A situação está complicada em todo o mundo. Essa parece ser a percepção geral dos investidores, o que acaba redundando em redução da exposição ao risco.

Nos emergentes a situação é ainda mais instável, principalmente em países desajustados como o Brasil e outros.

Essa percepção ganhou força com dois fatores principais. No ambiente externo, a decisão de Donald Trump de tarifar a China e outros países aliados. No ambiente local, situação frágil do Brasil ficou exposta pela greve dos caminhoneiros, seguida de grave de desabastecimento. Como consequência tivemos arremedo de ataque cambial, seguindo o que já tinha acontecido com a Argentina e com a Turquia.

Trump, com sua decisão desbalanceou o câmbio e as commodities, e acirrou disputas comerciais e retaliações. Na ponta final, significa que a recuperação econômica global pode demorar mais, assim como a normalização da política monetária em países desenvolvidos. A crise foi ampliada com a decisão da União Europeia de sobretaxar importações americanas no valor de US$ 3,2 bilhões. Tanto União Europeia quanto a China adotaram estratégia de mirar não mais em produtos, mas em empresas de grande porte, pois essas têm maior poder de lobby sobre o presidente Trump.

Problemas na Europa e na Argentina

Mas não é só isso. As eleições na Itália deixaram flanco aberto para que a terceira maior economia da Europa possa sair da União Europeia, apesar do novo governo de coalisão entre os partidos Cinco Estrelas e Liga Norte terem afirmado que tal não acontecerá.

A primeira ministra da Alemanha sofre pressões, com o partido que lhe dá suporte (CSU) pressionando para endurecer no projeto de imigração que está sendo gestado junto com a França. Merkel e Macron querem introduzir orçamento europeu e ampliar fronteiras. Theresa May, primeira ministra do Reino Unido, sofre pressão por longo tempo em função das dificuldades de formatar o Brexit com a União Europeia.

Na Argentina, durante a semana tivemos greve geral (25 de junho) contra a política econômica implantada pelo presidente Macri, que além disso está sendo muito criticado por ter corrido em busca de ajuda do FMI, com receituário de desaceleração. O ex-ministro redrado fez muitas críticas.

Tudo está complicado no Brasil

No Brasil, a situação é ainda mais complicada por conta de processo eleitoral totalmente em aberto. Muito provavelmente até meados de agosto não teremos qualquer definição do processo eleitoral, e, enquanto isso, nada de ajustes ou reformas na economia. Com isso, as projeções dos indicadores de conjuntura para 2018 seguem deteriorando. Segundo a pesquisa Focus do Bacen, a inflação ronda 4,0% e o PIB já encolhe para 1,55% na previsão desse ano, e deve piorar ainda mais. Na Bovespa, até 26 de junho, o índice tinha desvalorização de 7,3%.

Os investidores estrangeiros que até o fim de fevereiro tinham alocado recursos na Bovespa no montante de R$ 10 bilhões, em 22 de junho, mostravam saída líquida de R$ 10,4 bilhões. Ou seja, em pouco tempo, houve venda de ativos no montante de mais de R$ 20 bilhões. Com isso, as ações de maior liquidez e representatividade no mercado local tiveram fortes quedas desde meados de maio.

Essa é a constatação do que está ocorrendo, mas abre espaço para montagem de carteiras por aqueles que acreditam em melhora do quadro geral. Parece ser sim bom momento para aqueles que investem com horizontes temporais mais dilatados para retorno e não acreditam que o país sucumbirá. Nós pactuamos com essa visão mais otimistas e compras progressivas podem ser tentadas.

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Alvaro Bandeira
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