Compra coletiva: um negócio da china?Para o consumidor, um descontão e parcelamento. Do ponto de vista do investidor, uma boa oportunidade de alavancar as vendas e divulgar a marca. Parece que a expressão “negócio da china” se concretizou através do fenômeno mundial das compras coletivas. Será? Depende.

O princípio por trás da compra coletiva não é nenhuma grande novidade. Uma prática muito comum quando era criança, inclusive na minha família, era juntar familiares ou vizinhos para viabilizar compras em centros atacadistas. Isso garantia uma boa economia em relação às despesas do mês com alimentação, produtos de higiene e limpeza.

A compra coletiva pode ser, de fato, o “negócio da china”. Mas é preciso ter cautela, para não acabar transformando esse jeito de comprar em uma fonte de experiências comerciais negativas, que acabariam reduzindo o fenômeno a mais um modismo passageiro.

Como transformar a compra coletiva numa aliada
Para se tirar o melhor proveito das compras coletivas é preciso aprender a lidar com a cabeça e com as emoções. Como as compras coletivas são muito sedutoras e, além disso, viraram mania nacional, elas são um prato cheio para que o consumidor mais desavisado acabe recebendo em casa, pelo sistema delivery, o “pacote surpresa” que acompanha os cupons de desconto: uma fatura de cartão de crédito impagável!

Para dar um exemplo, vamos supor que você entre num restaurante, sem estar com fome, só para dar uma olhada no cardápio. Aí você constata que esse restaurante está oferecendo naquele dia ótimos preços e pratos maravilhosos e ainda aceita cartão de crédito! Diante dessa oportunidade única, o que você faz? Empanturra-se e ainda leva um marmitex para casa.

O exemplo acima pode parecer esdrúxulo. Mas a maioria das pessoas percorre os sites de compras coletivas sem nenhum outro propósito a não ser o de verificar as ofertas do dia. E acaba efetuando a compra levando em consideração apenas o desconto. Muitas delas se concentram tanto nesse item que não conseguem avaliar se o preço final cabe no bolso, se vão ter tempo hábil para usufruir do produto e se a aquisição daquele produto é realmente relevante para o seu estilo de vida.

Um bom uso da compra coletiva deve ter como conseqüência para você, consumidor, um dinheirinho sobrando no final do mês, ou o acesso a um bem ou serviço que seria impraticável se você tivesse que pagar o preço cheio.

Os cuidados que o investidor deve ter
Segundo um estudo conduzido por Utpal Dholakia, da Rice Univesrsity, denominado How Effective Are Groupon Promotions for Businesses? (Quão Eficazes São as Promoções da Groupon para os Negócios?), 66% dos anunciantes entrevistados obtiveram lucro, 32% não obtiveram lucro algum e 42% não voltariam a participar das promoções da Groupon.

Além disso, especialistas afirmam que a participação nessas promoções, na maioria dos casos, funciona mais como um investimento do que como forma de incrementar os lucros.

Portanto, é preciso saber se a compra coletiva é de fato eficaz para o seu negócio. E a melhor forma de fazer isso é evitar tomar decisões baseadas no comportamento de manada. Isto é, não é porque todo mundo está aderindo que o negócio é 100% seguro e interessante. E isso vale tanto para o anunciante, quanto para quem está pensando em montar o seu próprio site de compras coletivas.

Perceber, avaliar e decidir por algo que realmente nos traga benefícios duradouros não é um mecanismo com o qual já nascemos. Recorro às palavras da Dra. Vera Rita de Mello Ferreira e seu livro “Decisões Econômicas: você já parou para pensar?”:

“Por isso, fica fácil nos enganarmos – basta a coisa parecer simpática a nós, que já tendemos a acreditar que é verdadeira.”

É preciso treino, repetição e disciplina para instalarmos esse mecanismo em nosso funcionamento mental. A boa notícia é que uma vez instalado ele estará sempre ligado e à nossa disposição. E se usado no contexto de compra coletiva, pode transformá-la numa grande aliada!

Foto de sxc.hu.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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