Os indícios de recuperação na economia parecem ter melhorado o humor dos brasileiros e as expectativas para o país em 2017.

De acordo com uma recente pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência, a maioria dos ouvidos acredita que os problemas de 2016 não se repetirão na mesma proporção neste ano.

Acompanhe os dados da pesquisa:

A pesquisa mostra também que o brasileiro está otimista com 2017: quase metade da população (45%) considera que este ano será melhor do que 2016.

Mas apesar do otimismo, a população está insatisfeita com a economia do país. Em janeiro, 60% dos brasileiros não estavam nada satisfeitos com o funcionamento da economia, percentual levemente acima dos 56% verificados em julho de 2015.

“A pesquisa mostra que em um ano no qual as pessoas estão muito indignadas e desconfortáveis com tantas notícias sobre corrupção, parece haver uma necessidade de resgatar valores primários como honestidade e sinceridade. Em ano de falência das instituições, a solidariedade também se tornou necessária e valorizada”, reforça Marcia Akinaga, diretora de quali+inovação do IBOPE Inteligência.

O otimismo com 2017 não foi suficiente para salvar as últimas compras de 2016. Azar do Natal. De acordo com a pesquisa, apenas 33% da população comprou presentes nesta data, a mais importante para o varejo brasileiro. Entre os consumidores das classes A e B, só metade comprou algum presente.

O estudo revela ainda que mesmo quem gastou com presentes, comprou um número menor no último Natal, com redução de consumo principalmente nas classes mais baixas.

O brasileiro tentou se adaptar à crise neste Natal e buscou outras opções para não se endividar mais. Parcelar a compra foi a estratégia utilizada por alguns. Porém, quem parcelou, comprometeu seu orçamento até maio de 2017.

Quando o governo prepara medidas e pacotes para a economia, os reflexos nem sempre são imediatos. Quando os juros caem, os números só mostram qualquer resultado de aquecimento a partir de 3 ou 4 meses, no mínimo.

Resgatar a expectativa positiva dos agentes econômicos, empresários e da população de uma maneira geral talvez seja nesse momento o maior desafio – e o que de fato poderá fazer com que o país volte a crescer.

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Desemprego em alta, autoestima em baixa

Mesmo com os juros em queda e a inflação convergindo para a meta estipulada pelo Banco Central, um indicador é revelador e mostra como os desafios do país continuam enormes em 2017: o desemprego.

Só em 2017, a previsão é de 1,2 milhão de desempregados a mais no Brasil. A taxa de desemprego deve chegar a 12,4% da população com idade para trabalhar, fechando o ano com 13,6 milhões de desempregados.

De cada três desempregados no mundo, um será brasileiro. O Brasil só perde para China e Índia, países com população 5 vezes maior.

Este ano, teremos 201 milhões desempregados em todo o mundo, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Sem uma fonte fixa de renda, o brasileiro se mostra cada vez menos disposto a voltar a consumir e ser um dos pilares para reaquecer a economia.

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FGTS: a oposta do governo para “esquentar” a economia

No final de 2016, o governo anunciou que liberaria os saques das chamadas contas inativas do FGTS.

De acordo com o Ministério do Trabalho, atualmente existem 18,6 milhões de contas inativas há pouco mais de um ano, onde estão depositados cerca de R$ 41 bilhões. A maior parte dessas contas tem saldo de menos de um salário mínimo, segundo o governo.

Não restam dúvidas de que a medida pode representar para a economia um estímulo importante, mesmo que as pessoas acabem utilizando (acertadamente) o dinheiro para quitar dívidas em atraso.

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Vem mais emoção por aí…

Em 2018 teremos novas eleições e, até o atual momento, nenhum cenário pode ser descartado – pense, por exemplo, que a operação Lava-Jato poderá implicar muitos políticos que desejam a presidência do país.

Nesse meio tempo, discussões importantes e impopulares devem ganhar espaço. A reforma da previdência é indispensável para pensarmos o futuro do país e em breve a legislação trabalhista poderá ser alvo de uma modernização.

Se aprovada nos termos atuais, a reforma da Previdência vai colocar o Brasil entre os países com regras mais rígidas para aposentadoria. Pela proposta do governo, quem contribuir por menos de 25 anos não terá direito a se aposentar mesmo que alcance a idade de 65 anos.

Em outros países é possível se aposentar com tempo menor de contribuição, mas o benefício pode ser menor que o salário mínimo, o que não é permitido no Brasil.

Cumpridos os 25 anos, o brasileiro receberá 76% do benefício. O valor integral só será pago a quem trabalhar 49 anos, regra também mais dura que de outros países.

O país ainda precisa abrir espaço na agenda para discutir o funcionalismo público e a necessidade de tornar esse trabalhador mais eficiente e útil.

Funcionalismo público não pode ser sinônimo de “cabide de emprego” e um lugar em que as pessoas não possuam a menor estrutura para trabalhar. Isso sem contar nas diferenças gritantes de salários.

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Conclusão

Não é fácil, mas os desafios estão aí e são conhecidos. Nossa responsabilidade é voltar a cobrar e pensar, de fato, no que é melhor para o país. Não é mais possível vivermos em um país com o Estado cada vez mais inchado e afim de tomar conta dos mínimos detalhes de nossa vida.

A palavra cautela deverá estar cada vez mais presente no dia a dia do brasileiro, especialmente em 2017. Além das questões econômicas que estão longe de se resolverem, o ambiente político ainda é tóxico e estranho, para dizer o mínimo.

Os próximos meses serão determinantes para eventuais mudanças, mas eles dependem também do nosso compromisso enquanto cidadãos. Pense nisso e até a próxima!

Ricardo Pereira
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