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Nosso destaque são os dados negativos da Apple na China.

Entenda por que a Apple enfrenta dificuldades na China

Quando a Apple divulgou um aviso na quarta-feira (2) de que sua receita no quarto trimestre de 2018 seria até 10% mais baixa que o esperado, a empresa atribuiu o problema principalmente à desaceleração da economia chinesa.

“Embora antecipássemos alguns desafios em mercados emergentes importantes, não prevíamos a magnitude da desaceleração econômica, especialmente na região da China”, disse Tim Cook, o presidente-executivo da companhia.

Analistas questionaram se a culpa podia de fato ser atribuída à China, mas os resultados da Apple certamente dependem bastante do maior mercado mundial para smartphones. Entenda em quatro perguntas e respostas.

A China é o maior mercado mundial de smartphones e responde por cerca de um terço das unidades vendidas no planeta.

A Apple se beneficiou de um posicionamento como marca de luxo, como produto a que os consumidores aspiram, e da ascensão da classe média do país e de outros mercados da região chinesa, como os de Taiwan e Hong Kong, que formam a terceira maior fonte de receita para a companhia.

Mas seus aparelhos custam até 12,7 mil yuan (US$ 1.856), mais que o dobro do preço dos modelos de ponta dos concorrentes.

A empresa também batalhou para satisfazer as autoridades, em um mercado tão importante. Em 2017, ela transferiu todos os dados referentes a seus usuários na China a um data center cuja construção custou US$ 1 bilhão, em Guizhou, prevendo que as autoridades adotariam normas mais severas quanto à armazenagem local de dados.

A empresa também foi criticada por retirar de sua loja chinesa de aplicativos 674 apps de VPNs, que protegem os usuários contra censura e vigilância pelo governo.

Mas o crescimento da Apple no país vem oscilando. Até agosto de 2017, a companhia havia registrado 18 meses consecutivos de queda de receita na China, o que levou alguns analistas a prever que a fabricante do iPhone estava destinada a fracassar por lá. Em seguida, porém, a empresa registrou quatro trimestres de crescimento da ordem dos dois dígitos.

Na quarta-feira, ela anunciou que sua receita mundial no quarto trimestre de 2018 deve ter atingido os US$ 84 bilhões, cerca de 5% a menos do que havia previsto inicialmente para o período.

Como a desaceleração da economia chinesa está afetando os smartphones?

A economia da China está se desacelerando por uma combinação entre queda na demanda interna e os efeitos da feroz guerra comercial com os Estados Unidos.

O setor industrial privado do país mostrou os mais recentes sinais negativos na quarta-feira, quando foi anunciado que o índice Caixin de compras industriais caiu pela primeira vez em 19 meses, em dezembro.

“A confiança dos consumidores despencou em outubro, e está no pior nível que já vi em meus 20 anos de trabalho na China”, disse Shaun Rein, diretor executivo do China Market Research Group, que pesquisa sobre o mercado chinês, em Xangai.

A queda na confiança dos consumidores afetou o mercado de celulares. Depois de oito anos de crescimento, o volume de vendas de smartphones caiu pela primeira vez, em 2017, de acordo com dados do grupo de pesquisa IDC.

As vendas continuaram a cair no ano passado, e alguns analistas dizem que essa desaceleração afetou a Apple de maneira mais agressiva.

“O mercado geral está se desacelerando, e a Apple ainda mais”, disse Kiranjeet Kaur, diretora sênior de pesquisa do IDC para a região Ásia-Pacífico, apontando para a crescente concorrência oferecida por marcas locais como Huawei e Xiaomi.

Empresas chinesas, coma a Huawei e Xiaomi na liderança, roubaram mercado à Apple.

A Huawei ultrapassou a fabricante do iPhone pela primeira vez no ano passado e se tornou a segunda maior fabricante mundial de smartphones, atrás apenas da Samsung.

Como a Xiaomi, o grupo sediado em Shenzhen vende aparelhos muito mais baratos que os da Apple —os modelos da Huawei custam até 50% a menos que os produtos da companhia americana.

O serviço de pesquisa FT Confidential também constatou que os consumidores chineses estão menos dispostos a pagar para trocar seus aparelhos por modelos mais novos do iPhone, mas que se dispõem a comprar os modelos mais antigos e mais baratos. Apenas 1,1% dos respondentes, em uma pesquisa conduzida pelo FT Confidential, disseram que se disporiam a gastar 10 mil yuan ou mais em um smartphone novo, o que prejudica uma das fontes de receita cruciais da empresa.

Mas os analistas dizem que, além de derrotar a Apple no preço, as empresas chinesas também estão inovando mais rápido.

Por exemplo, a Huawei oferece celulares que aceitam dois chips há mais de uma década, enquanto a Apple só adicionou essa função aos seus novos modelos em setembro.

