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Brasil tem 17 empresas “Anjos Caídos”; veja a lista

"Os anjos caídos enfrentaram uma combinação de razões, geralmente lideradas por mudanças soberanas e operacionais", afirma a Fitch

por Gustavo Kahil
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Fallen Angels, Anjos Caídos
(Imagem: ChatGPT/ Dinheirama)

Nos últimos anos, o cenário econômico global tem desafiado a resiliência das empresas em diversas regiões, especialmente na América Latina. O relatório “Latin American Corporates: Fallen Angels and Sub-Investment-Grade Analysis”, divulgado nesta terça-feira (2) pela Fitch Ratings, traz uma análise detalhada das empresas que perderam o status de grau de investimento (IG) e se tornaram conhecidas como “anjos caídos”. Este estudo abrange o período de 2006 a 2023 e oferece uma visão abrangente sobre as causas dessas degradações e os caminhos seguidos pelas empresas após a perda do status IG.

Conforme os analistas, Sergio Rodriguez Garza e Maria Pia Medrano Contreras, 60% das ações de degradação que resultaram na queda do status IG foram impulsionadas por fatores externos.

“Os ‘anjos caídos’ sofreram degradações devido a uma combinação de razões externas, geralmente lideradas por mudanças nas condições soberanas e do ambiente operacional”, afirmam os analistas.

Entre esses fatores, destaca-se a atividade econômica doméstica enfraquecida, a exposição aos mercados globais de commodities e suas quedas, além de mudanças regulatórias adversas não previstas nos planos de negócios das empresas.

O relatório revela que, dos 52 emissores que perderam o status IG, 65% permanecem em nível sub-IG, enquanto 23% conseguiram recuperar o status ‘BBB’ e 12% entraram em default.

A recuperação do status pré-degradação tem se mostrado desafiadora, com apenas 23% dos ‘anjos caídos’ retornando ao nível IG, e apenas 17% dos emissores degradados da categoria ‘BB’ voltando à sua classificação inicial.

“Os emissores que enfrentaram degradações devido a fatores de desempenho operacional, como Controladora Mabe, Eletropaulo e AES Panama, conseguiram retornar ao status IG, enquanto aqueles que enfrentaram degradações devido a razões soberanas permanecem em dificuldades”, explica Garza.

Brasil

O estudo também destaca os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras, sendo o foco principal das degradações na região.

“Todos os emissores brasileiros que entraram em default enfrentaram problemas internos, como decisões gerenciais e preocupações com ESG”, observa Medrano.

Exemplos notáveis incluem a Samarco Mineração S.A., que sofreu uma degradação significativa após o desastre da barragem de rejeitos, e a Odebrecht Engenharia e Construção, afetada por escândalos de corrupção que abalaram sua reputação e estabilidade financeira.

Petrobras
Navio da Petrobras (Imagem: Divulgação/ Petrobras)

Brasileiras anjos caídos

Eletrobras (ELET3), Andrade Gutierrez Engenharia, Samarco Mineração, Itaipu Binacional, Furnas Centrais Elétricas, CSN (CSNA3), Petrobras (PETR3; PETR4), Odebrecht, Oi (OIBR3), Localiza (RENT3), Embraer (EMBR3), Braskem (BRKM5) Globo Comunicação e Participações, Transmissora Aliança de Energia Elétrica (TAEE11), Klabin (KLBN11), Cielo (CIEL3) e BRF (BRFS3).

O estudo identifica que 59% dos ‘anjos caídos’ estavam em perspectiva negativa ou vigilância negativa antes da degradação, enquanto 41% estavam em perspectiva estável. “Isso indica que muitos desses emissores foram afetados por eventos ou desenvolvimentos imprevistos que não estavam previamente considerados nas avaliações de risco”, acrescenta Garza.

Apesar dos desafios, alguns emissores conseguiram se recuperar após degradações múltiplas. “A Biosev, por exemplo, não apenas recuperou sua classificação anterior, mas também atingiu um status superior ao pré-degradação, facilitado por sua aquisição pela Raízen (RAIZ4)”, destaca Medrano. No entanto, a maioria das empresas ainda enfrenta um caminho difícil para recuperar suas classificações de crédito, com muitas permanecendo em níveis sub-IG ou enfrentando riscos de crédito substanciais.

GOL
(Imagem: Twiter/ GOL/@fotoeduviana)

Empresas que não retornaram ao BB

Gol (GOLL4), TGBR Incorporadora, Brookfield, U.S.J. – Açúcar e Álcool, Schahin Oil & Gas, General Shopping, Usiminas (USIM5), Oi (OIBR3), Radio e Televisão Bandeirantes, InterCement Brasil, Mover Participações, Unidas Locações, Azul (AZUL4), Americanas (AMER3), Light (LIGT3) e MC Brazil Downstream.

A análise da Fitch Ratings ressalta que 38% das degradações da categoria ‘BB’ resultaram em default, com causas primárias incluindo riscos soberanos, ambientes operacionais adversos e questões relacionadas à gestão e governança.

“As pressões macroeconômicas e as instabilidades políticas foram responsáveis por 68% das degradações da categoria ‘BB'”, aponta Garza. No Brasil, 57% das empresas degradadas da categoria ‘BB’ para níveis inferiores acabaram em default, refletindo a vulnerabilidade do ambiente econômico local.

O relatório também examina a distribuição setorial das degradações, destacando que os setores de energia, transporte, utilidades elétricas, recursos naturais, imobiliário e telecomunicações foram os mais afetados. Esses setores, coletivamente, representaram dois terços dos defaults entre os emissores da categoria ‘BB’ durante o período analisado.

“A exposição à volatilidade soberana e macroeconômica, indústrias cíclicas expostas a commodities e mercados globais, além de estratégias de gestão e ESG mais agressivas, desempenharam um papel significativo nas degradações”, explica Medrano.

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