Você já ouviu falar em modelo de gestão patrimonial fiduciário? Pois bem, fiduciário vem de fidúcia, que significa confiança. Ou seja, trata-se de um modelo em que predomina a relação de confiança entre gestores e clientes, algo que é regulado por instituições públicas nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde é mais popular; e que no Brasil acaba sendo utilizado somente por family offices que administram grandes fortunas.

Por aqui, o modelo transacional, baseado em venda de produtos financeiros, acaba sendo o mais comum. Para explicar melhor como funciona, e para que você, leitor, esteja por dentro de todas as possibilidades do mercado, conversamos com Pedro Guimarães, ex-CEO da Conspiração Filmes e sócio-fundador da FIDUC, empresa que utiliza o modelo fiduciário de gestão patrimonial e financeira, que está no mercado desde o último ano e já conta com mais de 40 Associados, número que cresce rapidamente.

Pedro, poderia contar um pouco sobre sua trajetória até a criação da FIDUC?

Pedro Guimarães – Sempre estive ligado à área comercial ou financeira. Minha primeira empreitada, logo após trabalhar na empresa do meu pai, foi participar do projeto da Conspiração Filmes, onde fiquei por 11 anos e ocupei as funções de diretor financeiro, diretor da área comercial e presidente. Na sequência, eu e Paulo Veras, que viria a ser cofundador da 99, lançamos um site de compras coletivas, o Imperdivel.com, que teve grande sucesso inicialmente, mas acabou sendo vendido com o fim do mercado de compras coletivas. Em seguida, fui sócio em uma empresa de gestão de ativos e, a partir daí, passei a estudar o mercado de gestão patrimonial no Brasil, o que me levaria à criação da FIDUC.

A FIDUC tem foco no modelo fiduciário. Pode contar como funciona e quais os diferenciais?

P.G.: O princípio do modelo fiduciário é bem definido por John Bogle, fundador da Vanguard, maior mutual fund do mundo: “One person cannot serve two masters”. Em português, “Uma pessoa não pode servir a dois mestres”. Nessa definição, a palavra mais importante é servir, pois o princípio do modelo fiduciário é servir a alguém.  É um contraponto ao modelo transacional, adotado por bancos e plataformas de investimentos nos quais o princípio e, consequentemente, a remuneração das partes, é baseado na venda de produtos.

O que exatamente é a FIDUC e de onde surgiu a ideia de sua criação?

P.G.: A FIDUC está trazendo o modelo fiduciário em larga escala para o Brasil. Com esse objetivo, montou e está expandindo uma rede de associados formada por profissionais experientes do mercado financeiro, que entregam serviços de planejamento financeiro para seus clientes em todo o país. A ideia replica no Brasil o que a St. James’s  (SJP) faz com enorme sucesso no Reino Unido. Há alguns anos, fiz uma viagem para conhecer o fundador da SJP,  Mike Wilson, e o projeto de implementar no Brasil os mesmos princípios me pareceu uma oportunidade incrível.

Quem pode se tornar associado e quais as vantagens?

P.G.: Nossos Associados pertencem originalmente a três grandes grupos: consultores financeiros, bancários e agentes autônomos de investimento. Selecionamos os que compartilham nossa visão, têm muita disposição para trabalhar e querem ser empreendedores. São várias as vantagens: modelo de negócios simples que gera receita recorrente, solução regulatória e fiscal, treinamento, mentoria e oportunidade de reinserção profissional.

Qual a fonte de receita da FIDUC?

P.G.: Nossa única fonte de receita provém da taxa de administração de 1,5% que cobramos sobre os ativos líquidos sob gestão da FIDUC.  Essa remuneração compreende a elaboração de todo planejamento financeiro do cliente, inclusive investimentos, tudo dentro do modelo fiduciário, como todo grande family office no mundo.

Qual o perfil do cliente FIDUC?

P.G.: O cliente FIDUC tem o perfil de cada Associado espalhado pelo país, ou seja, um perfil abrangente como o da população brasileira.  Queremos montar uma base de clientes com a maior quantidade possível de pessoas que precisem de planejamento financeiro fiduciário. E estamos investindo em tecnologia, sobretudo em plataformas de Educação à Distância, para que nossos associados tenham o acompanhamento necessário para atenderem seus clientes.

Como você avalia a importância da educação financeira no Brasil hoje?

P.G.: Mais do que nunca, a educação financeira é fundamental para que a questão do equilíbrio orçamentário do cidadão deixe a esfera governamental e volte aos indivíduos.

Janaína Gimael
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