Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Dizem por aí que empresário que não olha para frente tropeça nas cascas de banana que não foram percebidas alguns metros antes – uma afirmação dogmática demais ao gosto deste que vos escreve.

Seguir “ao pé da risca” afirmações do senso comum acabam por induzir o crédulo empreendedor a não olhar para os lados, nem na diagonal e muito mesmo nos pontos cegos.

Não é por outro motivo que a classe empresarial brasileira comumente acorda assustada, arrecadando mais e mais impostos, suportando mais e mais taxas, seguindo novas e delirantes exigências burocráticas.

Ao olhar apenas adiante, caminhamos como um gado otimista e hipnotizado em produzir, mas corroído pela falta total de aposta da máquina pública, que praticamente nada ou quase nada nos dá – mas tudo exige – em troca de uma das mais altas cargas tributárias do planeta.

Fatos comprovados e vividos que trazem na sua esteira um custo altíssimo para a nossa competitividade, com excedente de mão de obra desqualificada, altíssimo custo de produção, relações trabalhistas engessadíssimas, juros elevados para manter a persistente inflação na coleira, infraestrutura deficiente e insegurança jurídica para todos os gostos. Uma salada complexa e indigesta, não há dúvida.

Mas talvez se decepcione a partir daqui o leitor que espera um fechamento para o texto apenas contendo a catarse que este rosário de verdades e desgraças pode proporcionar. Sim, caro leitor, ousarei avançar com uma mensagem de otimismo, mas acompanhada de um alerta.

Da mesma forma que torço o nariz quando observo um mar de otimismo e certa euforia, com imagens do Cristo Redentor subindo aos céus como um foguete em uma revista estrangeira de alcance internacional, me encho de esperança quando observo a expressão de apreensão e receio de empresários e executivos diante do cenário real e conturbado que vivenciamos.

Que cenário real é esse? O de ajuste fiscal, com direito a assistir o esquerdismo dogmático radical “pagando a língua” diante de políticas liberais inquestionavelmente acertadas e exigidas.

Cenário em que o mesmo esquerdismo também parece apavorado com a possibilidade da perda do “grau de investimento” de alguma agência de rating relevante. Quem diria, hein?

Cenário de uma oposição ativada (mesmo que seja oriunda da própria base de apoio do governo), curvando e soterrando qualquer projeto de hegemonia política. Cenário de distintas classes sociais tomando as ruas rogando por menos estatismo, menos dogmas e manipulação de classes e contenção da roubalheira.

Cenário em que membros expressivos do partido político dominante expressam publicamente repúdio, com forte senso crítico. Trata-se, portanto, da velha e boa democracia liberal ocidental, revitalizada na voz e nos anseios legítimos do brasileiro comum pagador de impostos.

Qual o motivo para o meu otimismo? Ele é óbvio e está diretamente relacionado ao senso comum dominante da necessidade de se fazer a lição de casa, de plantar antes de colher, da hora e da vez da formiga e menos da cigarra (obrigado Jean de La Fontaine).

Não tenham dúvida, é um grande momento de oportunidades, de restauro do senso de liberdade e responsabilidade econômica (fiscal, monetária e de impacto microeconômico); oportunidades que fizeram e fazem as grandes nações.

Não defendo a não percepção dos problemas, pelo contrário, acho justamente que sua entrada no radar e seu enfrentamento é que fazem a cigarra sair de cena, e a formiga entrar no palco, ainda que meio cansada e bocejando de tanto ter avisado sobre os efeitos do oba-oba generalizado.

Agora precisamos enfrentar a realidade que construímos com nossa ingênua permissividade e seguir em frente mais sábios e mais críticos. Um grande momento de construção se aproxima, que torço para que se apegue em nossa cultura de uma vez por todas, pois as grandes nações estão sempre construindo sua solidez, mesmo no momento da colheita.

No frigir dos ovos, todos ganharão: empresários crédulos na maluquice do estatismo que aprendem uma cara lição; partidos políticos da situação que perdem força para depois se reciclarem; ideólogos da hegemonia política que amargam a derrota se rendendo ao pluralismo democrático; e aqueles da oposição que aprendem a fazer oposição sem a qual não há democracia saudável.

Parece que a cigarra está em baixa, finalmente. Um abraço e até o próximo!

Foto “Brazil storm”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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