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Brasil e Mercosul: chegou a hora do “Braxit”?

por André Massaro
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Estamos vivenciando uma das semanas mais agitadas do Brasil, com as movimentações contra e a favor do impeachment do governo em níveis crescentes de efervescência.

Um comentário interessante, que surgiu esta semana, é a possibilidade de o Brasil ser suspenso temporariamente do Mercosul em caso de impeachment, hipótese que foi levantada, inicialmente, pela representante da Argentina.

Ao ver a nota na imprensa, minha reação imediata foi fazer um comentário sarcástico nas redes sociais, sugerindo que o Brasil não sofresse uma suspensão temporária, mas sim uma expulsão em caráter permanente, pois seria uma boa forma de nos livrarmos das “más-companhias” do Mercosul.

Na União Europeia (aquela que o Mercosul queria copiar, mas nunca chegou nem perto), a Inglaterra discute sua possível saída do bloco, em um movimento que vem sendo chamado de “Brexit” (a saída da Grã-Bretanha). Talvez seja um momento interessante para pensar no “Braxit” (a saída do Brasil do Mercosul).

As coisas até parecem estar melhorando no Mercosul (bem, pelo menos do lado do nosso parceiro mais relevante, a Argentina), mas ainda é um clube de países pra lá de “perdidos” e cujos benefícios de participar nunca foram claros.

São países frágeis economicamente e que não se apoiam comercialmente. Pelo contrário, existem muitos episódios de pura “trairagem” entre membros do Mercosul. O Mercosul acaba dando, a muita gente, a impressão de ser um projeto político para atender a interesses que, definitivamente, não são da maioria da população (pelo menos do Brasil).

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Nós podemos ver a “qualidade” dos nossos parceiros pelas taxas de juros básicas dos países membros. Brasil com 14,25%, Argentina com 24,78%, Venezuela com 20,61%, Paraguai com 6,00%, Uruguai com 9,25% (dados do Banco Mundial).

Quando comparamos com as taxas praticadas nas economias desenvolvidas, a discrepância beira o absurdo, pois, com raras exceções, as taxas oscilam entre zero e 1% ao ano (isso quando não são negativas).

Mas não precisamos ir tão longe. Temos um grupo de países na América Latina que, a despeito dos problemas e da corrupção (que parece chegar a níveis incontroláveis nessa região), tomaram rumos econômicos muito mais sábios que os nossos. Largaram (ou pelo menos tentam largar) vieses ideológicos ultrapassados e adotam uma postura mais “pró-mercado”, que resulta em uma significativamente melhor performance econômica.

São países como Chile, Peru e México, cujas taxas básicas de juros são, respectivamente, 3,50%, 4,25% e 3,75%. São países que, aos trancos e barrancos, vêm fazendo a lição de casa (econômica). É aquele grupo do qual deveríamos estar próximos, mas, nesta classe de alunos latino-americanos, o Brasil optou por se juntar com os baderneiros e com a “turma do fundão”.

Tem uma frase do escritor e orador americano Jim Rohn (um dos pioneiros da área de autoajuda, motivação e desenvolvimento pessoal) que diz que “somos a média das cinco pessoas com quem passamos mais tempo”.

Se esse raciocínio valer para países também, não será difícil chegar à conclusão de que precisamos, o mais rapidamente possível, “subir essa média”.

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Foto “Mercosul”, Shutterstock.

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