Carro de Milionário? Hein?!Quando o Navarro tuitou o artigo “Por que um Fiesta é mais carro de milionário que um Lexus”, publicado no Portal Exame em 29/7, não consegui parar de pensar no meu Fiestinha. No artigo, o autor (que foi altamente bombardeado nos comentários) comenta sobre o argumento do blogueiro Allan Roth, que, após alguns cálculos, afirma que Fiesta é mais carro de milionário que um Lexus. Por quê? O Fiesta atende a todas as necessidades de seu dono com um custo infinitamente menor.

É claro que aqui ele não considera o que um carro como o Lexus pode significar para uma pessoa. Sabemos que algumas marcas existem e cobram preços estratosféricos simplesmente por representarem status e sonho de consumo para milhões de pessoas. Deixaremos esta discussão de lado. Nosso foco é apenas usar os valores comparados trazendo-os à nossa realidade.

Tenho um Fiesta e passei a prestar mais atenção em quanto eu gasto com ele. Esse pensamento intensificou-se quando eu renovei o seguro. Isso tudo porque, em geral, consideramos que carro nos traz apenas gastos com seguro, IPVA e combustível. Infelizmente, os gastos mensais com o carro não param por aí. Pensando nisso, acompanhei mais detalhadamente cada Real que gastei com ele nas últimas semanas.

Estacionamento
Quem mora em cidades grandes vai entender plenamente o que estou falando. Em São Paulo, onde moro, conseguir estacionar na rua de determinados bairros é tão complicado quanto achar vaga no shopping em época de Natal. Desta forma, em qualquer ida ao dentista você já precisa pagar para estacionar o carro.

Veja o meu caso. Na primeira semana de agosto precisei ir duas vezes ao dentista. O valor da primeira hora – pasmem! – custa R$ 12. Já se foram R$ 24 em alguns minutos. No domingo, passei no shopping e já se foram R$ 7. Ontem, ao passar em uma consulta médica, paguei outros R$ 10. Conclusão: de domingo a sexta somamos exatos R$ 41 em estacionamento.

Algumas regiões da cidade são escolhidas pelas empresas para instalarem suas sedes, o que infla não somente o valor dos aluguéis, como também o preço dos estacionamentos. Hoje, estacionar na Avenida Paulista, por exemplo, não sai por menos de R$ 230/mês.

Há também aquelas famílias que precisam pagar por uma vaga extra na garagem do apartamento, aqueles que estudam e precisam estacionar o carro próximo à escola/faculdade, dentre outros casos. Lá se vão mais algumas dezenas de reais…

Lavagem/Higienização
Quem não mora em casa com quintal, infelizmente precisa terceirizar este serviço. Mesmo quem tem espaço em casa para lavar seu carro muitas vezes opta por levá-lo a um lava-jato. Praticidade e comodidade têm preço: mais R$ 18 a cada lavagem.

Manutenção
Em agosto, precisei trocar óleo e filtros: R$ 138 no total, depois de muito pechinchar com o dono da loja. Além disso, uma lâmpada queimou. Mais R$ 17. Soma-se então o trocadinho que dei para o mecânico que se prontificou a trocar a lâmpada. Dei R$ 5.

Seguro
Para o meu perfil – divorciada, que estaciona na rua durante o dia e usa a garagem do prédio durante a noite – foram abusivos R$ 1.376,24, ainda com o costumeiro “chorinho” com o corretor. Eu digo abusivo, pois pago seguro há três anos e nunca sequer usei o guincho. Mas, como diria o ditado, “o seguro morreu de velho”.

Combustível
Como meu carro é bi-combustível, faço aquela conta simples e bastante conhecida: se o álcool for apenas 30% mais barato que a gasolina, abasteço com gasolina, que rende mais; se for mais barato que isso, prefiro álcool. Abasteço semanalmente. Em São Paulo, o preço do litro do álcool varia muito e por isso não sou fiel a um único posto. Pago em média R$ 1,34/litro.

Assim, um tanque cheio custa em média R$ 60, o que totaliza R$ 240/mês para ter o conforto de me deslocar de carro ao trabalho e aos programas sociais de fins de semana.

Alguém tem coragem de somar todos os itens? Risos.

Em agosto, não levei nenhuma multa. Considero-me bastante cautelosa, mas, infelizmente, é inevitável cometer algum deslize eventualmente. Este deve ser mais um gasto a se considerar.

E o “colchão de segurança” que sempre devemos ter para um imprevisto? Uma batida pequena, problemas com motor ou qualquer outro problema não coberto pelo seguro ou pelo qual não valha a pena acioná-lo? Quanto você separa por mês?

Pois bem. Carro de milionário? Sei não…

Ressalto que este artigo é meramente ilustrativo. Não considero diferença de preços entre bairros, cidades ou fornecedores – apresentei os valores gastos nas oficinas escolhidas e no meu dia-a-dia. Caso em sua localidade os preços sejam diferentes, traga esses itens para a sua realidade. Mas faça as contas e planeje-se.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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