Um dos vencedores do prêmio Nobel de Economia, Robert Shiller, afirmou no mês passado que o Brasil pode estar vivendo um bolha imobiliária semelhante àquela vivida pelos Estados Unidos, e que deu origem a crise econômica de 2008.

“Suspeito que haja uma bolha imobiliária no Brasil. Os imóveis mais que dobraram de preço no Rio de Janeiro e em São Paulo nos últimos cinco anos [segundo números da pesquisa FipeZAP]. O que aconteceu em cinco anos de tão dramático para os preços subirem assim? A inflação não foi muito menor? Os preços caíram 25% em Los Angeles e Nova York no mesmo período. E por que os preços no Brasil foram para cima ininterruptamente?”, indagou Shiller.

Apesar dos indícios apontados, Shiller afirmou que não poderia ter certeza sobre uma bolha imobiliária em andamento no país.

“Eu não posso cravar que exista uma bolha no Brasil porque não conheço a fundo as características do mercado local. Mas comparando os dados brasileiros com os de outros países, posso dizer que a alta sugere cautela. Os preços dos imóveis no Japão tiveram o mesmo movimento na década de 1980 e depois, no início dos 1990, começaram a cair sem parar e perderam dois terços do valor até agora. São pessoas que investem em imóveis, não são “hedge funds”. Você acha que os preços dobraram por fundamentos econômicos ou por um movimento psicológico?”, ele completou.

Por outro lado, investidores brasileiros rebatem as informações de Shiller dizendo que não há uma bolha imobiliária no Brasil e que o que há aqui é um despreparo das construtoras que não souberam melhorar seus investimentos quando ouve aporte financeiro.

De acordo com uma recente matéria na Exame, no primeiro semestre deste ano, das 20 construtoras e incorporadoras listadas na Bolsa relacionadas pela consultoria Economática, sete apresentaram prejuízo na primeira metade do ano e cinco viram seu lucro cair em relação ao mesmo período do ano passado. Por enquanto, o Índice Imobiliário (IMOB) tem o pior desempenho entre os índices setoriais da Bovespa, em 2013.

Mas o desempenho tortuoso não estaria, necessariamente, ligado a uma bolha. “Os níveis atuais de preço, no mercado imobiliário, não condizem com a evolução da renda, isso sinaliza um excesso de valorização nos preços de imóveis, mas para chamar de bolha, estamos longe”, afirmou Marcelo Torto, analista da Ativa Corretora. Apesar do crédito imobiliário ter crescido 37% entre janeiro e julho, no Brasil, a representatividade dele em relação ao PIB é de 7,5%.

No final de 2009 e começo de 2010, algumas construtoras estavam com o caixa robusto em decorrência das ofertas públicas de ações em 2007 – ano em que o setor dominou os IPOs. Com dinheiro e incentivos do governo, foram realizados muitos lançamentos e com eles, em alguns casos, vieram os problemas.

“A partir de 2008, com capital estrangeiro, muitas construtoras tiveram grandes aportes de capital e começaram a investir sem bom direcionamento”, afirmou Marcelo. Esse ciclo de investimentos está se encerrando agora, mas, mesmo assim, o atual cenário para as construtoras é negativo, para o analista.

De acordo com a Ativa, as empresas que estão se saindo melhor são as que não tiveram grandes aportes de capital no passado (e um crescimento desordenado). Atualmente, a corretora não tem nenhuma recomendação de compra entre as construtoras.

“O grande problema é que o boom dos preços me parece que já passou”, disse Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora. Para Galdi, o excesso de novos empreendimentos, associado ao maior volume de imóveis usados sendo vendidos, interrompe o eventual ajuste de preços, mas os preços tendem a se reajustar.

“A bolha não vai estourar, se assim podemos dizer, mas os preços tendem a se ajustar a maior oferta de imóveis para baixo”, afirmou.

E ai, qual é a sua opinião? Você acha que há, no Brasil, uma bolha imobiliária? Os preços no Brasil dos imóveis estão altos por conta de especulação imobiliária ou mais pelo déficit habitacional e aumento da renda dos brasileiros? Deixe sua opinião abaixo.

Fontes: Uol Economia e Exame. Foto real estate bubble, Shutterstock.

Igor Oliveira
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