Agora você confere as principais notícias de 13/02/2018, terça-feira.

Inquérito sobre portos poupa sigilos bancário e fiscal de Temer

Passados quatro meses da abertura do inquérito sobre um decreto do setor portuário, os sigilos bancário, telefônico e fiscal do presidente Michel Temer, de amigos e empresários foram preservados pelos investigadores no caso, a Procuradoria-Geral da República e a PF (Polícia Federal).

Na última sexta-feira (9), em entrevista à agência Reuters, o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, criticou a qualidade das provas obtidas e indicou que o inquérito poderá ser arquivado.

A consulta aos autos, porém, revela que uma série de medidas não foram tomadas pela PGR e pela PF.

A investigação, que procura saber se Temer recebeu vantagem indevida das empresas da área, se concentrou até agora em aspectos formais, como depoimentos de dez investigados incluindo Temer que negam qualquer irregularidade na edição do decreto.

O inquérito foi aberto a partir da delação da JBS. Em telefonemas, o ex-assessor presidencial Rodrigo Loures conversou com membros do governo e parlamentares sobre o decreto. Ele queria incluir no texto um grupo de portos que tinham recebido concessões e arrendamentos antes de uma lei de 1993.

No decreto, de maio de 2017, o grupo acabou excluído um dos pontos usados pela defesa de Temer para pedir arquivamento do caso.

Tanto a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quanto o delegado da PF que preside o inquérito, Cleyber Malta Lopes, não demonstraram interesse em pedir ao ministro relator no STF, Luís Roberto Barroso, acesso à movimentação bancária do presidente para ver se há ou houve alguma relação com empresas do setor portuário.

Pistas também deixaram de ser perseguidas. Em junho passado, a PF apreendeu na Argeplan, empresa do coronel aposentado da PM João Baptista Lima Filho, “um projeto de reforma de imóvel com nome Maristela Temer“, filha do presidente, um recibo de pagamento em nome dela e um disco rígido com “diversas informações sobre a reforma no apartamento”.

Eventuais pagamentos da Argeplan, que tem contratos com órgãos públicos, à filha de Temer poderia indicar a dissimulação de vantagens indevidas. Nenhum dos documentos, porém, foi até o momento cruzado com o sigilo bancário de Maristela, que também não foi quebrado.

A filha do presidente não aparece como alvo da investigação nem é citada pela PF como alguém que mereça ser ouvido no futuro.

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Temer não diz se Segovia tem condições de seguir à frente da PF

O presidente Michel Temer não respondeu nesta segunda-feira (12) se o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, tem condições de seguir no cargo.

Em visita oficial a Roraima, ele deixou a entrevista à imprensa quando perguntado  se o chefe da Polícia Federal errou ao ter comentado sobre um inquérito em andamento.

Os jornalistas presentes insistiram na pergunta, mas o emedebista apenas sorriu e acenou, sem responder se o diretor-geral continuará no posto.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, também presente na visita oficial, não apareceu nem no pronunciamento à imprensa.

Ele tem se negado desde o final de semana a comentar entrevista concedida pelo diretor-geral à Reuters, na qual indicou que inquérito contra o presidente será arquivado.

Segundo ele, até o momento as investigações não comprovaram que houve pagamento de propina pela Rodrimar para a edição de decreto que prorrogava concessão e arrendamento portuários.

O episódio causou uma crise interna na Polícia Federal e constrangimento ao delegado Cleyber Lopes, responsável pela apuração.

Com a entrevista, delegados da Polícia Federal têm pressionado a ADPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal) a se posicionar pela demissão do diretor-geral.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que Segovia errou, criou uma animosidade desnecessária dentro da Polícia Federal e atrapalhou a condução do inquérito.

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‘Farra’ do crédito de veículos gerou rombo de R$ 22,8 bi para bancos

O custo da festa do crédito fácil para veículos do começo da década foi alto para as instituições financeiras. Dados inéditos do Banco Central mostram que o setor teve problemas para receber R$ 38,1 bilhões em financiamentos concedidos em 2010 e 2011, quando era possível comprar um carro zero, sem entrada, parcelado em até cem vezes. Bancos já desistiram de cobrar R$ 22,8 bilhões e reconheceram o valor como prejuízo, mas o setor ainda trabalha para receber outros R$ 15,3 bilhões emprestados naquela época.

Após o estouro da crise financeira global em 2008, o governo reagiu para tentar amenizar a maré negativa do exterior. Queda de impostos, redução de juros e liberação de dinheiro aos bancos fizeram parte da receita que permitiu ao País passar os primeiros anos da crise com poucos arranhões. Enquanto o mundo colhia cacos, o Brasil dava sinais de vigor e o setor de veículos virou símbolo do Brasil que consumia cada vez mais.

Tanta confiança mudou profundamente a economia. Enquanto consumidores estavam cada vez mais seguros sobre o futuro, montadoras anunciavam bilhões em novos projetos e bancos afrouxavam parâmetros no crédito. Assim, a concessão de financiamentos para veículos atingiu patamar nunca mais alcançado: R$ 105,3 bilhões emprestados em 2010 e outros R$ 102,5 bilhões em 2011. No ano passado, esse valor foi de R$ 87,3 bilhões. Os bancos liberaram em média R$ 3.339,66 a cada segundo em novos financiamentos naquele período.

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Redação Dinheirama
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