Chegamos a mais uma de nossas colunas semanais sobre mundo digital, tecnologia e empreendedorismo.

Nosso destaque  é a notícia da cruzada do Instagram contra perfis falsos na rede social.

Instagram vai remover curtidas, comentários e seguidores falsos

O Instagram anunciou uma nova ofensiva contra perfis falsos em sua plataforma. Em um post em seu blog, a companhia disse que vai remover “atividade falsa” obtidas por serviços de terceiros, como curtidas, comentários e seguidores. Segundo a postagem, quem utiliza desses recursos para bombar o próprio perfil está violando as políticas de uso do serviço.

Ferramentas de inteligência artificial serão usadas para identificar as contas infladas e remover essas atividades.

“Recentemente, temos visto perfis usar apps de terceiros para artificialmente aumentar sua audiência. Todos os dias, as pessoas vem ao Instagram para ter experiências reais, incluindo interações genuínas. É a nossa responsabilidade garantir que elas não sejam atrapalhadas por atividade falsa”, diz a postagem.

Perfis que forem identificados usando esses serviços receberão uma notificação no próprio app, dizendo que a atividade falsa foi removida. O usuário também terá que mudar a senha. Segundo o Instagram, muitos usuários acabam compartilhando suas senhas com as plataformas de terceiros e isso abre uma brecha para que esses perfis também realizem atividades falsas – isso sem contar outras questões de segurança.

Perfis que persistirem nas atividades independentes terão a experiência no Instagram “impactada”. O post não diz exatamente o que será feito, mas não é difícil imaginar que os usuários teimosos sejam bloqueados.

O Instagram diz ainda que nas próximas semanas deve anunciar mais medidas contra atividades falsas em sua plataforma.

Tesla corta preços na China para absorver impacto de guerra comercial

A Tesla está cortando os preços do carros Model X e Model S na China, informou nesta quinta-feira (22) a companhia norte-americana, em uma mudança na estratégia que a fará sentir mais o impacto das tarifas desencadeadas pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.

A montadora de veículos elétricos, liderada pelo bilionário Elon Musk, disse que reduzirá os preços dos dois modelos em 12% a 26% para tornar os carros mais “acessíveis” no maior mercado de automóveis do mundo, onde as vendas dos chamados veículos de energia nova sobem rapidamente.

A medida surge em meio às severas tensões entre China e Estados Unidos, que resultaram em tarifas adicionais impostas a a produtos norte-americanos importados para o país, incluindo automóveis, o que prejudicou a Tesla. A montadora atualmente importa todos os carros que vende no mercado chinês.

“Estamos absorvendo parte significativa da tarifa para ajudar a tornar nossos carros mais acessíveis aos clientes na China”, informou a Tesla em comunicado enviado à Reuters.

A medida marca uma mudança em relação a julho, quando a Tesla foi uma das primeiras montadoras norte-americanas a elevar preços no mercado, em respostas às tarifas. A companhia aumentou os preços dos carros Model X e S em cerca de 20%.

No mês passado, a Tesla advertiu que enfrentava problemas com a venda de carros na China por causa das novas tarifas que forçariam a companhia a acelerar os investimentos na primeira gigafábrica no exterior, em Xangai.

A montadora garantiu o local para instalação no mês passado, o que a ajudará a evitar tarifas de importação.

A companhia, que recentemente iniciou as pré-vendas do novo Model 3 na China, acrescentou no comunicado que o preço de etiqueta do automóvel partiria de 540 mil yuanes (US$ 77,9 mil) para versão com motor duplo.

Antes do aumento de preço em julho, a Tesla reduziu os preços em seus modelos na China em maio, após Pequim ter dito que cortaria as tarifas de importação para todos os automóveis.

Maior app de pagamentos da Índia enfrenta competição de Google e WhatsApp

A maior das startups indianas de pagamentos móveis, a Paytm, atraiu centenas de milhões de usuários e investimentos da Berkshire Hathaway, a companhia de Warren Buffett.

O maior desafio para seu carismático fundador, Vijay Shekhar Sharma, está começando: manter o Google, do grupo Alphabet, e o WhatsApp, do Facebook, sob controle, agora que eles decidiram batalhar por espaço na Índia, o mais quente dos mercados novos para serviços de pagamento móveis

O popular app da Paytm para smartphones, que pode ser usado para pagar por toda espécie de despesa, de corridas de riquixás motorizados a ingressos de cinema e contas de água e luz, processa cerca de 500 milhões de transações mensais em sua rede.

A Paytm, lançada em 2010 pela One97 Communications, de Sharma, domina o mercado de pagamentos online móveis da Índia desde o final de 2016.

Foi então que o primeiro-ministro indiano Narendra Modi retirou de circulação as notas indianas de valor mais ato, em uma medida de combate à corrupção, o que causou falta de dinheiro em espécie no mercado. Diante de longas filas nos caixas automáticos, os usuários correram a baixar o app da Paytm.

Sediada em Noida, Índia, e com valor de mercado estimado em US$ 16 bilhões (R$ 60 bilhões), a Paytm tem cerca de 350 milhões de usuários, e se expandiu dos serviços de pagamento a operações como fundos mútuos e até no mercado de ouro.

