Empreender: algo que pode ser sonho para muitos ou necessidade para outros tantos. O fato é que uma das formas de se começar no empreendedorismo de maneira formal no Brasil é se tornar um MEI (microempreendedor individual). Dados da Serasa Experian mostram que das 191.498 empresas brasileiras criadas até fevereiro deste ano, 82,5% são MEI, ou seja, 158.038. Não é à toa, portanto, que começam a surgir demandas novas para este segmento e serviços focados em resolvê-las.

“Entrevistamos em profundidade centenas de empreendedores e descobrimos uma oportunidade bem maior do que imaginávamos inicialmente, tanto no que tange ao apoio à resolução de burocracias, mas principalmente no acesso a serviços financeiros”, explica Marcelo Moraes, CEO da MEI Fácil, app que busca facilitar a vida de quem é MEI através de uma série de serviços.

Marcelo Moraes é engenheiro formado pela Unicamp e pelo INP, tem MBA pela Columbia University e uma experiência de 11 anos em bancos de varejo, startups e consultoria. Ele é o entrevistado do Dinheirama desta vez!

Desde quando a MEI fácil existe? Quantas pessoas já atendeu e quanto custa o serviço?

Marcelo Moraes: A MEI Fácil foi fundada em janeiro de 2017 e já conta com mais de 200 mil usuários em seu aplicativo. Além de auxiliarmos o microempreendedor a obter um CNPJ, o cliente consegue gratuitamente pelo APP fazer tudo que ele precisa para ficar em dia com as obrigações, como pagar guias de imposto, acessar documentos e fazer declarações. Para quem possui demandas específicas e mais complexas, temos o serviço pago de assessoria, que custa um valor de R$69,90 por ano.

O segundo passo natural após conseguir o CNPJ é o empreendedor buscar serviços financeiros para crescer o seu negócio e cobrar os clientes. E hoje apenas 4% dos microempreendedores individuais no Brasil têm acesso aos serviços de que um pequeno negócio precisa. Oferecemos então soluções simples e de baixo custo que podem ser contratadas e utilizadas de forma avulsa, como emissão de boletos e maquininha de cartão. É uma forma de levar inclusão financeira para um público que muitas vezes nem conhece o que está à disposição dele.

Normalmente a abertura de MEI costuma ser relativamente simples, mas ainda assim as pessoas acabam encontrando algumas dificuldades no caminho. A MEI fácil também funciona como um orientador para facilitar este processo e tirar as dúvidas que aparecem, certo?

M.M.: Somos o parceiro do MEI em sua jornada, um lugar onde ele pode se sentir seguro para tirar as dúvidas que possui. Fazemos isso de diversas formas, pelo APP, chatbot, Whatsapp ou email. Temos também uma presença crescente nas redes sociais. Por exemplo, para obtenção de um CNPJ, temos orientação gratuita de especialistas que podem tirar dúvidas por chat durante o preenchimento das informações, oferecendo apoio do início ao fim e levando segurança ao MEI.

Com relação à nota fiscal, continua sendo necessário ir até um posto da prefeitura pessoalmente, mas vocês orientam, certo? Até onde vai a ajuda da empresa para quem contrata?

M.M.: Sim, é necessário fazer o processo em uma prefeitura, subprefeitura ou órgão competente. Nós orientamos o empreendedor em todo o processo e em qualquer tipo de dúvida que ele tenha relacionada à burocracia.

O aplicativo facilita algumas coisas depois da abertura, como o pagamento do DAS sem ter que ir até o banco. O uso do app já está inserido no valor anual pago?

M.M.: O aplicativo da MEI Fácil é gratuito e oferece todas as ferramentas de apoio que o MEI precisa para o dia a dia, como acesso e pagamento facilitado das guias de imposto, documentos, declarações e oportunidade de tirar dúvidas. Para quem opta pelo serviço pago o aplicativo habilita outras funcionalidades como o chat com especialistas.

Vocês também orientam com relação a fechamento de MEI? Ou caso a pessoa queira passar de MEI a Simples Nacional, por exemplo? Existe uma orientação neste sentido se for preciso?

