Caro leitor do Dinheirama, prepare-se porque hoje estou ácido! Vou escrever novamente sobre um mesmo assunto (quase um “remake”), porque tenho uma esperança juvenil de que “água mole em pedra dura”… você sabe.

Hoje ouvi no rádio algo que está em pauta há muito tempo e que, de tão absurda, a discussão passa ser hilária. O que ocorre é que existe uma forte corrente de pessoas que acreditam que a responsável pelo aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre os menores de idade é a propaganda.

Em resumo, estamos assumindo publicamente que somos boçais e não temos capacidade de discernir o certo do errado, o bom do ruim. É isso? Somos bobocas incapacitados e ponto? Não é hilário assumirmos que somos obtusos de modo que não conseguimos decidir o que é melhor para nós mesmos?

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Toda vez que ouço disparates desse nível fico impressionado. A humanidade está cada vez pior, envolvida em um processo de regressão mental sem precedentes. Ninguém mais pensa; parece que essa atividade se tornou difícil demais.

O novo jeito de pensar mostra que é mais fácil se contentar com a primeira fórmula milagrosa para corrigir as mazelas sociais do que pensar numa alternativa.

Ora caro leitor, veja que essas pessoas (ou entidades) não estão preocupadas em ir mais fundo no problema, em avaliar todas as variáveis e tentar fazer algo; elas estão preocupadas apenas em eleger culpados e assim promover (e se autopromover) uma cura rápida e indolor. As coisas não funcionam bem assim e, no fundo, mesmo com essa boçalidade disseminada, todo mundo sabe disso.

Fato: o consumo de álcool aumentou entre os jovens. Mas será que ninguém parou para pensar que a população mundial triplicou nas últimas décadas? Que com mais pessoas no mundo, todos os números aumentam? E qual a confiabilidade dessas pesquisas?

Meus descendentes mais velhos (que já estão mortos) fumavam desde os 11 anos de idade e muitos (pasmem!) com o consentimento do pai. Estamos falando de pessoas que tinham 11 anos em 1930, quando a propaganda ainda se resumia a cartazes escritos à mão nas portas das “vendas”. Quem os incentivou a fumar? E a beber?

Pois é, hoje é a mesma coisa. A primeira propaganda (e a mais eficiente delas) ocorre dentro de casa, a partir do nascimento das crianças. Ver os pais beberem é muito mais estimulante que qualquer propaganda na TV, pois ali se experimenta a sensação clara de que beber é bom.

E então, o que vamos fazer? Estabelecer o rótulo “impróprio para menores de 18 anos” aos churrascos da família e proibir que as crianças participem? O engraçado é que ninguém precisa fazer campanha para dizer que comer merda é ruim.

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O problema é muito mais profundo e a propaganda é o menor dos males. É atirar para o lado errado. É como culpar os filmes de ação pela violência ou o fast food pela obesidade da população mundial (já falei disso em outra oportunidade). É simplesmente mascarar a verdade e, mais uma vez, declarar o ser humano um completo imbecil.

Pouca gente quer discutir o problema real, que é o seguinte: os filhos aprendem a beber ou a gastar sem regras dentro de seu próprio convívio social e familiar. Não são necessárias propagandas para alguém virar consumista!

Desde que o mundo é mundo os jovens bebem, fumam, se drogam e gastam o que não têm. A diferença é que hoje a população aumentou muito, temos dados estatísticos para tudo e um sistema ultraeficiente para divulgar esses estudos (e opiniões estapafúrdias).

O problema real não tem uma solução fácil, pois o ser humano foi assim, complexo, e a cada dia que passa o nível intelectual das pessoas parece regredir. Você já reparou como as músicas pioram e os filmes de maior sucesso são os mais cretinos? Cada vez mais nos contentamos com menos qualidade porque o foco passou a ser a quantidade.

Temos que parar de ficar discutindo coisas que nunca nos levarão a lugar algum e tentar fazer a nossa parte (e mais) o melhor que pudermos. Um mundo ideal não existe e nunca existirá.

Bêbados, drogados, assassinos, corruptos e endividados fazem parte da humanidade desde os primórdios. A matemática é cruel: quanto mais pessoas no mundo, mais bandidos existirão; aritmética de ensino fundamental.

Ainda acredito que existem mais pessoas boas que más, senão o mundo pararia. No entanto, essa coisa de culpar o meio e não o autor para mim é demais.

Quando vi, há alguns anos (também já falei disso), que nos Estados Unidos estavam processando o McDonald’s pela morte de pessoas obesas, comecei a entender o quanto o mundo é cretino. É tão absurdo quanto querer processar o Sol pelo câncer de pele!

Ah, isso me lembra o caso dos jogos de azar no Brasil. São proibidos porque se deixam de gerar bilhões em impostos e milhares de empregos? Perde tudo no jogo quem quer, ora bolas.

Nós clamamos tanto pela liberdade de ir e vir, mas não percebemos o tamanho da jaula em que nossa preguiça está nos metendo.

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Em tempo: antes que alguém fale “Mas a venda de cigarro diminuiu depois que a propaganda foi proibida”, eu já me adianto: você se lembra que o governo elevou os impostos sobre o cigarro a níveis absurdos (o que aumentou muito o preço final) e o contrabando de cigarro ilegal (barato) também bateu recordes?

Então pergunto: será que o consumo diminuiu mesmo ou apenas o consumo do cigarro vendido legalmente caiu? Como confiar nos dados? E o fato das pessoas estarem querendo cuidar mais da saúde, nada tem a ver com isso?

Temos que refletir melhor sobre essas questões e assumirmos nossa responsabilidade diante dos nossos problemas reais (e os da sociedade), pois o mundo só tende a piorar se continuarmos com preguiça de pensar e apenas culpando o vizinho. Um abraço, e até a próxima.

Renato De Vuono
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