dinheirama-post-artigo-alvaro-brasilEssa semana e a próxima parecem ser cruciais para definição do comportamento da economia brasileira e, claro, dos mercados de juros, câmbio e bolsa.

O ministro Mantega anteriormente tinha prometido que divulgaria os cortes do orçamento de 2014 e a meta de superávit primário até 20/02, véspera de seu embarque para a reunião do G-20 (20 maiores economias) em Sidney.

Mais recentemente, ele não quis se comprometer com outra questão crucial, qual seja se haverá ou não repasse para tarifas dos aumentos de custo de energia, após o maior despacho de energia de térmicas.

Importante será não somente especificar os contingenciamentos, como mostrar cortes de despesas (em vez de jogar com crescimento de receitas, não raro extraordinárias).

Será complicado compatibilizar a expansão no PIB prevista no orçamento com a queda frequente das projeções de crescimento que já estão circulando para 2014 ao redor de 1,5%. Cortar vai ficar ainda mais difícil se levar em conta o repasse para distribuidoras de energia, algo como R$ 10 bilhões.

Derivado disso virá a meta de superávit primário. Em 2013, foi anunciado com “pompa e circunstância” pelo ministro um superávit primário de 1,9% do PIB, no montante consolidado de R$ 91,3 bilhões, a economia feita para pagamento de juros da dívida.

Convém lembrar que em 2012 o superávit foi de 2,39% do PIB. Já o déficit nominal, após juros, foi de 3,28% do PIB, o pior desde 2009. Bom lembrar ainda que a dívida bruta brasileira está em R$ 2,7 trilhões, já rondando a casa dos 60% do PIB.

Como se pode depreender, essas decisões do governo serão bem ou mal avaliadas pelos investidores externos e empreendedores locais, daí decorrendo a percepção de recondução para melhores rumos da economia ou não.

É bom lembrar ainda que os investimentos externos diretos (IED) estão com tendência de queda (acelerada pela retomada das economias mais desenvolvidas), e já não cobrem, como no passado, o déficit em conta corrente do país.

O outro fator crucial fica por conta da reunião do Copom, que ocorre em 26/02, na qual existem dúvidas sobre a decisão que será tomada. Há quem aposte em elevação de 0,50% para a Selic (que ficaria em 11,0%), mas começa a proliferar argumentos para somente 0,25%.

Tais rumores decorrem de declarações de Tombini que os efeitos das altas desde abril começam a surtir efeito, e da sinuca do baixo crescimento com inflação alta, com o país rondando a recessão técnica (vide prévia do índice IBC-BR).

Do melhor ou pior dimensionamento de tais questões vai decorrer a performance dos mercados, com ajustes nos juros dos DIs, câmbio e também para a Bovespa, que anda bem defasada de outros mercados importantes do mundo.

Certamente isso irá mexer com as expectativas dos investidores e o dimensionamento de suas carteiras para emergentes e principalmente Brasil.

Em função de tudo que escrevi, sugiro baixar em no site o eBook gratuito “Cenários e Investimentos para 2014” (clique para download) que preparamos sobre a situação das principais economias e, dentro do cenário traçado, as diferentes alternativas de investimento para 2014. Obrigado e até a próxima.

Foto Shutterstock. Financial Analysis with graphs and data of industrial growth.

Alvaro Bandeira
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