M.M.: São dois procedimentos distintos. Sobre a migração de MEI para Simples Nacional, nós indicamos que ele procure um contador de sua confiança e explicamos que isso só pode ocorrer no mês de Janeiro (janela estabelecida pela Receita Federal). Quando o tema é o cancelamento do MEI buscamos sempre entender junto ao cliente se essa é a melhor opção e se necessário orientamos sobre como proceder. O fato de sermos uma empresa 100% focada no microempreendedor tem ajudado a nos tornar referência no tema e esses tipo de dúvidas acabam chegando também.

Vocês também têm algumas parcerias com algumas empresas como o Bradesco. Como funciona?

M.M.: Nós fomos selecionados em 2017 para o programa de inovação do Bradesco, o InovaBRA. Pilotamos soluções da MEI Fácil junto aos clientes do banco e vice-versa. Contamos também com parcerias com o Serasa Experian, que direciona para a MEI Fácil os empreendedores que precisam de apoio com burocracia, além de fintechs como a Sumup e a Boleto Bancário, que fornecem produtos de meios de pagamento integrados ao nosso app. A Sumup fornece máquina de cartão e a Boleto Bancário emissão de boleto.
Nossa ideia com as parcerias vai muito além da venda de produtos: passa por gerar conhecimento do MEI para todas as partes envolvidas, de forma colaborativa. Aprendemos que isso melhora muito os serviços que oferecemos, culminando em taxas de satisfação altas e, por consequência, em um maior crescimento da empresa.

De onde surgiu a ideia de criar a MEI Fácil? Como veem o panorama do MEI no Brasil?

M.M.: Somos em quatro sócios, eu (Marcelo Moraes), a Gislaine Zaramella, o Fábio Gennari e o Rodrigo Salem. O Fábio e o Rodrigo possuíam uma empresa de contabilidade online, chamada ContadorX, para atender um público de maior faturamento (o chamado Simples Nacional) e começaram a ser procurados por pessoas que são MEI para os serviços de contabilidade. Mesmo com uma demanda de contabilidade mais simplificada, grande parte dos microempreendedores individuais ainda assim fica insegura. Com essa procura, eu e a Gislaine, que havíamos acabado de fechar uma startup da área da saúde, chamada Treinei, nos unimos ao Fábio e ao Rodrigo para entender melhor esse público. Assim, entrevistamos em profundidade centenas de empreendedores e descobrimos uma oportunidade bem maior do que imaginávamos inicialmente, tanto no que tange ao apoio a resolução de burocracias, mas principalmente no acesso a serviços financeiros.

Empreender é para todos? Lidando com microempreendedores individuais, conseguem perceber algumas dificuldades comuns?

M.M.: Empreender exige uma boa dose de desapego, pois existe o risco do negócio não dar certo. No caso do MEI, identificamos dois tipos de empreendedores diferentes: o nato, ou seja, aquele que montou o negócio por vocação, pensando em crescer. O outro é o empreendedor por necessidade, que muita vezes perdeu o emprego e precisa conseguir uma fonte de geração de renda.

Os nossos clientes são normalmente excelentes profissionais nas suas atividades, mas que possuem muita insegurança em tudo que envolve serviços financeiros e burocracia. Aqui entra a MEI Fácil, oferecendo apoio para que o empreendedor esteja mais preparado, educado e acesse as ferramentas para aumentar as chances do negócio dar certo.

Pensam em oferecer outros serviços? Quais as perspectivas para a MEI Fácil?

M.M.: Nós vamos ampliar a oferta de serviços financeiros, mas sem perder o conceito de simplicidade. Há muito espaço não explorado. O crescimento da MEI Fácil superou todas nossas expectativas. Devemos chegar a 400mil usuários da solução até o final de 2018. Hoje, 40% dos nossos clientes vêm por indicação, o que cria um efeito multiplicador em nossa base de relacionamento. A prioridade é evoluir na oferta de soluções, atuar em segmentos mais atrativos, expandir as parcerias e aprofundar o relacionamento.

Acreditam que empreender é uma tendência no Brasil e no mundo? Por quê?

M.M.: Sem dúvidas. A população, em especial os jovens, está mais aberta a alternativas não tradicionais de emprego, e o empreendedorismo atrai cada vez mais gente. Temos uma geração que, além de mais conectada digitalmente, possui um nível de educação bem superior ao das gerações anteriores. A união desses fatores faz com que o potencial dessa turma seja enorme, o que é excelente para o desenvolvimento do País. Nesse caso o programa do MEI cai como uma luva, pois é a forma mais simples e barata de se começar uma empresa.

Janaína Gimael
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