Agora você confere as principais notícias de 06/07/2018, sexta-feira.

Filha de Jefferson proibiu ministro de nomear sem seu aval, diz PF

Em relatório da Operação Registro Espúrio, a Polícia Federal sustenta que o ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi alçado ao cargo para perpetuar o suposto esquema criminoso liderado por seus padrinhos políticos, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e a filha dele, deputada federal Cristiane Brasil (PTB).

Os investigadores listam uma série de mensagens trocadas pelo ministro com Cristiane, nas quais é ela quem determina quem deve ser nomeado ou exonerado de cargos na pasta.

Numa delas, de 28 de maio deste ano, a congressista, segundo a PF, ordena a Yomura que “não nomeie ninguém sem passar antes pelo crivo dela”.

Cristiane foi indicada pelo PTB para assumir a chefia do Trabalho, mas sua posse foi barrada pela Justiça depois de revelado que ela tinha condenações por desrespeito à legislação trabalhista. Com isso, ela própria e o pai trabalharam para que Yomura assumisse a função.

Os três são alvos da operação e negam envolvimento em ilícitos.

Na mesma data, a deputada afirmou que o ministro devia atender a uma demanda do deputado Benito Gama (PTB).

Yomura explicou que estava deliberando sobre as questões e perguntou qual publicação no Diário Oficial da União desagradara Cristiane. Ela respondeu que queria a exoneração de uma servidora.

“Os elementos de informação até então coletados indicam uma atuação [de Yomura] voltada aos interesses da mesma organização criminosa investigada, pois o exercício das atribuições inerentes ao cargo ocupado, em determinadas ocasiões, é guiado por pessoa estranha à pasta por ele titularizada”, diz documento da Registro Espúrio.

A PF afirma que o ministro tinha ciência do esquema para manipular a tramitação de registros sindicais, atendendo a demandas de políticos ligados ao PTB e ao Solidariedade. Essas evidências surgiram em mensagens trocadas por ele com auxiliares, entre eles o ex-coordenador-geral de Registro Sindical Renato Araújo, preso preventivamente na primeira etapa da Registro Espúrio.

Parte das provas contra o ministro foram extraídas também do celular de Cristiane Brasil, apreendido na segunda fase da operação.

Em mensagens de 30 de maio, segundo a PF, a deputada parabeniza Yomura pela demissão de Maria Tereza Pacheco da Secretaria de Inspeção do Trabalho. Além disso, cobra do ministro “blindagem” a Araújo.

Cristiane Brasil também exigiu de Yomura a nomeação de Jéssica Mattos, outra presa na operação por suspeita de auxiliar Araújo na confecção de notas técnicas fraudulentas e de cobrar propina.

Embraer perde quase R$ 3 bi após anúncio de acordo com a Boeing

A decepção com o valor de mercado atribuído à Embraer  no acordo com a Boeing e incertezas sobre o negócio pesaram sobre as ações da companhia brasileira, que fecharam nesta quinta-feira (5), em queda livre de 14,29%, cotadas a R$ 23,10. Com isso, a empresa perdeu o equivalente a R$ 2,85 bilhões em valor de mercado em um dia.

Os investidores não sabem ao certo o que será feito com os recursos que a Embraer vai receber – a empresa sinalizou que pretende tanto pagar dividendos quanto investir, mas não deu mais detalhes –, nem o que será dos resultados financeiros após a concretização do negócio, considerando as dificuldades que vinham sendo enfrentadas nos segmentos que restaram para a companhia brasileira e o fato de possuírem margens menores.

Pelo acordo, o valor atribuído ao novo negócio de aviação comercial é de US$ 4,75 bilhões, cifra próxima do atual valor de mercado de toda a Embraer, notaram profissionais do mercado consultados.

Como na joint venture anunciada nesta manhã a Embraer terá 20% e a Boeing, 80%, esta irá pagar à fabricante brasileira US$ 3,8 bilhões. Há uma dúvida no mercado neste momento sobre o destino desses recursos. Mais cedo, profissionais comentavam ainda uma incerteza a respeito do impacto fiscal sobre o montante que a companhia receberá.

Dólar sobe a R$ 3,93, no maior patamar desde março de 2016

O dólar subiu pelo segundo dia consecutivo e ultrapassou os R$ 3,93, no maior patamar desde 1º de março de 2016. Investidores foram guiados nesta quinta-feira por notícias vindas do exterior, como a divulgação da ata do Fed  (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e a expectativa pela entrada em vigor das tarifas impostas pelos EUA à China, prevista para esta sexta-feira.

A moeda americana avançou 0,53%, a R$ 3,9350. O real foi a terceira moeda emergente que mais se desvalorizou nesta quinta, depois dos pesos argentino e chileno. No mês, a divisa brasileira é a que mais perdeu valor ante o dólar, 1,41%.

O real vinha apresentando comportamento controlado graças à atuação do Banco Central no câmbio apesar do cenário externo adverso. O BC está está afastado do mercado desde a metade da semana passada.

As notícias vindas do exterior devem continuar pressionando a moeda brasileira. A ata do Fed que houve debate sobre a proximidade de uma recessão e expressaram preocupações de que as tensões no comércio global poderiam atingir a economia americana, que pela maioria dos indicadores parecia forte.

Depósitos superam saques na poupança em R$ 7,35 bi no 1º semestre

A caderneta de poupança fechou o primeiro semestre de 2018 com captação líquida de R$ 7,350 bilhões, informou o Banco Central nesta quinta-feira (5). O valor reflete o montante de recursos que os brasileiros depositaram na caderneta, já descontados os saques no período.

Desde 2014, quando a recessão econômica ainda não havia começado, a poupança não registrava captação positiva no primeiro semestre de um ano.

O resultado do semestre reflete o total de R$ 1,070 trilhão de depósitos na poupança, menos R$ 1,063 trilhão de saques. No período, a poupança registrou saques líquidos apenas em janeiro (R$ 5,201 bilhões) e fevereiro (R$ 708,1 milhões). Nos meses seguintes, houve captação líquida em março (R$ 3,977 bilhões), abril (R$ 1,237 bilhão) e maio (R$ 2,405 bilhões).

Em junho, conforme o BC, a poupança captou R$ 5,639 bilhões líquidos, totalizando quatro meses consecutivos em que os depósitos superaram os saques. Os aportes na caderneta somaram R$ 179,998 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 174,359 bilhões em junho. Considerando os rendimentos de R$ 2,810 bilhões no mês passado, o total de recursos depositados na poupança chega hoje a R$ 749,089 bilhões.

O resultado positivo da poupança no primeiro semestre contrasta com o cenário visto no início dos últimos anos. Em 2015 e 2016, a crise econômica havia acirrado os saques, com as famílias mais retirando do que colocando recursos na caderneta para fazer frente às despesas do dia a dia.

Redação Dinheirama
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