Fluxo de caixa, orçamento e controle financeiroÀ medida que os dias avançam, mais e mais boletos, cobranças e carnês surgem em meio às correspondências. Todo mês é a mesma coisa. As contas insistem em chegar, independente de nosso desejo ou planejamento financeiro. Se podemos pagá-las, quem se importa, a data de vencimento está lá impressa e pulsa diante de nossos olhos. O que fazer senão observar o ciclo se repetir todo mês?

Fluxo de caixa. A resposta para lidar melhor com as despesas recorrentes, aquelas que sabemos irão se repetir, passa pela familiarização com o conceito de fluxo de caixa[bb]. É simples: com base em um histórico de receitas e despesas você é capaz de projetar seu orçamento para os meses seguintes, o que lhe confere visibilidade em relação aos recursos disponíveis (limites de gasto, datas interessantes do mês para comprar etc.).

Eu disse histórico, portanto é crucial que você registre seus ganhos/gastos em algum tipo de caderno ou planilha. Por que não um software específico, construído para esse fim? São muitas as alternativas disponíveis hoje. A questão aqui é: com as anotações feitas e as contas recorrentes devidamente registradas, é fácil projetar o futuro e se prevenir do aperto.

Fluxo de caixa na prática
Se você mantém um controle financeiro em planilha – consulte nossas opções de planilha na página de downloads – experimente analisar os valores de receitas e despesas fixas nos últimos meses e passe a preencher, usando um valor médio do passado, os campos correspondentes a essas categorias no espaço dos próximos meses.

Se preferir, depois de preencher o futuro das despesas e receitas fixas, passe mais tempo debatendo o orçamento e detalhe melhor o que vem a seguir. Por exemplo, você já sabe que em dezembro será preciso presentear membros da família, então por que não estabelecer um limite de gastos para os presentes e já lançar isso na sua categoria correspondente? Não interessa que ainda estejamos em outubro, você está se antecipando.

Faça isso com as despesas de final de ano. Se você pretende fazer algumas compras especiais no mês que vem, quanto acha que vai gastar? As Festas de final de ano estão chegando e você provavelmente ansiará viajar. Quanto pretende gastar? As contas de TV[bb] por assinatura, previdência privada e os pagamentos da assinatura da revista virão todo mês? Se você já conhece os valores, basta digitá-los. Lançar o futuro previsto no controle presente lhe dará pistas sobre a viabilidade das vontades e objetivos.

Por que fluxo de caixa? Pode ser que depois de lançar receitas e despesas projetadas para o mês seguinte sua planilha acuse saldo insuficiente no final do mês. Sinal amarelo. Você terá que rever a previsão de gastos ou tentar dar um jeito de aumentar as receitas. Você está sendo pró-ativo, olhando para a frente, tem tempo e pode mudar a situação que se avizinha. Sinal amarelo, não vermelho. Acho que você entendeu.

Organização combina com comodidade
São muitas as famílias que optam por manter certas contas no débito automático. Apenas conferir a fatura e esperar que o valor seja debitado diretamente da conta corrente é um luxo merecido para quem mantém o orçamento familiar atualizado. Sem observar o fluxo de caixa e manter o material sempre atualizado, tal facilidade pode destruir as finanças de uma família.

O mesmo ocorre com o agendamento de pagamentos. Como eu, um bom número de brasileiros gosta de conferir e se sentir responsável pelo pagamento dos boletos e despesas. Ao receber uma conta, a confiro em detalhes e então acesso o internet banking para agendar seu pagamento. Depois de confirmado o agendamento, abro meu controle e verifico a projeção de gasto já lançada para aquela categoria. Atualizo o valor e todo o fluxo de recursos da planilha é automaticamente recalculado. Parece mágica.

Associar um fluxo de caixa planejado ao uso do débito automático ou agendamento de pagamentos garante que os limites do orçamento sejam visíveis, palpáveis. Fica fácil identificar se houve exagero nos gastos ou se há alguma categoria do orçamento[bb] que está destoando do padrão de vida levado pela família. Além do que, isso força sua atenção para sempre atualizar os valores e estar no controle.

O interessante é que qualquer empresa que se preze tem um controle semelhante, faz projeções e sustenta um fluxo de caixa minimamente atualizado. Do contrário, sobreviver seria muito difícil. Por que seria diferente na vida pessoal? Se você não sabe quanto ganha, nem quanto gasta, que tipo de sonho pretende conquistar? Se não se esforça para economizar e investir, por que acredita que merece chegar mais longe de onde se encontra hoje?

Ao contrário do que costuma pregar a maioria que pouco se lixa para o dinheiro, controlá-lo não significa ser “pão duro” ou escravo. O devedor é muito mais escravo do dinheiro do que pensa ser, disfarça no consumo sua forma zumbi de viver. Não, manter em dia seu fluxo de caixa significa conquistar, ai sim, as merecidas metas familiares, além de viver livre dentro do padrão de vida possível. O resto é hipocrisia.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro
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