Pagar à vista ou parcelar? Qual é a melhor opção?Muitas vezes nos deparamos com situações em que precisamos fazer um rápido julgamento para escolher entre uma opção ou outra. No momento de aquisição de um bem de consumo[bb] nos são oferecidas duas formas de pagamentos: comprar à vista ou parcelar. As pessoas acostumadas ao endividamento logo optam pelo parcelamento, utilizando o fraco argumento “essa pequena prestação mensal cabe nas minhas contas”.

Entretanto, as pessoas mais acostumadas a poupar optam pela opção da compra à vista. Quem está certo e quem está errado? Depende.

Exemplo básico
Estamos à procura de um bem que custa R$ 12.000,00 (uma moto, por exemplo). Ao conversarmos com o vendedor, nos são oferecidas duas opções:

  • Comprar à vista com um desconto de 10%;
  • Parcelar a compra em 12x de R$ 1.000,00 “sem juros”.

Com estes dados já podemos avaliar qual é a melhor decisão, financeiramente falando.

Opção 1: À Vista
Valor do bem: R$ 12.000,00
Valor a ser pago: Desconto de 10%, total de R$ 10.800,00

Opção 2: Parcelando
Como o preço que pagaríamos à vista é R$ 10.800,00 e não R$ 12.000,00, precisamos utilizar este valor para o cálculo na opção de parcelamento.
Valor presente do bem: R$ 10.800,00
Períodos (parcelas): 12
Prestação Mensal: R$ 1.000,00
Resultado: os juros da operação são de 1,66% ao mês

E daí? De que serviu tanta conta? Calma. A pergunta que temos de fazer é outra agora: se deixarmos os R$ 10.800,00 (valor à vista) aplicados, conseguiremos uma taxa superior aos 1,66% mensais dos juros cobrados na opção de compra parcelada? Se a resposta for “SIM”, então vale a pena parcelar, afinal você ganhará mais que os juros cobrados (alavancagem). Se a resposta for “NÃO”, é melhor pagar à vista.

Dado que a poupança costuma render entre 0,5% e 0,7% ao mês, pagar de forma parcelada não parece ser uma boa opção. Neste caso, é melhor optar pela compra à vista.

Calculando os juros da operação
O cálculo dos juros da operação não exige nenhuma conta complexa, apenas matemática financeira simples. Abaixo detalhe como a conta pode ser feita usando o Excel ou uma calculadora financeira HP 12C[bb] (ou similar):

No Excel (função RATE). Escolha a célula e então use “=RATE(nper;pmt;pv)” (sem as aspas), onde:

  • nper = período (12)
  • pmt = Prestação (1.000)
  • pv = Present Value (Valor Presente), que deve ser colocado com sinal negativo (-10.800)

Se preferir, faça o download da planilha com todos os cálculos acima (clique aqui).

Na HP 12C

  • f [reg] – Limpa o registro
  • 10800 [CHS] [PV] – Valor Presente com sinal negativo (o CHS troca o sinal)
  • 12 [n] – Número de prestações
  • 1000 [PMT] – Valor de cada parcela
  • [i] – Taxa de juros da operação (resultado final)

Praticando
Imagine que na mesma situação descrita anteriormente o vendedor, ao invés de dar 10% desconto, só ofereça 5% de desconto para o pagamento à vista. Além disso, ao invés de oferecer o pagamento em doze parcelas (de R$ 1.000,00), ele muda para 24 pagamentos (de R$ 500,00). Qual seria melhor opção?

  • Valor presente: R$ 11.400,00 (R$ 12.000,00 com desconto de 5%)
  • Períodos: 24
  • Prestação Mensal: R$ 500
  • Juros da Operação: 0,41% ao mês

Portanto, os juros da operação (0,41% ao mês) são menores do que a rentabilidade mínima da poupança, de 0,50%, fazendo com que a melhor opção seja investir o montante que seria destinado ao pagamento à vista e parcelar a compra. Faz sentido? Isso se chama inteligência financeira.

Conclusão
Como consumidores conscientes, devemos sempre procurar as melhores alternativas para realizar nossas compras, sejam elas à vista ou parceladas. Deste modo, maximizamos nossas escolhas, dando mais liberdade para focarmos em nosso planejamento financeiro[bb].

Foto de freedigitalphotos.net.

Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários