Me lembro perfeitamente de quando fiz minha primeira viagem para fora do país, um intercâmbio para a Cidade do Cabo, na África do Sul. Faz uns 15 ou 16 anos e, a partir daí, minha visão de mundo mudou e eu passei a ter cada vez mais vontade de conhecer outros lugares, aprender idiomas e vivenciar novas experiências culturais. Daquela vez, fui com o dinheiro meio contado. Lembro que paguei um curso, a hospedagem na casa de uma família e a passagem dentro do mesmo pacote, e levei certa quantia que daria para pagar as despesas e realizar alguns passeios.

Acredito que foi um dos melhores investimentos que fiz e recomendo a qualquer um que tenha a oportunidade ou desejo de fazer, que realmente o faça! Além do aprendizado do idioma em si, que é totalmente diferente porque somos obrigados a conviver com a língua nativa do país em questão, aprendemos a vivenciar culturas diferentes, temos a oportunidade de conhecer novos amigos espalhados pelos mais diversos cantos do mundo, e voltamos um pouco mais amadurecidos certamente!

Atualmente, são muitas as opções para quem quer realizar um intercâmbio para estudar, trabalhar ou simplesmente vivenciar a cultura de um lugar. Além das agências de intercâmbio e das facilidades que a internet proporciona (afinal, dá pra fazer as aquisições de cursos e hospedagens sem a necessidade de intermediários e de forma bem mais simples e econômica), também há startups e plataformas colaborativas que ajudam quem ainda não tem todo o dinheiro disponível para essa finalidade.

Para apresentar uma das opções aos leitores do Dinheirama, desta vez o papo é com Eric Faria, cofundador da Worldpackers, plataforma que permite a troca de hospedagem no mundo inteiro por habilidades. Confira!

De onde surgiu a ideia de criar a Worldpackers e desde quando ela existe?

Eric Faria: A sociedade faz esse tipo de troca há milhares de anos, o ser humano sempre trocou seu tempo e energia por algo. Com a chegada da internet e a segurança nas informações online o público millennial passou a viajar mais e consequentemente a fazer mais trocas ao redor do mundo. Hoje existem diversas formas de se fazer work exchange.

Como funciona a plataforma?

E.F.: Anfitriões ao redor do mundo se registram no site e postam vagas de colaboração. Após serem aprovados pela equipe da Worldpackers, as vagas ficam online e viajantes pagam uma taxa de $49 por 1 ano de acesso para poderem aplicar para as vagas disponíveis. O site ainda conta com uma comunidade onde os viajantes compartilham suas experiências e se ajudam para solucionar dúvidas quanto a destinos, vistos e experiências com o site.

Como vocês escolhem e checam quem vai oferecer hospedagem em troca de trabalho? Qualquer empresa pode participar?

E.F.: A maior parte dos nossos anfitriões vem do boca a boca gerado pelas primeiras primeiras parcerias que fizemos pessoalmente. Eles se registram gratuitamente na nossa plataforma mas precisam passar pelo processo de aprovação para poderem postar suas vagas online. Podem participar empresas, projetos pessoais, ONGs e qualquer tipo de anfitrião desde que sua vaga de colaboração deja aprovada pela equipe da Worldpackers.

Poderiam nos passar alguns números? Quantas pessoas já usaram a plataforma de Work Exchange até hoje? 

E.F.: Mais de 14 mil pessoas só na Worldpackers.

Acreditam que trocar hospedagem por trabalho é uma alternativa vantajosa para quem quer conhecer o mundo e economizar?

E.F.: Não só para conhecer o mundo e economizar, mas para poder se conhecer e conhecer o mundo a sua volta, ter experiências diferentes e descobrir seu propósito.

Quais dicas dariam para quem acabou de se cadastrar e ainda não sabe bem como escolher para onde ir ou o que fazer?

E.F.: Primeiro pense em qual é o seu objetivo com a viagem, se é aproveitar para aprender inglês, ou fazer um trabalho social. Leve em conta o custo da passagem para ir até o local e não se prenda a destinos, cada experiências tem um aprendizado diferente. Pesquise as vagas na Worldpackers por habilidades, leia o relato de pessoas que já foram e fale com a comunidade para tirar suas dúvidas.

Participar de uma experiência do tipo também é bom para o lado profissional?

E.F.: Com certeza. Você terá a oportunidade de se conhecer melhor e aumentar as suas percepções do mundo a sua volta. Ainda poderá aprender e praticar outras habilidades.

Há um determinado perfil de usuário ou é para todos?

Eric – Nosso maior público tem entre 20 a 35 anos, no entanto existem pessoas acima dos 50 participando também.

Quem usa precisa pagar algo? Como a plataforma é remunerada?

E.F.: Precisa pagar $49 por 1 ano de acesso ao site. O Work Exchange não é remunerado.

Quais as perspectivas para os próximos anos? 

E.F.: A perspectiva é de continuarmos aumentando nossa comunidade de hosts e viajantes ao redor do mundo. Procuramos também engajar cada vez mais a nossa comunidade para promover as viagens desse tipo como forma de aprendizado e busca por propósito.

Janaína Gimael
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