Os mais recentes modelos da empresa chinesa também oferecem múltiplas câmeras, identificação por impressão digital e até mesmo recargas de bateria sem fio, nas quais um aparelho pode ser usado para recarregar outros.

“À medida que as exigências dos consumidores chineses crescem, eles se tornam mais sofisticados na percepção da relação entre preço e qualidade”, disse Guan Yiting, analista de smartphones no grupo de pesquisa de mercado Canalys.

“A Huawei lançou novos modelos com baterias de grande duração e chipsets novos e mais rápidos por preços da ordem dos quatro mil yuan (US$ 580)”, ela acrescentou. “O iPhone da Apple já não é tão atraente —os consumidores chineses dispõem de mais alternativas”.

As vendas de smartphones da Huawei cresceram em 24%, em termos de valor, no terceiro trimestre de 2018, ante apenas 8% para a Apple, de acordo com a IDC.

guerra comercial entre China e Estados Unidos prejudicou a economia chinesa em geral, mas alguns analistas acreditam que tenha prejudicado as vendas da Apple diretamente.

Uma onda de patriotismo surgida quando a disputa comercial começou —e especialmente desde que Meng Wanzhou, vice-presidente de finanças da Huawei, foi detida em dezembro por causa de uma solicitação de extradição americana— levou alguns consumidores a optar por marcas locais.

Uma empresa de tecnologia sediada em Zhejiang proibiu explicitamente seu pessoal de comprar iPhones, e ofereceu subsídios para a compra de aparelhos da Huawei. Alguns restaurantes também oferecem descontos a fregueses que tenham celulares Huawei.

Embora os analistas digam que o efeito disso é mínimo, ainda assim há um reflexo negativo sobre a recepção que a Apple encontra na China.

‘O inverno está chegando para a economia chinesa’, diz fundador da Baidu

A mensagem de ano novo do presidente executivo do buscador chinês Baidu aos seus funcionários não foi muito otimista. “O inverno está chegando”, disse Robin Yanhong Li, em referência à desaceleração da economia chinesa. A informação é do jornal chinês South China Morning Post.

Na mensagem, escrita na quarta-feira (2), ele afirmou que a reestruturação econômica é “tão fria e real quanto o inverno, para todas as empresas”. Mas Robin Yanhong Li não foi totalmente pessimista: “a transformação histórica da inteligência artificial está penetrando em várias indústrias, possibilitando um potencial enorme de crescimento e espaço para melhorias”.

Segundo o jornal chinês, o executivo também fez referência a um provérbio chinês, que diz “somente quando o ano esfriar vemos as qualidades do pinheiro e do cipreste”.

Hackers vazam dados pessoais de Angela Merkel e centenas de políticos alemães

Na quinta-feira (3), autoridades alemãs foram alertadas sobre um grande vazamento de dados que continha informações pessoais sobre artistas, figuras da mídia e políticos – incluindo a chanceler Angela Merkel.

O episódio tem sido considerado “o maior vazamento de dados” da história da Alemanha e parece ter informações muito valiosas que podem ser utilizadas para roubo de identidade.

As primeiras reportagens e tuítes identificaram a fonte de vazamento em uma conta do Twitter, que já foi suspeita. A arroba era “@_0rbit” e o nome de usuário era “G0d”. De acordo com diversas reportagens, a conta começou a publicar os dados em dezembro.

Entre as informações roubadas estão endereços de e-mail, documentos, correspondências privada, informações de cartão de crédito, senhas, informações de pessoas da família e até fotocópias de documentos de identidade. Membros de praticamente todos os partidos políticos do Parlamento alemão, jornalistas da TV, músicos e estrelas do YouTube foram afetados.

Embora a conta no Twitter e um blog ligado ao perfil tenham sido removidos, as informações ainda estão relativamente fáceis de encontrar. Um pesquisador de segurança no Twitter observou que o vazamento foi muito trabalhoso – há centenas de links alternativos que dificultam a remoção do conteúdo. Pelo menos um link que Gizmodo viu no Imgur desapareceu minutos depois.

A maioria dos documentos está em alemão, e não está claro se tudo é autêntico. O deputado Florian Post disse ao jornal alemão Tagesschau que pelo menos um dos documentos atribuídos a ele no vazamento não é autêntico, mas confirmou que muitas outras informações estavam corretas.

De acordo com o Guardian, um porta-voz do governo disse à mídia que “nenhuma informação sensível” da chanceler Merkel foi publicada, mas apenas o fato de identificar seu e-mail pessoal e seu número de fax – ambos disponíveis no vazamento – poderia dar a um hacker informações o bastante para atingi-la.

Ainda não está claro qual é a motivação daqueles que fizeram o vazamento, nem como eles coletaram as informações. De acordo com Bloomberg, a ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, afirmou que “os perpetradores querem minar a confiança na nossa democracia e nas nossas instituições”.

Redação Dinheirama
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