Faz muito tempo que daqui desta tribuna tenho discorrido insistentemente sobre a necessidade de se fazer reformas nesse nosso Brasil. Até por vício profissional e de formação, inúmeras vezes falei sobre a urgência de reformas na política econômica, alterações na política monetária, mudanças na política comercial brasileira e até reforma trabalhista. Notem que todas muito correlacionadas com a economia.

Confesso que poucas vezes abordei a necessidade de fazermos uma reforma política profunda, de base e a que fosse melhor para o país. Talvez por também vício de criação, não vivi as poucas tentativas de implantação do parlamentarismo nesse país. Vivi minha existência no presidencialismo.

Apesar disso, faz tempo que venho pensando na tal reforma política, não exatamente aquela que alguns políticos de má origem querem implantar para perpetuação no poder, mas uma que fosse essencial para o país de nossos filhos e netos. Não o que está aí, o tal presidencialismo de coalizão, provavelmente uma das piores formas de governar nossa nação.

Vamos voltar um pouco ao passado, quando os cargos de escalões menores eram distribuídos aos políticos mais próximos e influentes na base do governo e, depois, entregues a parentes e agregados, com a finalidade precípua de dar emprego as pessoas. Esqueçam isso! Hoje os falados 22.000 (ou seriam 38.000) cargos são distribuídos de forma semelhante, porém, não raro, com finalidades diferentes.

Atualmente, boa parcela dos indicados aos cargos deve repassar parte da remuneração ao “dono” do cargo ou, a seu soldo, realizarem as funções pessoais para as quais foram escolhidos. Daí surgem os escândalos de corrupção do tipo Petrobras, achaques diversos, mensalões e tudo que mais recentemente temos vivenciado pelo Brasil.

A corrupção está se tornando endêmica no nosso país. Abandonou-se inteiramente um projeto de construir uma Nação, para engendrar um projeto, simplesmente, de Poder. Ninguém fica mais indignado ou estarrecido com o que ocorre na política brasileira. Agora mesmo, para se votar as MPs (Medidas Provisórias) do ajuste fiscal com sucesso, o governo teve, segundo o noticiário, que entregar 70 cargos da administração pública.

É o “toma lá, dá cá”, do tal presidencialismo de coalisão na sua pior forma. Ninguém grita, por exemplo, quando o povo pensa em estar votando em seus candidatos preferidos, quando na realidade estão votando na legenda. Daí surgem puxadores de votos “tipo Tiririca” para que o partido coloque mais parlamentares.

Também ninguém fala da caixa preta que é a eleição eletrônica brasileira que magicamente processa o resultado das eleições em poucas horas. Por que razão países bem mais desenvolvidos e sérios ainda usam a velha cédula em eleições complicadas? Por que esses mesmos países possuem somente dois ou três partidos, enquanto aqui temos algumas dezenas deles que só servem para alugar tempo nas coligações e obter benesses?

Temos que estudar muito a possibilidade de outros modelos para o Brasil como o parlamentarismo, o voto distrital e outras formas de eleição dos parlamentares. Por enquanto só tenho uma certeza: o que aí está não serve para o Brasil sério!

Gosto de ter a oportunidade de discutir isso com vocês, amigos do Dinheirama. Fazendo a ligação com o mercado de capitais, parece claro que isso certamente irá influir nos mercados. Não é por outra razão, que não a de uma economia sólida, que David Cameron deu show no Reino Unido nas eleições havidas, e também não é por outra razão que a aprovação do governo Dilma anda tão baixa.

Assim, temos que iniciar as discussões de uma reforma política já e acabar de vez com o voto obrigatório. O Brasil também não merece isso.

Para finalizar, convido os amigos leitores, para conhecer mais de perto meu trabalho na Órama, um trabalho desenvolvido com amor e esperança de que juntos podemos oferecer melhores oportunidades para quem acredita no Brasil. Até a próxima!

Foto: The Brazilian flag. Shutterstock.

Alvaro Bandeira
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários