No Dinheirama falamos sobre dinheiro, mas é preciso considerar que a nossa saúde financeira faz parte de uma série de outras coisas em nossas vidas, às quais, muitas vezes, não damos a devida importância. Aspectos emocionais, a forma como nos relacionamos com pessoas e com situações. Por conta disso, não é à toa que há toda uma área que trata de finanças e aspectos comportamentais dentro da economia.

Desta vez, resolvi trazer um tema sobre o qual não ouvimos tanto por aí, salvo quando uma ou outra história acaba aparecendo na mídia. Mas acreditem, acontece muito!

Você já pensou que uma única relação desequilibrada pode acabar com o patrimônio de alguém? Enfiar esse alguém em dívidas ou até mesmo exterminar a sua capacidade de continuar independente financeiramente?

Vale a pena entender um pouco mais sobre o assunto e ter cuidado constante com você mesmo e com as pessoas ao seu redor. Vamos lá?

Como definir uma relação abusiva?

Uma relação abusiva, entre outras coisas, acontece quando há o desejo de controlar excessivamente o parceiro, de exercer poder sobre ele. Contudo, inicialmente pode ser difícil detectá-la, já que o ínicio é comumente marcado por uma dinâmica de “conto-de-fadas”, fazendo com que o alvo se entregue por completo à relação. Geralmente vem acompanhada de excesso de ciúmes, desconfiança, possessividade e violência emocional e até física.

Aos poucos, o parceiro abusivo vai controlando tanto a vida do outro, que este se desconecta da própria identidade, se sente inadequado, culpado, deprimido e começa a ter problemas no trabalho ou até o abandona, negligencia as finanças, e etc.

Quem está vivendo isso não enxerga desta forma, costuma achar até que é excesso de amor, ou até sabe que há algo errado, mas não consegue sair facilmente. As consequências, é claro, podem ser devastadoras.

Para poder escrever sobre o tema, conversei com Lucy Rocha, que é advogada, coach de relacionamento e administradora da página Que Amor é Esse? Relações Tóxicas.

Lucy explica que teve que mergulhar no estudo de alguns transtornos de personalidade para saber como lidar com pessoas que a procuram quebradas financeiramente após um relacionamento abusivo. Ela explica que uma relação abusiva é quase como um vício em drogas. “Pessoas que saem dessas relações têm sintomas de abstinência. O estado mental deplorável em que você fica se assemelha a de um vicíado. Por se tratar de uma violência silenciosa, após a ruptura, é comum confundir a abstinência, com saudade do abusador. É um sentimento dissonante que coloca a mesma pessoa na posição de carrasco e grande amor. Nesse quarto escuro em que você permanece durante e depois desse tipo de relação, você pode perder todo seu patrimônio e parece que o outro não teve nada a ver com isso, que foi apenas escolha sua”, explica.

Confira 8 situações que merecem atenção!

8 formas do dinheiro escoar pelo ralo em uma relação abusiva

Há uma série de coisas que podem ocorrer em uma relação abusiva e que podem causar grandes prejuízos financeiros a quem está envolvido. O tema é complexo e difícil de resumir, mas Lucy Rocha apontou alguns pontos aos quais é preciso estar atento:

1-  Atenção constante

Durante o relacionamento, o parceiro abusivo não para um minuto de requerer atenção, desconfia de você o tempo todo, exige sempre a sua presença. “Às vezes liga ou aparece sem aviso prévio no trabalho da pessoa, causando constrangimento. Quando tem oportunidade, a difama para seus superiores e colegas. Ou seja, a possibilidade de ser mandada embora, ficar sem salário ou ser prejudicada na carreira é enorme”, explica. E se a pessoa é profissional liberal, pode até começar a recusar trabalhos, clientes, pacientes…tudo porque o outro exige muito, faz falsas acusações ou você mesmo está sugada pelo caos e todo o resto fica em segundo plano.

2Desespero após descarte

Se a pessoa é descartada em um relacionamento abusivo (algo que costuma ser frequente, segundo Lucy Rocha), é muito natural que perca a capacidade de focar em outras coisas durante um tempo porque o pensamento está na relação. “É um sentimento de morte, de incapacidade e impotência, muito diferente de um término em uma relação não abusiva. A pessoa começa a negligenciar o trabalho, a família, a aparência, etc. Por mais que tenha o melhor chefe do mundo, vai acabar sendo demitida porque os outros percebem que existe um grande desequilíbrio”.

3- Perseguições

Se a pessoa sai do relacionamento abusivo por vontade própria, pode ter que lidar com perseguições, bombardeio de mensagens, difamação, e etc. Ou seja, fica difícil trabalhar e produzir. É preciso cuidado para não se perder financeiramente nesta fase.

4- Estelionato amoroso

O estelionato que começa, quase sempre, com uma relação virtual também pode fazer parte de uma relação abusiva. “O abusivo se mostra de um jeito maravilhoso, você não sabe o histórico, tudo é muito rápido, e de repente começa a pedir coisas ou se fazer de vítima para conseguir arrancar dinheiro.

Pode ostentar itens para mostrar que está em boa situação, e de repente surgem historias tristes, como a de que foi assaltado, ou clonaram o cartão e está precisando de dinheiro urgente, etc.”

5- Doações após vitimização

Há muitos casos em que nem é preciso um pedido de ajuda financeira. A  pessoa que está com o abusivo tem um perfil “doador” e já oferece auxílio sem que o outro peça.

Basta que o abusivo crie uma situação triste, manipulatória, que o doador se adianta à sua necessidade. “Às vezes são psicopatas completos, fazem isso como modo de vida”, explica Lucy, que já atendeu e atende diversos casos do tipo.

6- O “perverso parasita”

“Nesta situação, ele chega dizendo que está desempregado, está esperando receber um dinheiro ou fechar um negócio, mas precisa de ajuda inicial. As vezes até chega com alguma parcela de contribuição, mas ao longo dos meses ele está pagando cada vez menos e trabalha cada vez menos.

Quando vê, a outra pessoa já está sustentando toda a casa”, explica. O problema nestes casos é que o abusivo se acha uma espécie de prêmio para quem está sustentando a situação financeira.  “Ele acha que o grande pagamento é estar com ele”, diz Lucy.

7-  Perdas no longo prazo

Em relacionamentos longos, a pessoa também pode perder o emprego ou começar a não ligar para as finanças porque o relacionamento desequilibrado de 10, 15 anos vai lhe tirando a identidade, o brilho.

“Ocorre também de você simplesmente passar a fazer péssimas escolhas que num estado normal não faria. Instala-se uma espécie de apatia e isolamento social, dando espaço a uma devoção completa à relação.

Quando a relação é com um tipo provedor, convencerá você que não precisa trabalhar ou estudar. Quando se vê, ele está no controle absoluto de sua vida, tira sua autonomia, lhe tem nas mãos, dificultando demais sua saída daquela relação da qual passou a depender por completo.

8-  Dilapidação do patrimônio

Finalmente, muitas vezes a pessoa já conseguiu uma boa situação financeira, tem um patrimônio e entra numa situação dessas, onde simplesmente começa a perder tudo. “A pessoa abusiva chega, pode até casar, e toma o controle das suas finanças com aquele papo de “isso não é bom”, “isso você tem que vender”, “coloque seu dinheiro aqui e ali, etc.

Ele tenta convencer o outro de que saberá cuidar melhor das finanças do que o consultor financeiro por exemplo, ou que quer proteger de “familiares exploradores” , chegando a pedir para que o patrimônio seja transferido no nome dele. Sem saber como aconteceu, dilapida o patrimônio e faz dívidas em nome do outro, e etc.

Conclusão

É importante entender, querido leitor, que essas situações existem, não são histórias de novela! E podem acontecer com homens ou mulheres, por mais bem informados que sejam, afinal a razão e a emoção nem sempre andam de mãos dadas, certo?

Por isso, é importante estar atento aos primeiros sinais de manipulação e, caso perceba que a historia está começando a ficar longe do que seria uma relação saudável, busque ajuda e saia dela. Sua vida, sua carreira e seu bolso agradecerão enormemente!

Janaína Gimael
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