem” e formam uma nova companhia, com mesmos direitos e obrigações, cujo controle administrativo fica sob a responsabilidade da de maior representatividade. As empresas se unem com diversos objetivos, como, por exemplo, aproveitar sinergias, unificar processos tecnológicos adicionando vantagens competitivas e minimizar a concorrência.

Importante esclarecer que a fusão em questão ainda é uma possibilidade. Por lei, haverá ainda uma análise de riscos dos negócios, feita pelo Banco Central e uma avaliação de concorrência elaborada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência). A aprovação da fusão é dada como certa por especialistas e participantes do mercado.

A situação dos bancos
Como todos os bancos privados já divulgaram o balanço do 3º trimestre, abaixo encontra-se a situação atual dos bancos no Brasil (as informações dos bancos públicos são do 2º trimestre):

Situação dos bancos antes da fusão entre Itaú e Unibanco

Com a Itaú Unibanco Holding, a situação muda:

Situação dos bancos depois da fusão entre Itaú e Unibanco

Como qualquer brasileiro, suas dúvidas devem ser: o que muda para nós, cidadãos? O que muda para o investidor[bb] e acionista? O que muda para o país? Vamos conversar um pouquinho mais sobre isso, mas gostaria de conhecer também sua opinião a respeito da fusão. Ao final da leitura, não esqueça de deixar seu comentário.

Para os investidores
É fato que a nova empresa, Itaú Unibanco Holding, virou um monstro –  no bom sentido, é claro. A nova instituição tem capacidade de atuação global e, assim, acompanha o crescimento de nossas empresas, que estão se tornando cada vez mais internacionais. A meta dos acionistas é transformar o gigante em um dos grandes players globais.

Com um poder de mercado maior, a fusão proporcionará (segundo os acionistas):

  • Aumento do suporte a empresas em operações nacionais e internacionais;
  • Crescimento nas operações de crédito;
  • Competição no mercado internacional;
  • Ganho de escala em todos os segmentos.

Ou seja, no médio e longo prazo teremos aumento de rentabilidade das ações. Aliás, a publicação disponível no site de ambos os bancos explica como a divisão das ações será feita. Do outro lado, aqueles que não detém ações da companhia, porém dependem de seus produtos, se beneficiarão do crédito, da solidez da empresa, das contínuas inovações e etc.

Para os consumidores
É, para os consumidores, a situação, especialmente no longo prazo, pode não ser tão boa assim. Certamente, no início das operações como uma nova empresa, produtos e pacotes bastante atrativos serão lançados. Porém, no longo prazo, à medida que tivermos menos competidores no mercado, perderemos grande parte do nosso poder de barganha.

No curto prazo nada deverá mudar – órgãos de defesa do consumidor anunciaram que mudanças nas tarifas não poderão ser realizadas. Nossa legislação garante que os correntistas de ambos os bancos tenham os serviços já contratados mantidos da forma que estão hoje. O Procon nos orienta a guardar cópias dos contratos para eventuais problemas futuros.

Os acionistas informaram que as primeiras alterações serão realizadas nos caixas eletrônicos, que serão integrados. Garantem, também, que não ocorrerão demissões, visto que a intenção é crescer, e não retrair. Assista a teleconferência disponível no site do Unibanco, que esclarece muito do que abordei neste artigo.

O que podemos afirmar (visto que não temos bola de cristal) é que a corrida pela internacionalização dos bancos brasileiros começou. Ontem mesmo, diversos sites já divulgaram que o Banco do Brasil e o Bradesco já se manifestaram. Em breve, novas notícias sobre o mercado bancário. Até mais.

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto: Divulgação.

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