Em artigos recentes publicado nesse espaço comento que mesmo nessa tribuna de discussões, tivemos oportunidade de antecipar os movimentos de recuperação do mercado secundário de ações no Brasil.

Seguindo comportamento idêntico de mercados em outros países desenvolvidos. Como pano de fundo, sempre elencamos a recuperação econômica global, alterando preços relativos dos ativos, no pressuposto de aumento da produtividade, lucratividade e distribuição de remunerações aos acionistas.

Números do Brasil

Em se tratando de Brasil e pegando o período de meados de novembro até agora, o índice Bovespa observou alta superior a 25%, considerando sucesso de recordes que levaram até próximo de 88.400 pontos.

Nada mau para todos os reverses pelos quais passamos no período, incluindo a não reforma da previdência, desequilíbrio fiscal, rebaixamento por agências de classificação de risco, fragilidade do presidente Temer, disputa entre os poderes e ruídos de uma eleição majoritária que promete ser muito complicada.

Comércio Exterior em alta

De bom mesmo só os dados do comércio exterior, investimentos diretos no país (IDP) e inflação em queda mexendo fortemente na mesma direção com a taxa de juros básica Selic.

Apesar de o governo propagandear números melhores da economia, ainda assim, se isso aconteceu (e de fato aconteceu), foi de forma muito tímida e sem maior consistência.

O PIB de 2017 crescendo 1,0% é bom quando cotejado com dois anos anteriores de recessão profunda, mas incipiente para mostrar a retomada da economia. Isso fica ainda mais claro quando vemos a taxa de investimento em relação ao PIB como a menor da série, desde que é coletada 15,6% do PIB e 2017. Ou a formação bruta de capital fixo em queda de 1,8% e pelo terceiro ano consecutivo.

Dados melhorando mas recuperação preocupa

Os dados de conjuntura efetivamente estão melhorando, porém, numa base de comparação terrivelmente baixa.

Basta citar que a produção industrial de janeiro anunciada na semana e que cresce em 12 meses 2,8%, ainda está quase 16% aquém do pico de produção estabelecido em junho de 2013, com destaque da indústria automotiva puxando. Assim como no PIB, fomos salvos pelo agronegócio.

Tudo isso é só para ilustrar como ainda precisamos melhorar para entrarmos em sintonia com o restante do mundo que começa a recuperar mais fortemente e com estrutura bem mais equilibrada.

Crescimento por conta do cenário externo

Isso não está importando muito aos investidores que por conta do cenário econômico global mais positivo, ampliaram a propensão ao risco destinando mais parcela de recursos para a renda variável. Claro que é também influenciado por taxas de juros baixas em todo o mundo e não raro negativas.

Mas o fato é que os investidores no Brasil estavam vazios de ativos de maior risco e nesse final/início de ano decidiram ampliar destinação de recursos.

Como já lembramos, a época é ideal, já que eventuais desacertos podem ser corrigidos no curso do ano de 2018. Além disso, muitos gestores de fundos de pensão têm que buscar compensar o não cumprimento de planos atuariais no período de recessão.

A melhor estratégia para o momento

Tudo isso posto, ainda resta outra estratégia de voltar a montar carteiras para recepção de dividendos vis a vis a remuneração produzida por aplicações em renda fixa.

Na nossa visão, essa situação favorável para aplicações em mercados de risco, ainda deve se prolongar, mesmo considerando alguma piora no segmento político. Vamos passar por conturbações e volatilidade, mas a tendência primária segue sendo de alta.

Sugerimos, então, prudência na assunção de riscos maiores, observando que são aplicações de longo prazo para retorno. Consulte a modalmais para sugestões de aplicações e conheça os fundos recomendados em nossa plataforma.

Alvaro Bandeira
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