O Carnaval acabou. Que tal começar o ano?Dizem que por aqui nada acontece antes do Carnaval, certo? O que dizer do cuidado com as finanças pessoais, o orçamento doméstico e o planejamento financeiro, todos itens essenciais para uma vida mais tranquila, com mais qualidade e liberdade?

Há quem tenha deixado para “depois do Carnaval” a “hora certa” de encarar a responsabilidade de cuidar do próprio dinheiro – estes são os mesmos que daqui a pouco se lembrarão que faltam menos de 100 dias para a Copa. “Depois da Copa eu vou começar a investir”, já ouço algumas pessoas dizendo.

E depois virão as campanhas eleitorais e as Eleições, momento em que a vida se agita com as discussões em torno dos candidatos e as perspectivas (ou falta delas) oriundas de um novo governo. “O ano de 2014 já era, mas prometo que a partir de 2015 minha vida financeira entrará ‘nos eixos’ de uma vez”, até isso eu já escutei.

Tudo errado. A hora de começar é agora, e a hora de fazer é sempre! Adiar a decisão de respeitar e controlar as finanças só servirá para prejudicar a já frágil estrutura familiar e a realização de metas e objetivos – o dinheiro não é compulsório, uma espécie de assunto opcional. Dinheiro é vida, é cotidiano!

Como começar? Algumas dicas simples podem ajudá-lo:

  1. Pague o valor total da fatura do cartão de crédito no dia do vencimento. Evite a todo custo o rotativo do cartão e o pagamento mínimo da fatura. Se você não for capaz de fazer isso, é porque está gastando mais do que pode;
  2. Conheça o produto financeiro que está usando ou pretende usar (cartão de crédito, cheque especial etc.). Avalie os custos embutidos em cada opção (Custo Efetivo Total) e opte por opções com tarifas menores (anuidade, por exemplo);
  3. Cuidado com a oferta de crédito pessoal, que é ostensiva, intensa e convincente. Evite passar em frente a esses lugares e não pegue panfletos que tratam desse assunto;
  4. Sempre que possível, antecipe o pagamento de parcelas dos seus empréstimos já realizados. Isso permitirá quitar a dívida mais rapidamente, e essa sensação é muito bem-vinda;
  5. Se for financiar algo (carro, casa etc.), procure dar a maior entrada possível, usando recursos como FGTS quando possível. Agindo assim, você diminuirá os juros pagos no empréstimo e o valor das parcelas, podendo quitá-las mais rapidamente;
  6. Não acredite em empréstimos que ofereçam “taxa zero”. Em matemática financeira, isso não existe! Os juros estão embutidos no preço anunciado, portanto negocie desconto.

Convenhamos, o ano já começou faz tempo e você sabe disso. Acontece que são tantos os “acontecimentos importantes” que fica fácil esquecermos do que realmente interessa. Acontecimentos importantes entre aspas, claro, afinal de contas a vida se resume às prioridades (ou falta delas).

Se o Carnaval (ou a Copa, as Eleições etc.) é sua desculpa para ainda não ter feito nada a respeito de sua vida financeira, você já definiu o que é mais importante em sua vida, mas talvez não tenha se dado conta das possíveis consequências desta escolha.

A mensagem final é óbvia: educação financeira não é uma disciplina que se aprende e pratica em determinada época do ano ou apenas em famílias cuja renda seja elevada. Nada disso, educação financeira é um hábito, uma escolha consciente e que requer prática.

Foto “Carnival Mask”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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