Seu bolso e a economia: falando de tendênciaO primeiro semestre de 2013 para o mercado secundário de ações brasileiro foi extremamente danoso, com o índice Bovespa mergulhando em queda de mais de 22% em seis meses seguidos de perdas.

Temos que ressalvar o efeito produzido no índice pelas ações de Petrobras e OGXP, dentre outras. A primeira necessitando de aumento de preços de derivados não autorizados pelo governo e a segunda diante do caos que tomou o grupo EBX, de Eike Batista.

Ainda assim, tivemos desempenho bem pior que outros importantes mercados do mundo, muito em função de indicadores de conjuntura ruins, notadamente a inflação alta e persistente e contas externas e internas em franca deterioração.

Apesar disso, veio o segundo semestre e o Ibovespa conseguiu mostrar dois meses seguidos de pequenas altas (chegando ao terceiro), mas que devem ser comemoradas.

Isso ocorreu muito em virtude da recuperação econômica americana, desaceleração controlada da China (ainda com crescimento acima de 7,5% do PIB em 2013), início de recuperação da economia do Japão, com crescimento anualizado do PIB de 3,8% e alguns sinais de melhora emitidos pela Europa, especialmente Alemanha e Reino Unido.

Sobre Europa, temos que considerar que o processo é assimétrico e que alguns países ainda vão mostrar recessão em 2013, como Espanha e Portugal. Porém, a zona do euro, que inclui 17 países, já conseguiu sair da recessão no segundo trimestre de 2013, com crescimento confirmado de 0,3%.

A situação que se coloca é o que esperar para o restante do ano. Evidentemente que nossa bola de cristal não mostra situação muito clara, mas podemos nos aventurar em algumas hipóteses. Três grandes discussões estão para ter paradeiro no curto prazo:

  • Síria. A postura dos países desenvolvidos e da ONU pode definir a situação de equilíbrio na região e certamente afetará preços de commodities e metais nobres, principalmente, mas também o equilíbrio de moedas e mercados acionários;
  • Redução de estímulos. O FED (Banco Central norte-americano) está em vias de começar a retirar estímulos de flexibilização monetária e isso alterará o mercado de câmbio e modificará a estrutura de juros internacional. Caso isso ocorra, não deve ser de forma abrupta e nem comprometer tudo o que já foi conquistado em termos de recuperação econômica;
  • Teto de Endividamento. Essa discussão nos remete ao entendimento entre a Casa Branca e o Congresso americano, já que a previsão é que o teto de endividamento seja atingido em meados de outubro, com a dívida chegando a US$ 17 trilhões. Não é racional projetar “default” para os EUA, mas provavelmente a situação é de deixar Obama ainda refém do Congresso com autorizações curtas de novo teto.

No que tange ao Brasil, as indicações são de manutenção do modelo econômico, com alguma ênfase para investimentos, basicamente os relacionados com infraestrutura e concessões de portos e aeroportos, rodovias e ferrovias.

Contudo, a recepção do setor privado não tem sido das melhores, já que houve muita mudança em marcos regulatórios, há atrasos em obras públicas e licenças ambientais; e as taxas internas de retorno (TIR) sugeridas pelo governo nas concessões ainda não são atrativas ao capital local e externo.

Bem, colocando tudo isso no liquidificador, minha expectativa é que teremos um segundo semestre melhor para o mercado acionário local, aproveitando para surfar um pouco nessa onda de recuperação econômica global, principalmente para setores ligados ao segmento de commodities.

Todavia, não guardo muita esperança de que seja suficiente para zerar as perdas do primeiro semestre. De outra feita, com taxa cambial melhor controlada e certo alívio na inflação, será possível para as empresas ganharem competitividade, já que certamente não teremos reforma fiscal de fundamental importância.

Como se vê, isso nos remete à expectativa de manutenção da volatilidade e grande dificuldade das pessoas físicas na escolha das opções de investimento. Assim, minha sugestão é entregar boa parte dos recursos destinados ao investimento para competentes gestores.

Sugiro avaliar e usar a ferramenta de comparação de fundos de investimento que disponibilizamos em nosso site (www.orama.com.br), para escolha da melhor alternativa de risco e retorno.

Para todos nós, resta a opção de escolha e lembro frase de Hugh Macleod que dizia que “o preço de ser uma ovelha é o tédio. O preço de ser um leão é a solidão. Escolha um ou outro com muito cuidado”. Até a próxima.

Foto financial symbols, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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