anjos-postEste artigo é parte integrante de um livro e de uma palestra com o mesmo tema e título de minha autoria. Há muitas controvérsias sobre o Investimento Anjo, um assunto relativamente novo, muito debatido no ecossistema empreendedor e que causa bastante curiosidade e com significados que podem levar ao engano.

Apesar de amplamente difundido, o perfeito entendimento é difícil para quem está recém-enveredado no assunto. O Investimento Anjo pode ser, de forma simplista, definido como apoio em negócios no seu estágio inicial, mentoria, aconselhamento, fornecimento de infraestrutura, suporte, networking, tempo e dedicação.

Na prática, porém, é muito mais do que isso. É o aval e o ombro amigo que o empreendedor precisa para levar seu sonho adiante e, claro, também o suporte para sistematizar o investimento financeiro a título de “cash-in”, com finalidade de suprir necessidades mensais em troca de um percentual do negócio.

Ser Investidor Anjo é uma atividade complementar ao meu trabalho de Palestrante, Escritor e CEO da Plataforma B2B de Internet Ticketing Show de Ingressos. O início desta atividade se deu por ter empreendido em vários negócios; uns vitoriosos, outros nem tanto.

De repente, me vi carente de apoio em um nível superior. Tanto em relação a ideias, rumos a seguir, atitudes a tomar e conselhos. A minha experiência vem de atuar como Empreendedor Serial “bootstraping”, ou seja, de fazer negócios sem investimentos financeiros de terceiros, com recursos próprios, escassos e limitados ou usando a geração de caixa do próprio negócio.

A partir da sensação de sentir-se órfão, ou como se diz no popular, ter que “se virar nos trinta”, carimbei meu passaporte para a assertividade na escolha dos projetos que merecem ser apoiados.

Histórias de empreendedores que transformaram uma boa ideia (Investimento Anjo) em algo milionário só acontecem nas revistas ou nos contos mirabolantes baseadas no “american dreams”. Trazendo para a realidade, uma boa ideia serve apenas de diferencial para ativar o processo inicial de conquista do Investidor Anjo ideal. As variáveis a partir daí são muitas e precisam estar bem estabelecidas.

Como os Anjos dizem Amém?

Uma resposta rara. E não é uma visão pessimista. Pelo contrário, encaro de forma bem simples a realidade do empreendedorismo: as coisas dão certo e dão errado para TODOS. E não pense que isto é privilegio só seu. Não está fácil para ninguém.

O Amém que tanto esperamos ouvir está no sentido de: “Ótimo, estamos juntos, vamos em frente, eu vou investir no seu projeto, vou bancá-lo e seus problemas acabaram”. Trata-se de empatia, objetivos comuns. O gol. O êxtase. Bingo. Contrato fechado. Vendido. Martelo batido. O Amém é tão importante que transforma estimas, muda vidas!

Partindo para a parte técnica e teórica, muito se fala em “Elevator Pitch”, “Business Model Canvas”, “Lean Startup” e etc. Na verdade, tudo isso é muito importante e necessário. Metodologias são muitos úteis, pois ajudam na preparação, na apresentação na validação, desde que usadas como auxílio e inteligência.

Tudo cabe no papel ou no PowerPoint. No ponto de vista de um investidor, o mais importante é conseguir ter visão ampla e imediata de um todo, de como o projeto será executado, de escala e de monetização. Ou seja, dinheiro de verdade.

As 3 Leis do sucesso do Investimento Anjo

Foi então que de tanto avaliar projetos, estudei e pesquisei, através de fatos reais, o que verdadeiramente leva um Anjo a escolher um determinado projeto em detrimento de outro. Descobri que as observações seguem três regras (ou leis) relativamente simples.

Estou chamando de “As novas Leis de Kepler para Sucesso no Investimento Anjo”, fazendo uma simpática analogia as ao meu nome “Kepler” e claro, uma homenagem as 3 famosas Leis de Kepler, do astrônomo e matemático Johannes Kepler, figura-chave da revolução científica do século XVII.

Primeira nova Lei de Kepler: Lei da atração dos Anjos ideais – “MATCH”

É importante entender que não se encontra “anjos voando e fazendo milagres” por ai no mercado. O sentido de “anjos” como já foi explorado neste artigo é de apoiar e de “Vamos juntos ao Paraíso”. Não basta “oração” para o anjo favorito, é preciso ser consistente, saber encontrar, fazer o que eu chamo de MATCH.

A busca pelo Investidor deve ser focada e de nicho. Se o business do Investidor Anjo é o e-commerce, varejo ou marketing, portanto, envie propostas e projetos nesta área ou segmento de mercado. A procura pelo seu Anjo ideal começa pela pesquisa minuciosa e detalhada.

Antes de qualquer abordagem, estude a biografia do investidor, siga-o nas redes sociais, analise o portfólio de empresas que investiu, descubra amigos em comum que possam recomendá-lo e, enfim, entender SE esse investidor tem o seu perfil e pode realmente te ajudar. Essa percepção depende exclusivamente de você. Assim, não haverá perda de tempo de ambos os lados.

Na hora de enviar sua ideia ou seu projeto, faça antes de qualquer coisa um resumo, uma folha, um sumário executivo e envie isso somente de forma particular para um de cada vez.

Depois, se esse Anjo se interessar em conhecer o resto, encaminhe o projeto. Esse sumário deve ter um propósito e objetivos claros, informando o que é, qual o mercado, que problema resolve, qual a inovação, algumas possibilidades, possíveis retorno, público alvo e competidores.

Não saia por ai feito louco enviando mailing para ventures e inbox de sua “descoberta” de seu negócio para todos que tem a palavra Anjo em sua Biografia, abordando todo mundo nos eventos, dizendo “eu tenho um negócio sensacional”. Na verdade, todos os empreendedores que conheço acham que seu negócio ou ideia é incrível. Ela pode até ser, mas vá com calma.

