Quem está endividado sempre procura culpar circunstâncias e outras instâncias antes de admitir que ele é o verdadeiro culpado. Quem contraiu empréstimos sem o devido planejamento precisa aceitar essa realidade antes de qualquer tentativa. Isso mesmo, a primeira ação para resolver o problema é admitir o erro – só assim a lição será aprendida.

Os juros pela utilização do crédito rotativo do cartão de crédito e do cheque especial são realmente altos aqui no Brasil. Eles são muito mais elevados que na maioria dos países mundo afora, o que implica para o tomador de crédito uma série de cuidados.

Com a Internet e as diversas fontes de bom conteúdo, todos que tem o mínimo de interesse e buscam informações sobre o assunto descobrem facilmente que os juros estão altos e subiram mais nos últimos meses.

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Crédito: o dinheiro dos outros custa (muito) caro

Quando usamos o crédito, estamos usando dinheiro dos outros. Logo, é importante saber muito bem que tipo de operação estamos fazendo quando topamos realizar um sonho de consumo com dinheiro dos outros.

Muita gente utiliza o cartão de crédito e o cheque especial de forma displicente, praticamente automática, sem saber aproveitar estas ferramentas, e logo acaba entrando em uma grande cilada (por vezes muito difícil de sair). Quem usa o cartão de crédito deve lembrar de algumas coisas:

Respeitar o limite do orçamento e não o do cartão – Vale bater mais uma vez na tecla de que crédito disponível não é sinônimo de crédito grátis. Você vai usar o dinheiro e, mesmo que demore 45 dias, quando a fatura chegar você precisará ter o dinheiro para quitá-la integralmente. Se optar pelo pagamento de valores menores que o total da fatura, terá que pagar os juros (altos) que são característicos dessa opção. Já listamos as armadilhas de cartão de crédito que você deve evitar (clique aqui para saber quais são);

Conheça mais sobre o seu cartão – O cartão de crédito oferece ao usuário uma série de vantagens, como segurança e a chance de concentrar os pagamentos ganhando tempo e organização. Para quem tem um bom planejamento, é uma ferramenta muito útil; já para quem o utiliza sem o mínimo de conhecimento e interesse, o prejuízo será mais provável. O desconhecimento das datas de fechamento da fatura e depois do vencimento são coisas básicas que você precisa saber de cada cartão que possui. De novo: ao atrasar o pagamento, você pagará taxas e juros que deixaram sua fatura ainda mais salgada;

Lembre-se que o cartão de crédito é forma de pagamento e não grupo de gastos –  Quando for ao supermercado e efetuar o pagamento com o cartão de crédito, lembre-se de considerar em seu controle financeiro pessoal aquela despesa como “Supermercado” ou “alimentação” (ou outra associada ao gasto) e não jogá-la numa conta genérica “Cartão de crédito”. É importante manter um controle sobre o valor do cartão, mas considerá-lo como uma despesa em si é um erro muito comum e que compromete o ajuste do padrão de vida.

Em relação ao cheque especial a mensagem também é muito parecida. Os erros por má utilização acontecem por desconhecimento, pois de especial o cheque só tem o nome: quem precisa utilizar o limite acaba tendo que desembolsar muito dinheiro, fazendo a alegria do banco.

Continue a leitura: 8 Dicas para transformar o cartão de crédito em um aliado do controle financeiro

Como livrar-se das dívidas?

Quem já está no vermelho, com muitas dívidas e vive no desespero, sem saber o que fazer, precisa primeiro manter a calma e então “arregaçar as mangas” e trabalhar com inteligência para vencer essa dura batalha. Não adianta fugir do problema, mas encará-lo com garra e determinação.

Se as dívidas estão concentradas no cheque especial e cartão de crédito, a primeira providência é dirigir-se ao banco e tentar um acordo. Explique sua situação e leve uma proposta por escrito. Não se esqueça de anotar o nome de quem fez o atendimento.

É fundamental demonstrar interesse e comprometimento em resolver a situação. A grande sacada nesse momento pode ser trocar a dívida de cartão de crédito e cheque especial por uma dívida mais barata.

É inteligente buscar uma linha de crédito que ofereça juros mais baixos, como um empréstimo pessoal ou, na melhor das hipóteses, um empréstimo consignado, que tem juros menores, pois as parcelas são debitadas pelo banco diretamente da folha de pagamento de seu empregador.

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Evitar o endividamento precisa ser um hábito

Quem convive com dívidas muito altas deve estar ciente e disposto a “cortar da carne” para resolver a situação. Insisto novamente que é preciso firmeza e convicção, por exemplo, para se desfazer de um bem, reduzir drasticamente o padrão de vida da família, vender (ou trocar) o carro e eliminar gastos que não sejam indispensáveis no momento de vacas magras.

E na hora de comprar, use e abuse dos conceitos da educação financeira, ou seja, guarde dinheiro e compre à vista. Ah, sim, é importante lembrar-se de buscar sempre uma ótima negociação. Aqui no Dinheirama você encontra um artigo bem interessante sobre como tomar as melhores decisões na hora de usar o crédito de forma consciente (clique para ler).

No final das contas, além de calcular e planejar tudo muito bem, é muito importante aprender a lição: endividamento não rima com crescimento, nem liberdade. Saber até onde o crédito pode levá-lo e quais suas consequências é essencial para tomar decisões melhores.

Para terminar, deixo uma frase de Willian Shakespeare: “Palavras não pagam dívidas”. Enfrente a situação, renegocie, adapte seu padrão de vida e mude seu futuro. Obrigado e até a próxima.

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