O investimento de cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,12 bilhão) que a empresa de Buffett realizou expandiu a lista de investidores da Paytm, que já incluía o SoftBank do Japão e o gigante chinês Alibaba e sua afiliada de serviços financeiros Ant Financial Services.

Sharma, que descobriu a cultura empreendedora do Vale do Silício lendo revistas de negócios americanas antigas, quando estudante em Déli, diz que seus investidores internacionais o inspiram, e deseja criar um sistema de pagamentos que prospere ao resolver os problemas dos usuários locais.

“O que a Ant fez, o que o Alibaba fez, precisa ser feito na Índia”, disse Sharma, em referência aos gigantes dos pagamentos e do comércio eletrônico na China.

Ansioso por conquistar espaço no mercado de sistemas móveis de pagamentos naquela que muitos consideram como a última grande economia mundial em que a internet ainda não está sendo explorada plenamente, o Google no ano passado lançou um app de pagamentos na Índia.

É o primeiro esforço do Google para permitir que usuários transfiram dinheiro sem que necessitem de cartões de crédito ou de débito, algo de que muitos indianos não dispõem. O serviço atraiu 25 milhões de usuários até agora.

Um dia depois que a companhia de Buffett anunciou seu investimento na Paytm, o Google informou que redobraria esforços quanto ao seu app de pagamento na Índia, com a oferta de serviços expandidos, tais como empréstimos ao consumidor.

Caesar Sengupta, vice-presidente da iniciativa Próximo Bilhão de Usuários do Google –cujo objetivo é conquistar a nova geração de usuários de internet que conseguiram acesso via smartphone, em mercados emergentes –, disse em entrevista quando do lançamento da nova iniciativa que “a Índia está testemunhando uma transformação espantosa. O futuro da internet está sendo refletido bem aqui”.

Enquanto isso, o WhatsApp, que tem cerca de 200 milhões de usuários na Índia –mais do que em qualquer outro país –lançou um sistema que permite que usuários conectem seus apps a suas contas bancárias e realizem pagamentos via chat. A empresa espera expandir sua fase experimental em breve.

O WhatsApp não revela quantas pessoas estão usando seu recurso de pagamentos no momento, mas analistas o veem como ameaça à Paytm por conta do grande pool de usuários que já usam o serviço de mensagens avidamente.

Mesmo consumidores com grau limitado de alfabetização são capazes de usar a interface simples e intuitiva do WhatsApp para trocar mensagens, e realizar pagamentos é apenas um passo a mais.

O novo recurso de pagamentos do WhatsApp “dá às pessoas uma maneira realmente simples de enviar dinheiro umas às outras e com isso contribui para uma inclusão financeira maior”, disse Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook, em conversa telefônica com analistas durante o anuncio de resultados de sua empresa em julho.

“Será uma tarefa difícil para a Paytm crescer no mesmo ritmo conseguido até agora, daqui por diante”, disse Neil Shah, analista do grupo de pesquisa Counterpoint.

“Agora temos gigantes entrando na festa”, ele diz, e a Paytm pode enfrentar dificuldades para manter a lealdade dos seus clientes diante das novas opções disponíveis.

A Paytm tem vantagem sobre as grandes empresas internacionais por ter começado mais cedo, por compreender os rivais locais e por estar construindo uma plataforma que vai além dos pagamentos online, disse um porta-voz da empresa.

Os usuários podem usar o app para pagar suas mensalidades escolares, obter empréstimos e recarregar seus celulares pré-pagos. A Paytm argumenta que as empresas mundiais têm foco principalmente nos pagamentos online, e não nos demais serviços.

O mercado indiano é digno de esforço, já que centenas de milhões de cidadãos do país estão chegando à internet pela primeira vez e começam a realizar transações online, por obra da queda dos preços nos serviços móveis de dados e dos smartphones.

“Os pagamentos digitais estão em disparada na Índia”, e “prontos para estourar”, afirmou o banco Credit Suisse em uma nota de pesquisa em fevereiro. Eles devem crescer em quase 500%, para US$ 1 trilhão em 2023, de acordo com o relatório do banco.

O Google e o WhatsApp não são os únicos desafiantes da Paytm. A Flipkart, gigante indiana do comércio eletrônico na qual o grupo americano de varejo Walmart adquiriu participação acionária, tem um serviço de pagamentos online, e duas das maiores operadoras de telecomunicações indianas, a Bharti Airtel e a Reliance Jio Infocomm, também oferecem sistemas de pagamento online.

No episódio mais recente da disputa, um executivo da Paytm escreveu à National Payments Corporation of India, ou NPCI, na sigla em inglês, a organização estatal que cuida da compensação de todas as transações financeiras no país, para expor preocupações sobre os dados que o sistema de pagamentos do Google teoricamente recolheria, de acordo com uma carta vista pelo The Wall Street Journal.

O app do Google “afeta a privacidade dos usuários indianos e a segurança do país”, dizia a carta.

Uma porta-voz da Paytm se recusou a comentar, assim como um porta-voz do Google e um porta-voz da NPCI.

Se gigantes da tecnologia como o Google e o WhatsApp puderem combinar os dados sobre pagamentos a outras informações de que dispõem sobre os usuários de seus diversos serviços, isso poderia lhes propiciar vantagem na personalização de serviços, disse Shah, da Counterpoint.

Redação Dinheirama
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários