Se o título chamou sua atenção e você começou a ler este texto em busca de receitas para enriquecer, atalhos para alcançar ficar milionário sem muito esforço, sinto desapontá-lo: este texto é mais realista, prático, mas depende de você aceitá-la partindo de sacrifício, comprometimento e foco.

Você certamente já viu alguns caras se exibindo em fotos e vídeos repletos de “estilo de vida”, ostentação e “riqueza” no facebook ou mesmo em anúncios Internet afora, não é mesmo? Acontece que o problema não são os tipos que oferecem por ai cursos caros tipo “Alcance o milhão em poucos meses” ou “Fique milionário em poucos passos”.

O problema é você enxergar estas pessoas como modelos de conduta e torná-las seus ídolos no tocante ao padrão de vida. Enquanto você quiser atalhos, histórias persuasivas e um pouco de motivação barata, sempre haverá picaretas e pseudo-especialistas, gente mal intencionada e aproveitadora pronta para “entregar” receitas de sucesso desse tipo.

O Rodrigo Antonangelo escreveu e publicou aqui no Dinheirama um ótimo texto sobre o quanto empreendedores desperdiçam de seu potencial ao acreditar em falsos gurus (clique aqui para ler).

A conta do milhão

Porque, veja, se a questão é juntar R$ 1 milhão, você tem algumas saídas relativamente rápidas para isso. Exemplo: se você ainda está decidindo que carreira seguir, foque nos estudos, tire boas notas, aprenda inglês, entre em um bom curso de engenharia e busque emprego na indústria de Energia ou Petróleo.

Você será capaz de viver bem com metade do salário e, investindo o restante, chegará ao milhão em 10 anos ou menos. Faça as contas. Ah, 10 anos pra mim é rápido, pois é! Uso esse exemplo porque tenho muitos amigos que atuam nesta área com o propósito de fazer um bom “pé de meia” para depois tocarem seus próprios negócios e buscarem mais qualidade de vida no interior.

Mas e aquelas pessoas que abandonaram a faculdade ou mesmo iniciaram suas histórias de sucesso sem estudo algum? Pois é, a questão, espero que você perceba isso, não é a conta do milhão (ela pode ser incrivelmente simples) – analisar as pessoas por esse prisma seria julgá-las por uma ótica pessoal muito simples de riqueza.

E julgar tira o mérito da definição de riqueza: definir, respeitar e viver de acordo com as prioridades. Para muitas pessoas, empreender, buscar os limites, desafiar-se e criar oportunidades onde elas não existem é o estilo de vida desejado, a escolha. Em uma provocação recente, falei sobre ser rico sem ser milionário (clique aqui para entender).

Riqueza é outra coisa

Ser rico de verdade é ter qualidade de vida, liberdade e fazer o que gosta. Em um cenário assim, dinheiro é ferramenta, não instrumento de competição – e deve ser também prioridade. O que acontece é que as pessoas tendem a acreditar que é possível “alcançar” esse patamar na vida, quando na verdade ele deve ser construído – e isso não acontece da noite para o dia.

O que quero dizer é bastante óbvio, mas ainda assim ignorado: os resultados que alcançamos em qualquer área da vida são consequências diretas do quanto nos dedicamos (e dedicação significa sacrifício, comprometimento e foco). Vida conjugal, relacionamento com os filhos, sucesso profissional, ficar milionário, praticamente tudo tem relação direta com as nossas escolhas.

A riqueza, portanto, passa antes por sermos capazes de definir o que é importante e agir em busca disso de forma determinada, constante e aprimorada. A pergunta “Como se tornar um milionário?” deve ser substituída por “Eu quero mesmo me tornar um milionário?” ou ainda “Por que eu quero me tornar um milionário?”.

Já escrevi sobre a relação entre riqueza e qualidade de vida por aqui (clique para ler).

Etapas para a criação de riqueza

Algumas palavras apareceram bastante no texto de hoje, você reparou? São elas: “prioridade”, “sacrifício”, “comprometimento” e “foco”. A esta altura, você já entendeu que precisa ter certeza do que quer para ser capaz de transformar esse desejo em ação, certo? Vejamos o que falta.

Sacrifício

Não vai ser fácil, nem tampouco divertido. Pode ser que demore mais do que você imagina ou até mesmo que, por algum tempo, você tenha que abrir mão de outras atividades para concluir sua preparação rumo ao que tanto almeja. Menos tempo com a família e com os amigos talvez sejam um efeito colateral temporário também.

Sobre sacrifício, entenda que:

  • Não existe sucesso repentino;
  • Sempre será preciso fazer coisas de que você não gosta;
  • A distração é uma perigosa sabotadora de prioridades;
  • A disciplina é um processo.

Comprometimento

Será preciso fazer para, só então, avaliar os resultados. Pode ser que você tenha que ir além do que planejava e acabe passando muito mais tempo debruçado no seu projeto. Pode ser que os outros não compreendam porque tanta dedicação a alguma coisa que parece incompreensível. Pode ser que você tenha que começar tudo de novo.

Sobre comprometimento, entenda que:

  • É preciso insistir e fazer até ficar bom (e bom não é perfeito);
  • Não existe momento certo. O que existe é escolher;
  • A pergunta ideal não é “Devo fazer?”, mas “Como fazer?”.

Foco

Você não será capaz de agradar a todos e tampouco conseguirá dar conta de muitos projetos ao mesmo tempo. Pode ser que determinadas atividades sejam suspensas em detrimento de outras. Talvez você tenha que eliminar completamente certos hábitos (como começar coisas demais) e criar novos.

Sobre foco, entenda que:

  • Estar ocupado (atarefado) não é sinal de ser importante;
  • Dar atenção e administrar bem os detalhes é fundamental;
  • Para que o foco faça sentido, é preciso ter uma visão das coisas (vida, trabalho, família etc.).

Conclusão

O recado final é bem prático: ou você dedica algum tempo para si mesmo e descobre o que você quer de verdade (suas prioridades) ou continuará desperdiçando seus recursos com o que você quer demais agora.

Sem se conhecer muito bem, você continuará caindo em propostas mirabolantes de investimento (fraudes!), pagando por cursos que prometem enriquecimento rápido (e não entregam!) e outras porcarias do gênero. Aliás, clique aqui e veja outras dicas para escapar destas armadilhas.

E atenção para a interpretação correta do texto. Riqueza é um conceito pessoal e pode estar associado a muitos milhões na conta bancária e um estilo de vida “impossível”, com agenda lotada e quase nenhum tempo para a família. Pode ser o oposto disso. Pode ser o meio termo. Só não pode ser o que os outros querem “empurrar” ou esperam de você.

Tenha em mente que escolhas fáceis agora geralmente entram em conflito com o que facilita a vida no futuro. Se quer educação financeira de verdade, entenda que ela é um processo. Lento. Exigente. Duro. De longo prazo. Mas libertador, porque real. Rico, porque fruto de sua escolha. Ideal, porque de acordo com as suas prioridades. Faz sentido?

Foto “Sunset”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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