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Bolsa de Valores: Buy and Hold não é Buy and Forget

por Fábio Portela
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Um erro comum de muitos investidores é confundir um investimento para o longo prazo com o compromisso absoluto com a manutenção daquele investimento na carteira. Esse pode ser um erro fatal, principalmente para investidores principiantes que buscam adotar a estratégia Buy and Hold no mercado de ações.

O princípio básico da estratégia Buy and Hold pode ser facilmente compreendido: ela prescreve que o investidor compre ações de empresas com bons fundamentos e permaneça com essas ações em um horizonte de prazo longo – na melhor das hipóteses, indefinidamente, enquanto os bons fundamentos permanecerem.

Perceba que há algumas condições explícitas no conceito:

  1. A ação a ser comprada precisa ter bons fundamentos;
  2. O horizonte de prazo é indefinido, desde que;
  3. Os bons fundamentos permaneçam.

Muita gente ao criticar a estratégia Buy and Hold, se esquece da conexão necessária que existe entre as condições (2) e (3). O investidor só deve permanecer com uma ação em sua carteira por anos a fio se a empresa permanecer com bons fundamentos.

Como muitos investidores (principalmente os iniciantes) se esquecem de verificar se os fundamentos das empresas permanecem os mesmos ao longo do tempo, terminam por sofrer fortes prejuízos e por amaldiçoar a estratégia Buy and Hold. Mas, ao deixar de examinar os fundamentos das empresas em que investiram, estavam na verdade utilizando uma outra estratégia: Buy and Forget, ou “comprar e esquecer”. E essa é uma estratégia muito, muito arriscada.

Temos vários exemplos de empresas que tiveram bons fundamentos no passado, mas que hoje têm fundamentos ruins e dificilmente poderiam continuar na carteira de alguém que use a estratégia Buy and Hold.

O caso mais notório no Brasil é o das ações da Petrobras, cujos fundamentos eram espetaculares até 2006, mas desde então começaram a ruir. Um holder já teria se desfeito das ações da companhia há um bom tempo porque vários sinais de deterioração já estavam claros há algum tempo – como o aumento da dívida, a diminuição nos lucros e a redução do ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

Um holder jamais deixa de examinar a qualidade das ações que compõem sua carteira. Deixar de fazer isso é loucura no mercado de ações. Tenha em mente que uma empresa fantástica hoje pode estar arruinada amanhã.

Foto “Investor celebrating”, Shutterstock.

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