Outra dica que eu dou é não ficar insistindo por uma resposta a um e-mail ou apresentação enviada. Vale uma lembrança de vez em quando, mas cobrança nunca. Isso é ruim, mostra seu desespero. É fatal!

Um caminho mais rápido e uma grande dica que eu dou quando identificar o MATCH, ou seja, quando achar um Anjo para seu incrível projeto, é chamá-lo para ser seu mentor, ação em que ele deve investir somente tempo, networking e conhecimento em troca de ações.

Na sequência, se a parceria for boa mesmo, tenha certeza que ele pode querer “bancar” alguma coisa, pois vai estar envolvido no negócio.

Tenha em mente que investidores também procuram pelos projetos e pelos empreendedores que optaram por navegar neste oceano, não somente por necessidade, mas por absoluta vocação em incubadores, aceleradoras, eventos, Demo Day, universidades, coworking e grupos em redes sociais.

Segunda nova Lei de Kepler: Lei do “Ponto de Interesse”

O “Ponto de Interesse” é quando o investidor funde seus interesses com os que você tem a oferecer. A cabeça de um Anjo varia de acordo com o perfil de cada um. Projetos inovadores e que resolvam problemas específicos são o passo inicial. Assim como nos relacionamentos, a chave é a emoção, a paixão e a química com o negócio. Quando isto acontece, as coisas começam a se encaixar.

O “Ponto de Interesse” passa também pelo “bom senso”, disponibilidade de tempo, afinidade ao segmento de mercado e à oportunidade. Ninguém coloca dinheiro em um negócio que não seja palpável, que tenha possibilidade efetiva de retorno ou de saída, “pé no chão” e que possa mensurar com alguma segurança e responsabilidade e os possíveis riscos e resultados.

No meu caso, o meu “Ponto de Interesse” passa por gostar de gente que não para nas barreiras, gostar de gente com brilho nos olhos, gostar de gente instigada, gostar de gente com atitude, gostar de gente humilde e simples, gostar de gente que faz, gostar de gente que peca pelo excesso, gostar de gente cuidadosa e caprichosa – percebi que é deste tipo de gente que a maioria dos Investidores Anjos procuram.

É importante você entender que investidores bem-sucedidos investem em pessoas e não somente em negócios. Investir no digital é investimento em capital intangível e, por isso, ter uma boa equipe na startup é fator fundamental para o sucesso da empreitada.

O perfil e o capital intelectual do empreendedor fazem toda a diferença no resultado. Então, se você tem um bom perfil, reforce e aposte nisso para ver se existe sinergia no “Ponto de Interesse” com seu projeto.

Terceira nova Lei de Kepler: “Teoria da Assertividade” – ROI/A

O tradicional Retorno sobre Investimento ganha mais um fator, o da Assertividade, que tem uma simples fórmula aritmética baseado em notas de 0 a 10 para cada item de uma avaliação.

A Fórmula: (R – A); Onde R = Ponto de Interesse + Inovação + Estágio do Projeto + Percentual do Negócio (Quanto maior os pontos, MELHOR) (–) A = Risco do Negócio + Barreiras de Entrada + Dedicação do Anjo + Dinheiro a Investir (Quanto maior os pontos, PIOR). Tenha em mente um máximo máximo de R = 40 pontos e A = 40 pontos.

Se o resultado final do (R – A) for acima de 10% positiva para o A, é confiável entrar no negócio, porém quanto mais próximo de 50%, maiores serão as chances de entrada e participação ativa na operação do negócio.

Para chegar neste ponto, as duas primeiras Leis já foram alcançadas, ou seja, o “Match” e o “Ponto de Interesse”. A partir disso, os Anjos precisam ter as respostas para algumas perguntas básicas para poder calcular o ROI/A, como por exemplo:

  • Qual a Oportunidade? Qual é a o problema que seu negócio irá resolver?
  • Qual é a Solução? Como seu negócio irá atender a este necessidade?
  • Qual é o Mercado? Qual é o perfil dos clientes?
  • Quais Recursos? Quanto precisa de dinheiro, em quanto tempo e para que? Além de dinheiro, o que mais precisará?
  • Qual a Receita estimada? Qual, como, em quanto tempo e de onde vem o ganho e a monetização?
  • Quem são os Players de mercado? Quem são os principais concorrentes diretos e indiretos?
  • Quais as hipóteses testadas? Quais as Barreiras de Entrada?
  • Qual o estágio do Projeto? Inicial, MVP, pronto, faturando?
  • Qual a Inovação? Quais são suas diferenças com relação ao que já existe?
  • Qual o Time? Descreva um pequeno histórico de cada sócio, principais atividades e participações no negócio.

Com essas respostas, os pontos são inseridos na fórmula do ROI/A e cada anjo consegue mensurar a possibilidade real de investimento. É uma união de fatores que se forem devidamente equilibrados podem fazer um projeto ter sucesso e alcançar voos muito maiores e, claro, todos ganharem dinheiro.

Enfim, na palestra e no livro eu explico detalhadamente com exemplos e casos reais como “As novas Leis de Kepler para Sucesso no Investimento Anjo” funcionam.

Para concluir, deixo uma constatação de que nada se compara a emoção e a sensação de investir em negócio que resolva algum problema e que possa ser útil à sociedade.

Se isso vem agregado a essa fórmula ideal apresentada e, claro, com a valorização do capital investido ou com uma remuneração do dinheiro maior do que o retorno nos investimentos tradicionais, melhor ainda. É nesse momento que o Anjo diz: Amém!

Foto de freedigitalphotos.net.

João Kepler
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