dinheirama-post-chega-burocraciaPor Gustavo Chierighini (@GustavoChierigh), fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caro leitor, como já afirmei aqui em mais de uma ocasião e de forma muito direta, em um país onde o estado (em todas as suas esferas e independentemente de agremiações partidárias) é tão onipresente e dotado de tanto poder discricionário, muito pouco importa mais do que aquilo que acontece ou trafega nos escaninhos e repartições públicas dos poderes institucionais.

Você pode espernear, divergir ou quem sabe direcionar a raiva para este que vos escreve, mas a realidade se impõe. Quem ainda não viveu tensos momentos de ansiedade diante dos efeitos que seriam originados em uma provável nova portaria oficial, bem, desculpem-me pela sinceridade, ainda não amadureceu para o mundo dos negócios – ao menos no Brasil.

A verdade, meu caro leitor, é que enquanto perdíamos – e perdemos – tempo nos submetendo à bota da ditadura do politicamente correto, enquanto desperdiçávamos – e desperdiçamos – energia e neurônios assimilando as novas modinhas de gestão, um universo paralelo aficionado por carimbos, chancelas, protocolos e louco para regular  (muito além do que o bom senso determina) e burocratizar não dormiu no ponto.

No lugar disso, trabalharam, árdua e disciplinadamente. Uma verdadeira usina de ideias, imune ao besteirol corporativo, extremamente criativa, mas sobretudo dotada da força esmagadora que a autoridade pública confere.

E com isso construímos um contexto perverso, onde a competitividade tão almejada se parece cada vez mais com um sonho hermético do que com uma realidade palpável, que se pavimenta ao longo de uma trajetória. Aos poucos vai se tornando algo edílico, distante, imensurável.

Chamo isso de a “conta da não participação”. É a teoria do vácuo em estado bruto. Alguém sempre o ocupa. Trocando em miúdos, quando você não participa da sua vida, alguém participa por você. Simples assim.

Poucas são as iniciativas sérias e consistentes no sentido contrário, elevando a voz do empresariado em prol da desburocratização. Um excelente exemplo é o movimento Brasil + Competitivo, que tenta arduamente emplacar o projeto de lei 6550/13 que objetiva facilitar o acesso das pequenas e médias empresas ao mercado de capitais e consequentemente ao capital de crescimento.

Enquanto isso, diante da efervescência do ano que se aproxima e as eleições, gostaria de oferecer uma temática tanto para a oposição, quanto para a situação: a luta pela desburocratização.

Já empunhamos a bandeira do “tudo pelo social” e tantos outros slogans. Mas é chegada a hora de destravarmos o processo empresarial.

Nenhum vetor trará mais prosperidade, equilíbrio na oferta de oportunidades e equidade social do que um universo empreendedor forte, atuante e turbinado em suas perspectivas. Sem maluquices anti-regulatórias, naturalmente, mas longe da camisa de força onde nos enfiamos.

Foto: Shutterstock, Midsection of businesswoman with binders at office.

Plataforma Brasil
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