Recentemente, o Censo da Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação  mostrou aumento de 27% no acesso à formação superior não-presencial neste último ano. São cerca de 1,8 milhão de alunos matriculados em cursos de Graduação à Distância, o maior número já registrado em 10 anos. E você? Já pensou em estudar através do computador?

Para entender mais sobre o assunto, o Dinheirama conversou com o CEO da Descola.org, André Tanesi. Ele é formado em comunicação social pela ESPM e trabalhou na área de marketing de grandes empresas do varejo e em bancos, até montar a Descola como uma nova opção ao aprendizado informal. “A Descola me proporcionou a introdução nesse mercado de educação e me preparou como empreendedor, dado que com ela passamos por três importantes programas de aceleração, como o SEED – Belo Horizonte, Lisbon Challenge e Startup Chile”, explica.

Desde quando a Descola existe e o que ela oferece?

André Tanesi: A ideia de criar a Descola.org surgiu em 2011. Tudo começou com encontros presenciais sobre temas que achávamos interessantes, mas que eram pouco explorados de um jeito fácil e prático. Começou como um hobby, mas percebemos o potencial e transformamos isso em uma empresa, lançando o site Descola.org em Abril de 2013. Hoje, somos uma escola de inovação online, criando grandes experiências de aprendizagem para que os alunos possam aprender novas habilidades que vão impactar diretamente na sua vida ou no seu trabalho. Falamos de temas novos, ferramentas, aplicações ou modelos mentais como Design Thinking, Business Model Canvas, Storytelling ou Oratória. São mais de 50 cursos e 50.000 alunos na plataforma.

Qual o perfil do público-alvo?

A.T.: A Descola.org é focada no perfil de profissionais já formados que queiram ampliar seus conhecimentos e adquirir novas habilidades que não foram desenvolvidas durante o ensino superior e são necessárias para se destacar no mercado de trabalho. Atualmente, a maioria dos nossos alunos ultrapassa a faixa dos 30 anos. Além disso, também focamos em cursos B2B, oferecendo a possibilidade das empresas disponibilizarem a plataforma de cursos online para seus colaboradores.

Como avalia a educação à distância no Brasil hoje? Há alguns anos parece que quem estudava à distância ainda não era tão “bem considerado” no mercado de trabalho, mas parece que isso mudou, até porque tem aumentado bastante o número de alunos desta modalidade, certo?

A.T.: A educação à distância é algo bastante recente no Brasil. Acredito que já evoluímos muito, mas ainda conseguimos perceber duas evidências bem claras sobre como ainda há muito campo para crescimento. A primeira é olhar sobre a qualidade e profundidade dos conteúdos. Hoje os cursos já são pensados em formatos digitais, aproveitando melhor toda a capacidade de conexão e linguagem da internet, pensando na jornada, na estrutura e dinâmica. Quando isso começou os cursos eram meras adaptações do presencial para o online.

A outra é como o mercado olha para quem faz esse tipo de curso. Com a evolução dos conteúdos, o mercado passa a olhar para quem estuda à distância com maior interesse, percebendo que quem faz um curso online pode ter desenvolvido habilidades para o mercado de trabalho. É possível dizer que é um círculo virtuoso. Quanto melhores os cursos, mais o mercado vai aceitar os estudantes que, por sua vez, procurarão mais cursos online, que vão melhorar seus conteúdos….e assim por diante.

Como enxerga a EAD por aqui em comparação com o resto do mundo?

A.T.: O Brasil tem duas particularidades. A primeira é que estamos cheios de bons professores e bons conteúdos, porém infelizmente isso está restrito às grandes capitais, principalmente (mas não somente) na região sudeste. É dizer que a grande maioria da população que quer ter acesso a um conteúdo profundo e relevante precisa viajar para isso. E aí tem uma grande virtude do curso online.

A segunda particularidade é que o acesso a internet ainda é bastante ruim. Com o advento de tecnologias e acesso a mais pessoas, a tendência é que mais pessoas possam se capacitar com cursos online. Depois dessa introdução, é importante dizer que no Brasil tem um bom número de alunos de cursos online. De acordo com o Censo da ABED 2016 foram aproximadamente 4 milhões de alunos em cursos livres. O número é expressivo, porém há um campo enorme para crescimento.

Quais as vantagens e desvantagens da EAD?

A.T.: Entre as vantagens: 1) Acesso a grandes professores e a conteúdos relevantes, muitas vezes de outras localidades. 2) Praticidade, já que o aluno pode fazer da sua casa; e 3) Flexibilidade de tempo, já que dá para fazer o curso no seu momento, pausar, voltar, fazer novamente, sem ter aquela pressão de que “deixou passar algo valioso” por ter desviado a atenção ou por ter faltado a uma aula.

Entre as desvantagens: 1) Falta de contato com outras pessoas fisicas, trocas, networking; e 2) Focos de atenção, já que enquanto você faz um curso diversas coisas podem te tirar o foco.

Como escolher um curso à distância adequado?

A.T.: É importante que o aluno faça toda a checagem antes de comprar um curso. É muito similar à compra de qualquer coisa pela internet. Antes de comprar, cheque qual a instituição, qual o curso, o escopo da aula, o tempo de duração, os professores e a metodologia. Falamos em EAD, mas existem diversos modelos e formatos. É preciso que o aluno saiba bem o que está comprando.

Estudar à distância é para todos? Quais dicas oferece para quem está querendo começar a estudar através dessa modalidade?

A.T.: Se há uma forma democrática no ensino, ela é sem dúvida o modelo de ensino à distância. É uma forma acessível do ponto de vista financeiro e prático, e que pode levar muito conteúdo relevante para o maior número de pessoas possível. Porém, nem tudo são flores. O aluno precisa ter dedicação aos estudos e é importante que ele separe um tempo na sua agenda para fazer o curso online. Pode ser 15 minutos por dia, mas é importante que seja um tempo dedicado somente a isso. Também é importante que o aluno encare o curso como um estudo, se dedique não somente ao tempo na frente da tela, mas lendo os materiais complementares e fazendo atividades e exercícios sugeridos. É importante que haja disciplina.

Qual o papel da tecnologia no caso da EAD? Quais as perspectivas para o futuro em sua visão?

A.T.: A tecnologia é o que faz tudo isso possível. O papel da tecnologia em uma primeira camada é o de ajudar no acesso e na capilarização dos conteúdos.  Em uma camada um pouco mais profunda, a tecnologia ajuda na formatação do conteúdo. Na usabilidade e navegação dos cursos, a tecnologia ajuda a criar modelos de aprendizado que são mais fáceis e interativos, além de mensurar cada etapa e a participação do aluno. E há ainda uma camada mais profunda da tecnologia como forma de entendimento do processo de aprendizagem do aluno, identificando os pontos de dúvida ou os pontos de melhor absorção de conteúdos.

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