Muitas pessoas questionam sobre o impacto que os Millennials têm tido no mundo profissional. Muitos dizem que se trata de “uma geração inquieta”, com pouco tempo de permanência nos empregos (job jumpers) e cujo comportamento é difícil de entender.

Com base no que temos visto se desenrolar no mercado, ousamos oferecer uma visão diferente: achamos que é muito mais uma geração que prioriza o propósito acima do sucesso. Uma geração que pensa em impacto (e não em plano de carreira) para nortear suas escolhas profissionais. Na plataforma da Revelo, inclusive, vemos que mesmo diante de ofertas financeiramente mais atraentes, 61% dos millennials preferem propostas de empresas com maior impacto, com missão mais inspiradora, e com tração mais relevante.

Um caso bastante ilustrativo disso foi o caso em que uma empresa do ramo de jogos e uma grande empresa famosa pela sua dedicação a questões de sustentabilidade ambiental fizeram ofertas a um desenvolvedor mobile. A empresa de jogos ofereceu um salário de R$7.200 mensais, enquanto a empresa com reputação de sustentabilidade ofereceu apenas R$5.400 mensais e acabou conquistando a preferência do jovem desenvolvedor.

O perfil da nova geração

Esse conflito não acontecia com tanta frequência nas gerações anteriores, e tem vantagens e desvantagens. Se, por um lado, temos um fluxo de talentos optando por trabalhar em empresas com missões de maior impacto (o que potencializa os resultados dessas empresas), por outro temos jovens profissionais que, na busca pela satisfação imediata, podem subestimar a importância de se construir confiança e tração com uma mesma equipe.

Afinal, não é mudando de empresa a cada poucos meses que se constrói impacto a longo prazo. Em termos práticos, vemos que o tempo médio de funcionários mais jovens tende a ser até 50% menor do que o tempo médio de profissionais mais experientes.

Trocar de tralho como uma regra

Vemos que a principal reclamação dos gestores de tecnologia e negócios com quem trabalhamos é que jovens profissionais de alto potencial trocam de emprego mais facilmente. Há às vezes uma percepção (alimentada pela mídia) de que a “grama do vizinho é mais verde”, ou seja, a empresa em que você não está é mais “cool” e oferece mais. O mercado de carreiras relacionadas a tecnologia é um bom caso disso, com uma concentração de profissionais ficando em torno de 9 meses no mesmo cargo – um número que está distante do que a maioria dos gestores considera ideal.

Muitas vezes vemos que a situação se equilibra por meio de mudanças de área dentro da mesma empresa (tal qual um programa de trainees), que ajudam a desenvolver versatilidade e podem ajudar o profissional a encontrar aquilo que está buscando. Caso essa “variedade” não surja no trabalho de alguma forma, é menor a probabilidade de retenção de jovens talentos.

De qualquer forma, para evitar a quebra de expectativas, as empresas precisam ser mais transparentes em seus processos seletivos e em seus jobs descriptions, sempre alertando os candidatos sobre as reais exigências do dia a dia que aquela vaga terá. Em contrapartida, os jovens precisam ser mais estratégicos na construção de suas carreiras, levando em conta vários fatores na hora de escolher onde querem trabalhar e, consequentemente, quanto impacto vão conseguir causar a longo prazo.

Lucas Mendes
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