“Pensar que há certos males que vêm para o bem não é fazer pouco da tristeza, mas é ver além da dor”. Parece ser uma boa abordagem para avaliar o mercado transnacional depois da decisão americana de elevar alíquotas de importação para aço e alumínio. Isso gerou e continua gerando desequilíbrios nos mercados de risco nas últimas semanas.

Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o momento é delicado e parece ser apenas o início dos atritos entre grandes economias, e essa escala de atritos precisa ser evitada, pois acabaria levando para posturas xenófobas e nacionalismo. Claramente isso seria danosa para a recuperação econômica mundial, e o protecionismo, no final da linha, redundaria em menor crescimento global.

Nossa visão pragmática é que isso não irá proliferar, mas certamente teremos algumas máculas. Os EUA andam preocupados com os elevados déficits em sua balança comercial que atingiu em janeiro US$ 56 bilhões, enquanto a China mostrou superávit comercial contra os EUA em fevereiro de US$ 21 bilhões.

Ações dos EUA contra China podem beneficiar o Brasil

A medida adotada pelos EUA é claramente direcionada contra a China, mas como diz o ditado, os justos acabam pagando pelos pecadores.

Partindo da visão que uma guerra comercial não convém a ninguém e não acontecerá, nossa percepção é que o Brasil pode até se beneficiar desse momento difícil para o comércio internacional.

O Brasil está negociando com os EUA a possibilidade de ficar isento de tarifas de 25% para o aço e 10% para o alumínio, e tem boas razões para tal. Por enquanto, estarão suspensas até o final do mês de abril ou até que as negociações sejam encerradas. Mas o Brasil mostra déficit contra os EUA que vão precisar comprar produtos de aço e alumínio que o Brasil pode suprir. Além disso, empresas brasileiras como Gerdau e CSN possuem instalações produtoras em território americano.

O lado chinês

Olhando pelo lado da China, o país vai lançar restrições e tarifas para 128 produtos importados dos EUA, fortemente concentrados no segmento agropecuário. Bom, uma análise simples indica que terão que suprir em outros países. Já anunciaram que não comprarão etanol dos EUA.

O Brasil não possui estoque para exportar, mas existem outras áreas igualmente importantes. Carne suína e de vaca, soja, frutas diversas e sucos, etc. Adicionalmente, não podemos esquecer que o Brasil tem se revelado bom parceiro comercial da China e têm recebido cada vez mais largos aportes de investimentos. Setores como energia, infraestrutura e matérias primas estão entre os interesses dos chineses no Brasil.

É bem verdade que nos últimos tempos a China vem impondo algumas restrições à saída de capitais, mas numa economia planificada como a deles, isso é normal. O Governo indica setores de seu interesse para investimentos, e dessa forma não existirá restrições de saída. Se olharmos para a postura chinesa dos últimos anos, eles estão no mundo inteiro (destaque para emergentes), fornecendo recursos para investimento, tecnologia, parcerias, e até exportando mão-de-obra.

Os desafios do Brasil

Olhando para o Brasil precisamos destravar a política fiscal e surfar na onda das commodities e preços em alta e promover maior abertura do país. Ficou claro depois da decisão americana que nenhum país quer ficar muito desequilibrado em sua balança comercial e que o comércio internacional tende a ser biunívoco.

Precisamos de investimentos que elevem a produtividade, de leis que não tolham o comércio e estrutura fiscal competitiva com outros países. O Brasil precisa abrir novamente os portos às nações amigas como fez Dom João nos idos de 1800.

Se tudo isso estiver certo, teremos benefícios diretos para nossas empresas exportadoras e os mercados no Brasil irão precificar melhor o valor de nossas empresas. Converse com os nossos profissionais e busque informações em nosso site.

Alvaro Bandeira
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