Investidor metódico X investidor inteligenteUm dos conselhos mais comuns para a formação de uma carteira de ações é a aquisição cumulativa de papéis através de um processo disciplinado de compras mensais. Essa estratégia procura criar no investidor[bb] o hábito de poupar determinado valor todo mês (normalmente na data em que recebe seu salário) e dedicá-lo à compra de ações, com objetivo de investimento voltado para o longo prazo. Obviamente, não se trata de um mau conselho, pois cria certa disciplina no investidor e faz com que seu patrimônio cresça em razão do salutar hábito de poupar para investir – um hábito que, infelizmente, a maioria dos brasileiros não tem.

Porém, como tudo o que é bom pode ainda ser melhorado, vamos considerar uma modificação nessa premissa para agregar-lhe certo grau de eficiência – já que eficácia não lhe falta. Olhemos para o gráfico diário das ações VALE5 (logo abaixo), num período de aproximadamente 4 meses, no qual o papel vem apresentando uma configuração gráfica que chamamos “faixa de negociação”. Em configurações gráficas desse tipo, o papel oscila entre topos e fundos que ficam posicionados mais ou menos em regiões fixas de preços, ricocheteando sucessivamente nas linhas de suporte e resistência.

VALE5

Imaginemos um investidor que, ao receber seu salário no dia 10 de cada mês (ou no dia útil subsequente), decida investir R$ 500,00 em ações para a formação de uma carteira de longo prazo. Ele o faria assim que recebesse seu salário pelo preço do dia (tomemos por base, a título de exemplo, o preço de fechamento). Trata-se, para fins de ilustração, do Investidor 1 e temos os preços pagos por ele anotados em verde no gráfico.

Imaginemos, agora, um outro investidor com a mesma premissa, mas que desejasse obter, além do acréscimo mensal de papéis à sua carteira, um crescimento realmente eficiente de patrimônio. Além de reservar parte de seu salário para efetuar as compras, ele observaria também o mercado[bb] para identificar se o momento é o mais apropriado para a compra. Se percebesse que o momento não era exatamente propício e que o papel poderia atingir níveis mais baixos, seguraria sua compra para efetuá-la por um preço melhor. Este é o Investidor 2 e temos os preços pagos por esse investidor anotados em azul no gráfico.

Usando os preços coletados teríamos a seguinte tabela representando as compras que ambos conseguiram realizar com R$ 500,00 em cada mês:

Comparação entre os ativos dos investidores

Parece pouco, mas o segundo investidor conseguiu um incremento de 16% na quantidade total de ações adquiridas em um período de apenas quatro meses. Ou seja, com os mesmos R$ 500,00 poupados mês a mês, o investidor 2 conseguiu comprar e sustentar mais ações em seu poder. Se a estratégia se estendesse por anos, o ganho seria significativo na composição da carteira.

Certamente você deve estar se perguntando: “Mas como ele saberia o dia certo para comprar as ações?” A resposta é: usando uma ferramenta eficiente de análise gráfica[bb]. Um Estocástico com configuração 7/3, por exemplo, teria mostrado pontos de sobrevenda muito próximos a esses dias (como podemos ver no gráfico).

Note que essa é uma ferramenta de curto prazo, muito eficiente para operar em faixas de negociação. No entanto, podemos utilizá-la como parte de uma estratégia de longo prazo para identificar pontos otimizados de compra – mesmo que não sejam os dias exatos desses fundos.

Essa é a diferença entre um investidor apenas metódico e disciplinado e outro que, além disso, utiliza sua inteligência na hora de montar a estratégia de investimento. Não basta ter disciplina, é preciso também agregar o bom uso de ferramentas técnicas para auxiliá-lo na árdua tarefa de garimpar as melhores oportunidades no mercado de ações[bb], especialmente na hora de comprar. E isso vale mesmo quando a intenção é montar uma carteira para o longo prazo.

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Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick”, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações”.

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